KIMOTAAA! 

 Hoje vamos falar de um formato muito especial de HQs, que ganhou notoriedade nos ultimos dois anos graças as coleções das Editoras Salvat (Marvel), Eaglemoss (DC) e Planeta DeAgostini (Star Wars). Estou falando do formato conhecido como Graphic Novel. Como a definição exata do termo Graphic Novel (ou romance gráfico) é discutível, nesta matéria iremos abordar a definição que foi popularizada por Will Eisner.

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 Eisner foi um dos poucos artistas que melhor explorou a narrativa gráfica. Suas histórias e enquadramentos são quase peças teatrais, e devido a essa qualidade foi que Eisner usou o termo para distingui-las do formato de quadrinhos tradicional. Ele investiu em histórias mais complexas, roteiros mais romantizados, mais dramáticos, abordando sempre uma visão autobiográfica de sua infância nos becos frios e sujos de Nova York. As GN não são periódicas, porém como os filmes, podem adquirir uma seqüência, por serem histórias fechadas, são histórias mais longas, com maior desenvolvimento e por isso são escolhidos bons artistas para concebê-las graficamente. E claro possuem formato maior, maior quantidade de páginas e papel de qualidade superior.

Portanto, uma Graphic Novel:

  • Possui uma história completa;
  • Não é seriada;
  • Seu formato é maior que o quadrinho normal;
  • Possui enredo mais ambicioso;
  • A qualidade do papel também é maior;

 

Nos últimos anos o termo tem sido usado como sinônimo de Trade Paperback, as edições encadernadas em formato de livros de história seriadas em revista. Agora sabendo de tudo isso e dando uma olhada nessas coleções que hoje em dia pipocam nas bancas. Pode-se dizer que o termo Graphic Novel foi banalizado, já que maioria dos arcos reunidos nesses encadernados são mediocres e alguns até péssimos. Claro que existem exeções, mas em menor quantidade.  
 E engana-se quem acha que essas três coleções são a primeira invasão das Graphics Novels, nas bancas brasileiras. Durante o final dos anos 80 e inicio dos 90, três periodicos marcaram época em terras tupiniquins. As pioneiras Graphic Novel, Graphic Marvel (ambas da editora Abril) e Graphic Globo (Editora Globo), atendiam todos os requisitos "estabelecidos" por Einer.
Nessa época o formato diferenciado passava a mensagem de que aqueles não eram quadrinhos para crianças. Essas publicações traziam histórias diferenciadas da Marvel e DC, e ainda material europeu. Alguns ganharam republicações como A piada Mortal, American Flagg e Dr. Destino & Dr. Estranho _ Triunfo e Tormento. Outros talvez nunca mais ganhem uma versão brasileira como Frank Cappa (de Manfred Sommer), Arena (de Bruce Jones), Blueberry (de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud – 'Moebius') e Wallaye! Kleuba e Kebra na Africa (de Jean Leguay – 'Jano').

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batman-justica-digital-graphic-album-2-editora-abril-883901-MLB20439381004_102015-FA Marvel tinha a sua própria linha de Graphic Novels batizada de Marvel ONG (Original Graphic Novel). Essa linha deu origem a clássicos instântaneos como Demolidor – Amor e Guerra, Elektra Vive, X-Men_ pan-1082-001_1_O conflito de uma raça (republicado com o titulo original 'Deus ama, o homem mata'). E albuns ousados para época como Batman _ Justiça Digital
A Marvel, também costumava chamar escritores de fora do ramo das HQ, por exemplo a escritora de livros Sci-Fi, Susan K. Putney cuja a parceria com o desenhista Bernie Wrightson, rendeu o excelente Homem-Aranha _ Marandi. A Marvel, ainda tentou ressucitar o selo em 2013 com "Vingadores _ Guerra sem fim" de Warren Ellis (roteiro) e Mike McKone (arte), que não rendeu mais frutos.

 

Como já foi dito as GN, oferecem roteiros mais ousados. Dificilmente editoras que prezam pelo status QUO como Marvel e DC, aprovariam roteiros como o de "Reino do Amanhã" para suas séries regulares. Claro que nem sempre os resultados desses ousados roteiros eram bons, mas custamava-se compensar na arte. Os longos prazos dados aos artistas permitiam que os mesmos se dedicassem ao máximo. Se "Doutor Estranho _ Shamballa", tivesse saído em um mensal, talvez nunca tivessemos chances de ver o sensacional Dan Green em ação há não ser como arte-finalista. O mesmo para Bernie Wrightson, em seu apice finalizando e colorindo suas próprias páginas em "Homem-Aranha _ Marandi" e "Hulk e o Coisa".
"Homem de Ferro – CRASH" e "Batman _ Justiça digital", foram as primeiras HQs inteiramente geradas por computador. "Justiça Digital" deixou a desejar em todos quesitos, enquanto "CRASH" pode ser considerada uma das grandes histórias do Homem de Ferro.

No Brasil o sucesso das Graphic Novels da Editora Abril, fez com que a Editora Globo investisse nesse formato de publicação e em outubro de 1988 trouxe aos brasileiros as suas versões de obras que geralmente traziam histórias de fantasia e ficção científica. Algumas dessas publicações foram republicadas como a maior criação de Jim Starlin (fora da Marvel), Dreadstar (republicada pela Mythos em "A odisseia da Metamorfose"), e Excalibur, de Chris Claremont e Alan Davis que foi republicada recentemente pela Panini num encardenado reunindo 5 primeiras edições mais a GN publicada pela Globo. Assim como as coleções da Abril, a coleção da Globo também trouxe HQs que talvez nunca mais sejam publicadas no Brasil. Alguns exemplos são Elric – A Cidade dos Sonhos de Michael Moorcock, adaptado por Roy Thomas e o fantastico P. Craig Russell. Além de Samsara, a única incursão nos quadrinhos do cineasta brasileiro Guilherme de Almeida Prado (Perfume de Gardênia, Onde andará Dulce Veiga?) em parceria do pintor argentino Hector Gómez Alisio – 'Hector'. A série teve 11 publicações, chegando até setembro de 1992 com o cancelamento prematuro do selo.

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Se hoje em dia Graphic Novel, é apenas um termo usado pelas grandes editoras dizer que qualquer amotuado de meia duzia deAsterios-polyp-bookcover histórias são adultas e de boa qualidade, em vários países europeus e no Brasil ainda é um formato comum. Em 2006 a Marvel até tentou ingressar no mercado Europeu com os albuns Wolverine _ Saudade (dos franceses Jean-David Morvan e Philippe Buchet), Demolidor e Capitão América _ Dupla Morte (Dos italianos Tito Faraci e Claudio Villa), e novamente a iniciativa não teve o sucesso desejado. Há exemplos como Aãma do sueco Frederick Peeters, o velho de guerra Asterix, dos franceses Albert Uderzo e René Goscinny, e O quarto Vivente do brasileiro Luciano Salles. Embora a maioria desses autores não use o termo para definir seus trabalhos, ainda aqueles que se apoiam nisso como o selo Graphic MSP. Hoje os formatos e quantidade de páginas são muito váriados. Numa livraria pode-se encontrar de um Asterix com suas modestas 48 páginas, há um Asterios Polyp com mais de 340 páginas. Do enorme V.I.S.H.N.U., ao pequenino Pobre Marinheiro.

E é isso. Foi um post nostalgico? Diga aí nos comentários como foi sua experiência com os saudosos selos Graphic Novels, me corrija se eu tiver escrito alguma besteira ou se tiver informações adicionais.

 

Homem de Ferro _ Crash, de Mike Saenz

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Doutor Estranho _ Shamballa

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Viet-Song: Frank Cappa

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Dreadstar 

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— Beto Magnun quando criança queria se tornar membro dos Novos Titãs e dos X-men, mas com o passar dos anos, acabou se tornando uma das pessoas invisíveis das histórias do Will Eisner.