Esse ano Batman – O Cavaleiro das trevas, completa 30 anos, mas também é o ano em que a fatídica saga do Clone completa 41 anos desde sua publicação original (41 ou 40 anos… A diferença é mínima. hehe). A história do obcecado vilão Chacal é uma das mais revisitadas dos quadrinhos de super-heróis, e que 20 anos após sua publicação resultou numa das fases mais odiadas pelos leitores do escalador de paredes. Não é tão importante quanto o clássico da DC escrito e desenhado por Frank Miller, e ainda acabou ofuscada pela saga da década de 1990, mas ainda assim é um marco nos quadrinhos de super-heróis.

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O escritor Gerry Conway, com apenas 19 anos sucedeu Stan Lee na revista Amazing Spider-Man a partir da edição # 111. AmazingSpider-Man122Ele trabalhou com o Homem-Aranha entre 1972 e 1975 e quase um ano depois de sua estreia na revista apresentou aquela que pode ser considerada a história mais importante do Homem-Aranha, e pivô de todo restante da fase do escritor: A Noite em
que Gwen Stacy Morreu (The Night that Gwen Stacy Died) em The Amazing Spider-Man 121 e 122. Muitos pesquisadores americanos consideram esta história como o final da Era de Prata, e o início da chamada Era de Bronze.
Algumas das principais razões editoriais para justificar a morte de Stace, foram que o relaciomento com Peter não progredia mais, e que o próximo passo seria o casamento. Porém, Peter Parker casado pareceria mais velho, e poderia perder sua base de leitores, ainda jovens. Assassinar Gwen, além de propocionar um momento impactante manteria o status quo do personagem. Alguns meses depois Conway, acabou sendo pressionado por Stan Lee (na epoca editor) para trazer a garota de volta a vida e isso foi o ponta pé inicial para a Saga do Clone.

 

AmazingSpiderMan129Em the Amazing Spider-Man # 129, publicada em 1974 surge o vilão Chacal. Em suas primeiras aparições havia sempre o mistério envolvendo sua identidade e motivações. Para completar the Amazing Spider-Man # 129, também conta com a primeira aparição do Justiceiro. O personagem criado por Conway, John Romita e Ross Andru, não revela seu nome verdadeiro se apresentando apenas como um ex-mariner, enquanto é manipulado pelo Chacal. A partir daí o Justiceiro se tornou um coadjuvante, outras vezes vilão recorrente, nas revistas do Homem-Aranha e do Demolidor, e aos poucos sua imagem de anti-herói foi construída. Até que, na década de 1980, ganhou título próprio.
O Chacal, havia se tornado o principal vilão do Homem-Aranha, e seus planos sempre envolviam não só o Justiceiro, mas vilões da velha guarda como Dr Octopus, Cabeça de Martelo e rostos até então novos como o Tarântula original. Durante meses Conway e o desenhista Ross Andru, fizeram o Aranha passar por uma das fases mais turbulentas de sua vida onde  o herói teve de lidar com transformação de Harry Osborn no Duende Verde, impedir o casamento da Tia May com o Dr Octopus (pois é..), o surgimento de mais vilões de segunda categoria como o Homem-Urso, e quase sempre era tudo orquestrado pelo Chacal. Em meio a tantos agitos nosso herói ainda encontrou tempo para construir o grandioso Bug Aranha, mas não havia tanto tempo assim para o relacionamento com Mary Jane.

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Depois de muita enrolação finalmente em the Amazing Spider-Man #144, Conway dá início a saga do clone. Após uma breve aventura em Paris, Peter volta para os EUA e dá de cara Gwen Stacy, o que o faz questionar sua própria sanidade. A proximidade de Peter e a clone Stacy, faz com que Mary Jane seja jogada para escanteio e para piorar o Chacal volta a atacar dessa vez manipulando o Escorpião e se aliando ao Tarântula. Em meio a esse turbilhão de emoções é revelado que o Chacal era na verdade o professor Miles Warren, um personagem que surgiu junto com Gwen Stacy, em Amazing Spider-Man # 31. Warren havia se apaixonado por Gwen, e após a morte da amada, o cientista se tornou o Chacal.

No grande climax da saga, Warren revela que clonou não só Gwen Stacy, mas também Peter Parker, e o Aranha precisa derrotar seu próprio clone numa luta de vida ou morte. No final Miles Warren morre tentando desativar uma bomba depois de ser confrontado pelo clone de Gwen por seus crimes. A clone Gwen vai embora para longe numa tentativa de esquecer Peter, enquanto o mesmo tenta se reaproximar de Mary Jane. E assim encerra a passagem de Conway em The Amazing Spider-Man #149. As edições #150 e #151 serviram de epiologo e foram escritas por Archie Goodwin e Len Wein. Na edição escrita por Goodwin, Peter obtém uma confirmação do Dr. Curt Connors de que ele é o verdadeiro e quem morreu foi a “cópia”. E na edição seguinte O clone do Homem-Aranha, aparentemente morto, é jogado na chaminé de uma usina de incineração de lixo, para ser destruído.

Pelo meu ponto de vista a saga do clone parecia não estar nos planos de Coway, e ele teve que sambar para poder trazer Gwen de volta de maneira convincente. Ainda assim é um arco longe de ser ruim ainda mais para os padrões da época e sem muitas ideias absurdas do Conway (Difícil superar o Bug-Aranha). 

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Na década de 1990 veio a primeira remexida com a segunda saga do clone, que é a mais lembrada pelos leitores sendo Web-of-Spider-Man-122-coveruma das fases mais controversas do herói. De acordo com o escritor Howard Mackie o plano original era que o arco durasse apenas quatro meses, mas, graças às intervenções do departamento de marketing e de vendas, o enredo foi
esticado. E para piorar isso aconteceu quando a Marvel fazia uma dança da cadeira com seus editores (e abria falência).
Nessa muvuca que se passa 5 anos após a história original, o Chacal retorna junto do clone – que escapou vivo da chaminé e assumiu a identidade de Ben (emprestado do Tio Ben) Reilly (o nome de solteira de Tia May), enquanto o Chacal também escapou da morte e ganhou um passado ligado ao Alto Evolucionário). Mesmo com o atestado de Connors, o Chacal consegue convencer Peter Parker e Ben Reilly, de que o primeiro é o clone, e Ben, o verdadeiro Homem-Aranha. Entre 2010 e 2012, a Saga do Clone foi republicada nos EUA em ordem cronológica numa série de 11 encadernados. Obviamente a editora Abril não publicou boa parte desse conteúdo, e nem dá para condena-la… 

Tem clones pra dar e vender.

Tem clones pra dar e vender.


A saga ganhou uma nova versão entre julho de 2006 e março de 2007, dessa vez no universo Ultimate, nas revistas Ultimate Spider-Man 97 a 105. Apesar das referências a saga original, a dupla Brian M. Bendis e Mark Bagley conseguiu contar uma história inédita e bem melhor que suas antecessoras. Mas essa vou deixar para o ano que vem quando completar 11 anos. E ainda em 2009, Tom Defalco e Howard Mackie recontaram a história da maneira como havia sido planejada desde o início na minissérie Spider-Man: The Clone Saga, dividida em 6 edições e que foi publicada no Brasil em "A Teia do Homem-Aranha" #4. Apesar de não ser tão boa quanto a saga original, a minissérie de Defalco/Mackie e a versão Ultimate, provam que a ideia de trazer o clone de volta não era ruim, e que só precisava ser bem conduzida. 

Mais clones

Mais clones

— Beto Magnun quando criança queria se tornar membro dos Novos Titãs e dos X-men, mas com o passar dos anos, acabou se tornando uma das pessoas invisíveis das histórias do Will Eisner.