James Bond, o agente secreto mais famoso do mundo, nasceu nás páginas dos romances de Ian Fleming e ganhou o mundo ao receber mais de 20 adaptações para o cinema. Mas o que pouca gente sabe é que Fleming era muito relutante a adaptar suas obras para outras mídias, e foram os quadrinhos que primeiramente provaram ao escritor que tal negócio não somente era possível, como também muito rentável.

Em 1957, o jornal inglês Daily Express fez diversas ofertas para o escritor, querendo adaptar todas suas histórias para tiras de publicação regular. Fleming acreditava que não somente a adaptação falharia em manter o sentido original da história, como influenciaria em sua escrita, estragando toda sua estruturação ao imaginar novos romances. Depois de muita negociação e de algumas prévias do que se pretendia fazer, Ian Fleming aceitou e em 1958 o jornal publicou Casino Royale, com roteiros de Anthony Hern e arte de John McLusky em 138 tiras publicadas de Julho a Dezembro daquele ano.

Em seguida, foram publicadas Live and Let Die, Moonraker, Diamonds are Forever, From Russia with love e muitas outras obras, totalizando 13 romances adaptados. No ano de 1962, após o sucesso na empreitada, Ian Fleming cedeu a nova pressão e Dr. No se tornou a primeira adaptação para o cinema. As tiras, por sua vez, continuaram a ser produzidas por Hern e McLusky até 1957. Os mesmos foram substituídos por Jim  Lawrence e Yaroslav Horak, que adaptaram 26 obras até 1977 para o Daily Express, das quais muitas nunca receberam versão cinematográfica. 

No ano de 1977 a dupla criativa mudou de local, passando por vários jornais e revistas até que a série fosse encerrada em 1983, com a adaptação do romance Double Eagle. Nesses seis anos, chegaram até trabalhar para MAD fazendo sátiras do agente.

Em 1988 a editora britânica Titan Books comprou os direitos e começou suas republicações, e após muitos anos de títulos esgotados, apenas em 2009 resolveu publicar em antologias o melhor das tiras de James Bond. As antologias receberam o nome de The James Bond Omnibus, e compreendem em quatro volumes as seguintes histórias:

 

  • The James Bond Omnibus: Volume 001 (September 2009) — Casino RoyaleLive and Let DieMoonrakerDiamonds Are ForeverFrom Russia with LoveDr. NoGoldfingerRisicoFrom a View to a KillFor Your Eyes Only, and Thunderball

  • The James Bond Omnibus: Volume 002 (February 2011) — On Her Majesty's Secret ServiceYou Only Live TwiceThe Man with the Golden GunThe Living DaylightsOctopussyThe Hildebrand Rarity and The Spy Who Loved Me

  • The James Bond Omnibus: Volume 003 (March 2012) — The HarpiesRiver of DeathColonel SunThe Golden GhostFear FaceDouble Jeopardy and Star Fire

  • The James Bond Omnibus: Volume 004 (November 2012) — Trouble SpotIsle of CondorsThe League of VampiresDie With My Boots OnThe Girl MachineBeware of ButterfliesThe Nevsky NudeThe Phoenix Project and The Black Ruby Caper

Hoje em dia, é muito difícil encontrar estas antologias em qualquer livraria fora do Reino Unido. No entanto, é possível comprar pela internet, é claro. Para os fanáticos por 007, é um item indispensável, para os colecionadores de quadrinhos é um item clássico e de notoriedade, mas para os menos aficcionados talvez não agrade tanto. Apesar da bonita arte de McLusky e Horak, o quadrinho perde muita informação comparado com os filmes e os livros. No entanto, é fácil observar pelo traço e pela dinâmica, que o quadrinho foi tão influente no cinema quanto o roteiro original de Fleming, tendo servido como referência não só para storyboard quanto para  escolha dos atores.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.