Logo após a noticia que a Disney teria adquirido a Marvel Comics, muito se falou sobre uma possível ”infantilização” de todo o processo criativo da editora em seus mais diferentes segmentos, principalmente nos quadrinhos. Logicamente, não eram comentários baseados em informações consistentes e muito menos com uma análise crítica possível para se confirmar as crescentes suspeitas.

Mais de um ano se passou desde o anúncio da aquisição e até o momento temos o que verdadeiramente se poderia esperar, mercadologicamente falando: um dos maiores conglomerados do mercado de entretenimento tem feito um processo meticuloso de expansão da mais nova cartela de personagens que tem em mãos, criando versões para gerações distintas nas mais diversas mídias e produtos licenciados. Nada mais do que normal para uma empresa que vinha crescendo muito a sua arrecadação por ano e que não tinha condições de suprir sozinha uma demanda cada vez maior. Entretanto, a verdadeira intenção desse texto é comentar sobre uma das primeiras obras criada na parceria Marvel/Disney e que vem se tornando uma grata surpresa para os apreciadores das histórias em quadrinhos e das animações.

A série The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (Os Vingadores: Os Super Heróis mais Poderosos da Terra no Brasil) é a versão animada do maior super-grupo do universo Marvel, sendo o carro chefe do novo mercado de animações das duas empresas. Porém, mesmo com a intenção de abordar uma faixa etária extensa, não temos aqui um produto descuidado que despreza a inteligência do telespectador e que desrespeita o que poderiamos chamar de “modus operandi” dos personagens ali adaptados.

 

A construção do enredo se inicia com micro-contos (mais tarde transformados em pré-episódios),  que apresentam os personagens principais até o evento maior, que realmente une o grupo e inicia a série.  A partir disso, temos as grandiosas aventuras da equipe super-heróica formada por Homem de Ferro, Thor, Hulk, Vespa, Capitão América, Gavião Arqueiro, Pantera Negra e Gigante/Homem-Formiga, que vão desde a caçada a células terroristas da H.I.D.R.A.  até o combate com as forças futuristas de Kang, trazendo um bom numero de participações especiais e ganchos para uma trama maior, definida ao final da temporada. Os conflitos de convivência também são um dos pontos fortes da animação, retratando com muita fidelidade alguns conceitos básicos dos personagens utilizados.

Com tudo isso, Os Vingadores já pode ser considerado vitorioso na sua primeira temporada. É uma obra que respeita o universo dos quadrinhos, mas ao mesmo tempo é totalmente remodelada para um novo público e a mídia a que pertence, criando assim uma aura totalmente própria que legitima o produto. Com isso, a série carrega roteiros bem trabalhados (supervisionados pelo talentoso Christopher Yost), além de um traço competente que consegue trazer grandes sequências de ação para os seus 26 episódios.

 

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.