Neste post pretendo expor minhas primeiras impressões ao ler o mix Universo DC, que compreende as primeiras edições de Aquaman, Gavião Negro, Omac, Nuclear, Senhor Incrível, Falcões Negros e Mulher Maravilha. Adianto que fiquei satisfeito com a revista, que contem histórias ruins e algumas decepções, mas que teve boas surpresas.

Os novos 52 são os títulos publicados pela DC após o reboot na numeração causado pela série Flashpoint. A idéia da editora era atingir novos leitores abandonando em parte problemas cronológicos, mas manter os antigos sem ter recomeçado todo seu universo do zero. Optaram também por recontar as origens dos personagens menos populares, e partir do conhecimento público para os personagens mais famosos. As histórias do Aquaman, por exemplo, supõe que o leitor conheça um mínimo sobre Arthur Cury e se iniciam como se um pouco da história já tivesse sido contada. Nada que remeta a acontecimentos passados que possam deixar o leitor boiando, pelo menos por enquanto.

Sei que é cedo para avaliar as séries no geral, e como não li em scans para saber o que vem pela frente, vou me ater somente as histórias contidas em Universo DC #1.

Aquaman #1 – Geoff Johns e Ivan Reis

A dupla de maior sucesso nos quadrinhos americanos nos dias de hoje deixou as páginas de Lanterna Verde justamente para reerguer o rei de Atlântida. O trabalho a frente do Gladiador Esmeralda foi um sucesso de vendas e reergueu o personagem, que a tempos carecia de histórias boas e de atenção, e agora a editora espera o mesmo com Aquaman. Apesar de eu não ter gostado muito de O dia mais claro, e consequentemente não ter lido Flashpoint (últimas obras de Johns), minha expectativa para esta série é alta. 

A história começa com criaturas submarinas saindo de um fosso escuro, ao mesmo tempo em que Arthur Cury (Aquaman) impede um roubo em terra firme. Sem contar muitos detalhes, a edição fica toda em cima da chegada destas criaturas e das chacotas sobre nosso herói. Sejam os policias, os ladrões, cidadãos comuns, ninguém o respeita.

O que Johns fez foi apenas representar com seus personagens o senso comum dos leitores. Mas achei esta representação direta extremamente ridícula, para falar a verdade. Como disse anteriormente, Johns é o novo roteirista de Aquamen para fazer dele um sucesso, um herói respeitado, mas o passado desmoralizado se deve diretamente por falta de histórias boas e de uma temática mais complexa para o personagem. Com bons roteiros, o personagem naturalmente ganhará importância, não precisamos de ninguém forçando-o a agir em terra para mostrar serviço e para ganhar a moral do povo. Achei os diálogos desta edição uma atitude muito mais infantil de seu roteirista do que de seu personagem, como Johns queria fazer parecer. Ele quer nos mostrar que o Aquaman ainda é aquele tosco de sempre e alcançará sua redenção com o tempo, durante as histórias. Para mim, podia começar quebrando tudo, não me importo em pular este rito de passagem. 

Para me justificar, farei pela primeira vez uma analogia com um esporte no blog, pois acho que neste momento é cabível. Nos últimos dois anos, os fãs de basquete acompanharam a trajetória da mais comentada estrela atual, LeBron James, do inferno ao céu da opinião pública. LeBron fora execrado no final da temporada de 2010 por ter escolhido se mudar de seu time onde jogou toda a carreira para um time com outras estrelas, em busca de uma taça de campeão. O jogador chegou as finais naquela temporada, mas sucumbiu a pressão e foi ainda mais criticado. No ano seguinte (2012) LeBron James reconheceu que havia sido infantil ao jogar a temporada anterior com ódio, tentando provar algo para o povo. Desta vez jogou tranquilo, com paixão, e sagrou-se campeão pela primeira vez. Para mim, é o que Johns está tentando fazer com o Aquamen. Pode funcionar, mas não sei se terei paciência para ver está história sofrida de novo, com outra roupagem.

Por fim, sou grande fã da arte do Ivan. Ele é apaixonado pelos desenhistas clássicos dos gibis de super-heróis, e é esse tipo de arte que ele promete e cumpre com muito prazer. Mas senti falta, nesta primeira edição, das suas cenas especiais. Ivan costuma deixar o roteiro fluir com quadros diretos, sem muitas perspectivas complicadas, e quando chega o momento, coloca uma linda ilustração em página dupla ou em perspectiva olho de peixe para dar um choque e empolgar o leitor. Sei que nesta edição não teve muitas brechas para isso, mas tais ilustrações poderiam dar uma boa animada na história. O desenho que mais me chamou atenção surge quando Arthur Cury aparece em terra firme, mas a surpresa é um pouco estragada pelos créditos do gibi, que além de desviar a atenção, já costumam ficar numa página de clímax normalmente. Ofuscou o único ponto alto desta HQ.

O Selvagem Gavião Negro #1 – Tony Daniel e Philip Tan

O gavião é mais um personagem cuja história "não começa do começo". Carter Hall começa a história querendo se livrar do traje e do fardo de ser o Gavião Negro, e o faz atirando nele?!?! que coisa mais besta… Tá certo que o Carter é casca grossa, revoltado e tudo mais, um dos personagens mais sofridos do universo DC,  mas acho ingenuidade demais colocá-lo para sepultar seu alter ego. O gavião lutou por diversas reencarnações contra seu destino, e o Carter de uma hora pra outra chuta o balde? Óbvio que não ia dar certo, o traje reage e quase mata Carter Hall. E aí Tony Daniel começa sua história em cima das propriedades desconhecidas do metal enésimo, material que compõe o traje do gavião. Ora, veja bem, o cara tem a garra de Hórus, o escudo de sei lá que Deus, o machado que não é do Conan mas também é muito fera, o tal do traje que lhe dá asas, e vai tentar destruir o traje atirando com um revólver? Caro Tony Daniel, das duas uma, ou lhe faltou inteligência nesta hora, ou faltou pra Carter Hall. E se faltou pro Carter, a culpa é sua.

A história segue e Carter vai se reentender com seu alter ego lutando justamente com um vilão que também quer o metal enésimo. O vilão extraterrestre que parece mais uma mistura de Venom com os monstros do fosso do Aquaman, da história anterior (santa criatividade!). E óbvio que o Gavião começa perdendo, esse cara decididamente nasceu pra sofrer. Eu é que não pretendo sofrer com ele nas próximas edições se as histórias continuarem assim.

Deixei para comentar por último que já acompanhei outros trabalhos do Daniel e do Tan. O roteirista escreveu algumas histórias do Batman, que não me chamaram a atenção suficientemente para lembrar quais eram, mas que por outro lado eram muito melhores do que esta. Tan desenhou algumas páginas de Lanterna Verde, e possui uma arte bastante bonita. Tenho esperança na dupla.

Omac #1 – Dan Diddio e Keith Giffen

A dupla apresenta nesta primeira edição o Hulk da DC quebrando tudo. Isso mesmo, a primeira cena em que o personagem aparece é com um pedaço no chão em suas mãos. E o bichão vai destruindo todas as instalações onde se encontra, e as estranhezas dos personagens vão aparecendo aos poucos em boas sacadas, coma a moça com boca de metralhadora. E para minha alegria, o cara só se transforma de volta em humano na penúltima página do gibi, pulando todo aquele confronto Dr. Jekyll e Mr. Hyde que a turma costuma abordar com Bruce Banner e o Hulk. E o mais interessante fica para a última página, a revelação que une o humano Kevin Kho e Omac. Como pode haver leitores que também não conhecem a fundo este personagem, evitarei este spoiler.

Dan Diddio conseguiu me surpreender, manteve uma boa narrativa e um certo suspense a cerca do personagem. E por favor, continue abordando Omac assim, pois o dia que eu quiser ver o confronto existencial entre o Médico e o Monstro, eu largo o gibi e vou pro livro.

E Keith Giffen também mandou bem, homenageando Jack Kirby em sua arte. Massa!

Nuclear #1 – Ethan Van Sciver, Gail Simone e Yildiray Cinar

A história começa com mercenários atrás de um objeto, torturando uma família em Nova York. E começou muito mal. A cena, estremamente violenta, é totalmente desnecessária para este tipo de gibi. Não estamos lendo Sin City nem Vertigo, não havia a necessidade de cenas tão fortes. Mas em paralelo com esta parte da história, Ethan começa a mostrar a vida dos dois garotos que virão a se tornar o Nuclear. E aí sim ele acerta, a narrativa é boa e os desenhos acompanham, e a caracterização da vida nas universidades americanas é bastante coerente. No final achei a história boa, que acaba surpreendendo após o início nojento.

Senhor Incrível #1 – JG Jones e Lovern Kinozierski

Outro personagem que conhecia muito pouco. A temática é ficcão científica e apresenta tudo que não gosto nos quadrinhos do gênero.  Uma porção de termos complicados (inventandos ou não, quem liga), para mostrar evolução científica e justificar as peripécias do roteirista e do personagem, além de um vilão com controle mental, super original. Se é a mecânica de fractais infinitos que permite o santuário do personagem acessar dobras dimensionais, a mesma tem a capacidade de repulsar minha atenção. No mais, uma coisa que costumo gostar é o uso de pontos turísticos reais nos gibis, mas este desenhista é tão fraco que até a London Eye, roda gigante de Londres, ficou feia no seu traço. História muito fraca.

Falcões Negros #1 – Mike Costa, Graham Nolan e Ken Lashley

Uma equipe de heróis aparentemente sem poderes (?) reunida para evitar ações terroristas pelo mundo. Authority, Frequência Global e Os Perdedores foram os títulos que consegui lembrar de bate pronto com a mesma temática, e óbviamente muito mais interessantes. Roteiro fraco, arte razoável. 

Mulher Maravilha #1 – Brian Azzarello e Cliff Chiang

Outra série da qual espero muito no futuro, e que juntamente com Aquaman, me fez comprar o mix. Brian Azzarello é um dos melhores  roteiristas da atualidade, e o fez a frente de histórias como Batman: Cidade Castigada e 100 Balas. Mas esta primeira história me decepcionou um pouco.

A história começa freneticamente louca, misturando temática mitológica com temática moderna. Gostei bastante da aparicão de Hermes e dos Centauros, acho que vou gostar bastante da história se ela caminhar por aí. A personagem que aparentemente dividirá o protagonismo junto com Diana também é interessante, principalmente por sua gravidez surpreendente. Boa premissa.

Mas quanto a parte moderna, primeiramente acho ridículo a Mulher Maravilha continuar de tanguinha. Tinha gostado da calça desenvolvida por Jim Lee e achava muito mais digno, essa tanga só funciona em cosplay. O vilão que aparece no começo e no final da história, também é estranho demais. Cercado de mulheres bonitas, ele as incendeia ??? Sinceramente, esperava mais. Mas Azzarello tem muito crédito e muita lenha pra queimar.

Cliff Chiang também mandou bem. Sua arte é simplista, mas me lembra um pouco o bom trabalho de Pia Guerra a frente de Y: O último homem

 

Saldo final e resumido (de 1 a 5): Aquaman (3), Gavião Negro (2), Omac (5), Nuclear (4), Senhor Incrível (1), Falcões Negros (1) e Mulher Maravilha (4). Mix (3).

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.