Eu posso dizer com certeza que sou um cara resolvido no campo amoroso. Aos 28 anos encontrei meu grande amor, que para minha felicidade foi correspondido, e desde então minhas experiências amorosas se resumem em conquistar e amar sempre a mesma mulher, minha querida Cris. Mas mesmo antes de encontrá-la eu me considerava um cara que sabia lidar com as mulheres: já sabia dosar as gotas de carinho e rejeição, conforto e insegurança, risos e lágrimas que compõem  a fórmula que faz com que as jovens fêmeas humanas se mantenham interessadas e atraídas pelos machos de sua espécie. Mas essa fórmula custa caro e só é adquirida depois de anos e anos de muitas cabeçadas.

 Lendo Valente para Sempre  (compilação de tiras publicadas originalmente no jornal O Globo) eu voltei a ter 14, 15 anos de idade. E eu era o próprio Valente, o cachorrinho adolescente da HQ do Vitor Cafaggi. Todo garoto é ou foi um dia o cãozinho Valente.

Vitor é sem dúvida um talento único nos quadrinhos. Ele sabe como ninguém criar histórias sensíveis e ao mesmo tempo divertidas e nem um pouco piegas. E olha que quem está falando isso é um cara que diz gostar de quadrinhos que tenham ação, violência, suspense ou mulheres nuas (ou de preferência tudo isso de uma vez só). Não tem nada disso em Valente, mas mesmo assim eu adorei.

Valente conta uma história sobre primeiros amores e toda a sua irracionalidade, insegurança, empolgação, sofrimento e até mesmo uma boa dose de feladaputice. Valente é a história de um cachorrinho fofinho, mas também é a história de uma fase da vida de todos os homens.

Título: Valente para Sempre
Autor: Vítor Cafaggi
Nível de recomendação do QaQ: 10/10

 

— Não gosta de falar sobre si mesmo, mas a sua orelha queima quando estão falando dele.