Quando Scott Snyder e Stephen King se uniram para fazer este gibi, a idéia era trazer uma nova versão para os vampiros clássicos da literatura, conservando sua essência, seus costumes e sua sanguinolência. Esqueça Crepúsculo, 30 dias de noite, Blade, Entrevista com o Vampiro e tudo o que você assistiu e leu nos últimos anos, gostando ou não. A meta é justamente deixar para a posteridade um novo tipo de vampiro,  moderno, em alternativa a todas as obras que abordam este tema.

Bom, se os roteiristas pensavam em manter os costumes antigos dos seres da noite, nada melhor que trazer ao começo da história os clássicos vampiros europeus. E a história começa com a conversão de Skinner Sweet, um fora-da-lei do velho oeste americano em um imortal vampiro. Mas por algum motivo Skinner reage diferente, desenvolvendo habilidades e fraquezas diferentes dos vampiros normais. E o mal-encarado se torna então o primeiro espécime dessa nova raça.

Sendo um imortal, o tempo passa e Skinner chega aos tempos modernos aprontando das suas em seu estilo de vida boêmio. Em uma de suas empreitadas, enfrenta um grupo de vampiros que controlava a indústria cinematográfica de Hollywood e que tentava abusar de uma jovem atriz, de nome Pearl Jones. Para salvar Pearl, Skinner tranforma-a na segunda espécime de sua raça. E é então que o quadrinho se divide entre as vidas destes dois protagonistas, vampiros americanos. Ambos são igualmente carismáticos (a seu modo), já que Pearl passa de menina indefesa a vingativa e poderosa, e Skinner carrega a essência do Bang-Bang. O canalha abusa do sarcasmo, ironia e malandragem para defender seus interesses, no melhor do estilo Wolverine de ser.

A série, que ainda não foi concluída nos EUA, não perdeu em nada com a saída de Stephen King após algumas edições. O escritor escrevia em sua maioria histórias secundárias, e percebia-se que o título poderia se virar bem sem ele após o impulso de partida. Premiados com o Harvey Awards e o Eisner Awards por `Melhor Série Nova`, começou a ser publicada no Brasil na edição 10 do mix Vertigo, tendo sido publicada a décima quinta edição na Vertigo 24, presente nas bancas no momento.

Por fim, um dos destaques deste quadrinho fica por conta da arte do brasileiro Rafael Albuquerque, conhecido no país pela publicação Mondo Urbano. Aquele quadrinho sobre Rock N` Roll que foi feito em conjunto com Mateus Santolouco (que também desenha algumas edições de Vampiro Americano), e Eduardo Medeiros (Sopa de Salsicha). Rafael consegue dar a ambientação necessária para cada uma das temáticas abordadas, e seu Skinner Sweet é definitivamente um dos personagens mais “irados” do universo Vertigo.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.