Você já imaginou como seria se sua HQ preferida ganhasse vida? E se ainda por cima ela interagisse com você? Pois o brasileiro Pedro Morelli não só imaginou, como resolveu registrar a ideia no filme Zoom, que estreia em 80 salas brasileiras no dia 31/03.

A produção realizada  por meio de uma parceria entre brasileiros e canadenses, foi filmada nos dois países e levou cerca de 5 anos para ser concluída. O tempo se justifica quando nos deparamos com Gael Garcia Bernal em uma animação toda feita em rotoscopia no traço brilhante do também brasileiro Adams Carvalho. Para quem não conhece muito a técnica, é a mesma usada em Waking Life do Richard Linklater (um dos meus filmes favoritos da vida, diga-se de passagem), onde os atores são filmados e posteriormente as camadas de animação são adicionadas, para que o desenho consiga reproduzir detalhes como expressões e movimentos de forma que o que vemos é praticamente uma impressão fiel da realidade em forma de animação.

Não sei se todo mundo se empolga com esses detalhes como eu, mas ao ver Gael andando na praia do Rio de Janeiro como se fosse a coisa mais natural do mundo, não imaginamos o trabalho que dá para que aquilo aconteça. Eu, que não entendo de técnicas de cinema, divulgado-o-trailer-legendado-depercebi que foi um trabalho exaustivo criar essas camadas de desenho uma a uma sem o mesmo software desenvolvido para o Waking Life (Richard Linklater tinha um software exclusivo desenvolvido para ele), então, quando o diretor explicou em um debate que participei, o passo-a-passo do processo, não tem como não se impressionar com a riqueza dos detalhes que o Adams Carvalho magistralmente conseguiu imprimir aos desenhos.

Bom, mas o público em geral não vai ao cinema para assistir técnicas e certamente Zoom não é um filme para qualquer público. Com participações de Cláudia Ohana, Mariana Ximenes, Jason Priestley (sim, o carinha do Barrados no Baile), Alison Pill e Tyler Labine, a trama gira em torno de três personagens cujas realidades estão conectadas de uma forma completamente nonsense. Além da crítica à indústria do cinema e à superficialidade que atola nossas vidas, o filme se vale da metalinguagem para nos guiar em uma narrativa que mistura live action com animação e HQ em uma experiência extremamente divertida. Ele não se propõe a ser um blockbuster, embora esteja recheado de elementos pop, nem um filme cult de arte, apesar da metalinguagem e crítica ao universo cinematográfico. Se trata de um excelente entretenimento, sem pretensão, para quem curte a 7ª arte e não gosta dos clichês óbvios que estamos tão acostumados a ver nas películas hollywoodianas.

Se você, assim como eu, gosta de ser surpreendido, sugiro fortemente que vá assistir Zoom nos cinemas. É impossível não ficar curioso sobre como as realidades dos personagens irão se conectar quando você assiste a um filme onde uma mulher que trabalha em uma fábrica de bonecas sexuais desenha uma HQ sobre um diretor que quer mostrar seu lado mais sensível, em um filme sobre uma escritora que conta a história de uma mulher que trabalha em uma fábrica de bonecas sexuais…. Se eu falar mais, é muito spoiler! Mas deu pra sentir que a trama nonsense remete à escada infinita do Escher e ao Oroboros que morde o próprio rabo?

Pra descobrir como tudo se descomplica, só indo mesmo ao cinema e contando depois o que achou!
Trailer oficial:

https://www.youtube.com/watch?v=vAoLqjr2ux8

Bom filme!
https://www.facebook.com/zoomofilme/

— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.