Mauricio de Sousa. 76 anos, Santaisabelense.

Bira Dantas. 48 anos, paulistano.

Aos 14, fiz um estágio rápido vapt-vupt no estúdio do Mauricio: eu havia publicado duas páginas de HQ's na página "Futuro Artista" da Folhinha de São Paulo. Isso já tinha sido uma glória, era o jornal que publicava Os Bandeirantes de Moretti (que futuramente eu conheceria e me tornaria amigo) e Nicoletti.

Minha prima Goya, grande colecionadora de gibis da Turma da Mônica sugeriu que eu entrasse em contato com a jornalista Eunice Veiga, editora da seção na Folhinha e marcasse um bate-papo com o Mauricio, minha mãe deu a maior força. Foi o que fizemos. Era o ano de 1977. Eu tinha 14 anos e muita expectativa.

Depois de uma agradável conversa com o Maurício, a quem mostrei vários desenhos e gibis de super-heróis que eu fazia, ele disse que meu estilo não batia muito com o do estúdio, que era mais infantil. Elogiou meu traço, deu parabéns pelo empenho. E me convidou a fazer um estágio à distância (desses que o moleque deixa as páginas desenhadas e o pessoal do estúdio envia de volta pelo correio, com comentários) e ao pé do ouvido falou para que eu não levasse mais a família a tiracolo (eu tinha ido com minha mãe, que sempre deu a maior força para que eu me dedicasse aos quadrinhos e a Goya, prima tiete).

Como viu que eu gostava de desenhar super-herois, disse que iria me apresentar a um desenhista que realmente ia me interessar: o grande e saudoso Jayme Cortez, seu diretor de arte. Foi um show! Cortez além de me presentear com A Técnica do Desenho e o Zodíako, me deu uma aula de anatomia e de como escolher bons desenhistas como mestres, que não esqueço até hoje. Mas disse que eu não devia copiar pra sempre, tinha que buscar meu estilo. Depois de algumas páginas ampliadas do Pelezinho e Mônica calcados no traço do Zé Márcio Nicolosi (diretor de arte de animação e um dos desenhistas mais fantásticos do estúdio MSP), percebi que não tinha "pegado" o estilo da Turma da Mônica. Mas, esta experiência me propiciou dar um novo pulo (a vida é sempre assim, né?)

Em 1979, o Estúdio Ely Barbosa produzia quadrinhos Hanna-Barbera para a Rio Gráfica Editora e publicou um anúncio em jornal: "precisa-se de Desenhista de História em quadrinhos com ou sem experiência". Minha mãe, dona Lourdinha, que lia o jornal, recortou o anúncio e lá fui eu, do Tatuapé para a avenida Indianópolis, do outro lado da cidade. Cheguei, sem experiência, mas com uma pasta a tiracolo cheia de desenhos: HQ's de super-heróis, uma quadrinização de O Guarani que fiz para a escola e algumas páginas ampliadas dos personagens do MSP.

Foi este conjunto que me garantiu uma vaga no estúdio do Ely. Por isso, homenageei duas vezes Mauricio, este grande nome da HQ brazuca, Em 2009, quando completou 50 anos de produção e agora, em 2011 ao receber o titulo de cidadão Soteropolitano. Parabens, Mauricio, por sua defesa apaixonada do Quadrinho Nacional e de nomes como Araujo Porto-Alegre, Angelo Agostini, Rian, J.Carlos, Yantok, Belmonte, Luiz Sá, Storni e dezenas de outros que sempre foram citados em suas HQs históricas e antologias.

 

— Como o Bira falhou na tentativa de virar herói, publica seu Tatu-man nos jornais Correio Popular e Graphiq. Faz parte do Coletivo Quarto Mundo e da AQC (Associacao de Quadrinhistas e Caricaturistas) SP. Toca gaita nas horas vagas, em eventos quadrinhisticos ou quando nao esta arrancando cabelo ( e tem muito) com os prazos apertados. Deve se mandar pra Coreia do Sul, pra falar do mercado dos Quadrinhos brasileiros, que acredita, nao esta desmoronando.