Estava me preparando para escrever uma matéria sobre um filme, mas do nada me veio a cabeça a "Coleção histórica Marvel: Os Vingadores". Resultado: Fui lá peguei as caixas e reli. No fim me senti obrigado a escrever sobre os dois primeiros volumes.
Essa é mais uma daquelas coleções da Dona Panini que traz histórias clássicas dos personagens da Marvel e que ainda vem como uma caixinha maneira pra você guarda-los. Essa dos Vingadores foi publicada em agosto de 2014 (é já tem esse tempo todo já). E o responsável por essas histórias é ninguém menos que Jim Starlin! Mais conhecido como o criador do personagem ThanosJim Starlin também é renomado por suas space operas no universo de quadrinhos de super-heróis, redefinindo o conceito de sagas cósmicas. Além de desenvolver grandes arcos de histórias e de ter trabalhado com praticamente todos os super-heróis da Marvel e da DC, além de trabalhos independentes de sucesso (Dreadstar, Gilgamesh II, caso não conheça este ultimo é só clicar uma matéria supimpa a respeito).

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Apesar dos Vingadores darem nome a está primeira coleção, aqui ele são apenas coadjuvantes na batalha entre o Capitão Marvel e Thanos. De inicio Thanos manipula o vilão chamado Controlador (irônico não?) para que este enfrente o Capitão Marvel, enquanto o gigante purpura vai atrás do cubo cósmico. Em determinado momento Marvel é capturado pela entidade Éon, e passa por uma provação para que possa adquirir a consciência cósmica, habilidade sem a qual ele não pode fazer frente a Thanos. Nesse meio tempoThanos derrota Draxo destruidor numa batalha pelo cubo cósmico.
O destaque da trama é com certeza Thanos (que aliás tem sua origem contada aqui. Se comprou essa pode passar longe daquela merda de “A ascensão de Thanos”). Starlin é provavelmente o único que consegue trabalhar o personagem sem que ele parece uma cópia de um certo vilão da Distinta ConcorrênciaThanos usando o poder do cubo, se torna um verdadeiro deus, mas ainda assim é vitima de sua própria arrogância. Os méritos do roteiro obviamente devem ser divididos com Mike FriedrichHá muitos recordatórios, mas isso era algo comum nos 60 e 70 (embora Chris Claremont, mantenha esse estilo até hoje.) E fechando o volume 1, uma aventura onde o Capitão Marvel enfrenta o vilão Nitro e outra dosVingadores que serve de preludio para o segundo volume.

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Se o primeiro volume era dedicado ao Capitão Marvel, este segundo é dedicado a Adam Warlock. Estes dois volumes cobrem a maxi-série lançada pela editora abril intitulada a Saga de Thanos. Algumas histórias estão ausentes, mas aqui temos as mais importantes (A Abril cortava páginas a Panini corta edições inteiras). Curiosamente o volume dois abre com Iron Man #55, que traz a primeira aparição doThanos. Poderia ter trocado de lugar com alguma das edições copiladas no volume anterior, mas pensar pra quê né?! O que também me incomondou um pouco foi a falta de uma introdução que explica-se a origem de Adam. Na segunda história ele e Gamora (é… aquela mesmo do Guardiões da galáxia) já de cara estão confrontando Magus. O vilão está ali para presenciar o exato momento em que ocorre o fato que desencadeará a transformação de seu eu do passado, e seu objetivo é fazer com que tudo ocorra de forma que Warlock se torne Magus e assim seu futuro esteja garantido. Porém, antes de ser um vilão,Magus ainda é aquele que um dia foi Warlock, e portanto um campeão da vida. Nada mais poético que esteja destinado a enfrentar o maior representante e amante da morte: Thanos.
O titã, que havia enviado Gamora para ajudar Warlock, acaba interferindo pessoalmente quando ela falha em matar Magus. É preciso prestar bem a atenção na explicação do porque Magus e Warlock co-existem.

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Na segunda metade, Thanos volta a ser o vilão e claro é explicado porque o Titã louco auxiliou Warlockcontra Magus. Pra quem está ansioso pelo segundo filme, aqui é contado a origem das Joias do Infinito. Pelo menos a primeira já que conforme os anos passaram muito coisa em torno delas foi modificado. Por exemplo Thanos possuia 5 das 6 jóias, faltando apenas a joia espiritual de Warlock. Anos mais tarde estabeleceu-se que quando 5 joias são reunidas a sexta é imediatamente invocada por elas. E também não existia a manopla do infinito… Enfim…
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Thanos reúne as jóias do infinito (que aqui são ainda chamadas de “as seis jóias espirituais”) para completar o seu plano de genocídio espacial. É quando temos os Vingadores se unindo a Warlock para o embate decisivo contra o vilão.

É um material bem filosófico. Starlin lida com temas religiosos, como suicídio, morte e ressurreição, entidades cósmicas como Kronos, Caos e Ordem, Morte… Dá pra fazer ligações entre Warlock e um certo salvador do mundo, já que o cabra da pele dourado é o campeão da vida e o mesmo se sacrifica pra deter os planos de genocídio cósmico de Thanos, para mais tarde ressuscitar. São histórias repletas de simbolismo e vale a pena dar uma pesquisada pra ter uma melhor compreensão. Ou não… Elas divertem de qualquer maneira.
Sobre os desenhos, das 15 HQs copiladas nos dois volumes apenas uma não é ilustrada pelo Starlin. Apesar disso nota-se grande diferença de um arte-finalista para outro. Narrativa dinâmica e cheia de pirações visuais como distorção de sincronia mental-temporal. 

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As vezes ele também opta por eliminar os requadros. Passando para o leitor, a sensação de que o herói pode romper com um quadro e que a ação é tão rápida que não teve nem tempo de se fragmentar e caber dentro de uma “caixa”.
Apesar da ausência de algumas histórias, essa é uma excelente oportunidade de conhecer o trabalho doStarlin, uma síntese da saga de Thanos, e são essenciais para conhecer de fato o personagem. E claro, conhecer Adam Warlock, que um dos melhores personagens da Marvel, mas acabou esquecido com o passar dos anos.

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— Beto Magnun quando criança queria se tornar membro dos Novos Titãs e dos X-men, mas com o passar dos anos, acabou se tornando uma das pessoas invisíveis das histórias do Will Eisner.