O correspondente do QaQ nos EUA esteve em uma exibição da peça teatral milionária "Spider-Man – Turn Off the Dark" e conta como foi.

 

 

► Por Guido Moraes*

 

 

O centro de Manhattan (Nova York) é a casa de diversos musicais. Muitos destes, após grande sucesso, receberam adaptações para o cinema. É o caso de Chicago, Mamma Mia, O Fantasma da Ópera, entre outros. Mas alguns fizeram o caminho contrário, como O Rei Leão, Mary Poppins e Spider-Man.

Entreter o público e deixá-lo satisfeito após uma superprodução nas telonas torna-se um desafio complicadíssimo, pois além da obrigação de seguir fielmente o roteiro e a essência do personagem, é necessário também fazer efeitos especiais e cenas dramáticas tão intensas quanto às do cinema. E o maior problema é fazer justamente isso sem edição, sem a possibilidade de erro.

E por falar em erro, este espetáculo em questão, Spider-Man, cometeu vários. Acidentes e problemas com o roteiro fizeram com que o show não alcançasse o sucesso esperado e fosse reformulado. E não é que deu certo? Com as músicas todas feitas por Bono Vox e The Edge, vocalista e guitarrista da banda irlandesa U2, o espetáculo finalmente deslanchou e alcançou respeito do público e da crítica.

Bom, com tantos musicais, a Avenida Broadway e as ruas que a cortam possuem diversos teatros. Todos escondidos atrás de portas relativamente pequenas, entre milhares de lojas e outdoors que fazem da Broadway umas das avenidas mais famosas do mundo. Ao entrar, surpresa! Um enorme teatro totalmente adaptado para apresentar apenas um musical. E o da 42° rua especialmente abriga o show do aracnídeo. Os ingressos, que começam a partir de 50 dólares, se esgotam rápido, mas as vezes pagar um preço mais salgado pode te proporcionar lugares muito melhores para ver o show e trazer muitas surpresas.

O espetáculo começa com a criação de uma deusa Aracnídea, num misto de malabarismo com pano, música e luzes. Deusa esta que irá dialogar com Peter Parker durante o espetáculo, ajudando-o a criar o Homem-Aranha dentro de si. O primeiro contato entre eles acontece logo em seguida, com a música ‘Rise Above’, tema do musical.

E é aí que começa o show. Misturando pontos essenciais do quadrinho com pontos do filme, os produtores criaram uma linguagem que mistura cenários interativos, todos com traços cômicos e com hachuras, com efeitos especiais e malabarismos. A história é contada rapidamente no começo, com a escola e as cenas de bullying, o laboratório e a picada da aranha, Peter Parker e o começo de seu relacionamento com Mary Jane. Aliás, o dueto ‘No More’, com Peter cantando sobre a vontade de ser qualquer um menos ele, e Mary Jane cantando sobre estar em qualquer lugar menos ali, com seus problemas familiares, é uma das partes mais emocionantes do começo do show.

E o show, com mais de duas horas de duração, chega a um intervalo com o clímax deixado pela transformação de Norman Osborn no Duende Verde. E o personagem foi tão bem construído que o aracnídeo teve que lutar duro para que o vilão não roubasse a cena. E aí entra outra sacada genial dos produtores. Mesmo aqueles que não são fãs do aranha admiram-se com a adaptação do cenário nova-iorquino para o teatro. Os prédios e ruas mais famosas saem de trás do palco em direção a platéia, imitando a perspectiva usada nos quadrinhos durante os saltos e vôos do personagem. Estão lá o Chrylser Building (onde o Duende Verde satiricamente canta ao piano toda a semana), a Broadway, a ponte do Brooklyn, entre outras.

Paralelamente com a evolução do Homem-Aranha, ao som de ‘Bouncing on the walls’, acontece a evolução do mal, com o Duende convidando os Seis Sinistros para lhe fazer companhia aterrorizando Nova York, ao som da divertidíssima ‘A freak like me needs company’.

Tudo culmina na cena mais esperada por todos, o duelo entre os dois antagonistas. E é aí que você se sente recompensado caso tenha investido um pouco mais no ingresso. Estando na parte inferior do teatro, pode-se ver a luta aérea de baixo! Sim, os dois lutam no ar, presos por cordas e elásticos, sobre a platéia, e voam de um canto para o outro do teatro. Até as teias estão lá, e obviamente que quando lançadas em vão, caem sobre aqueles que estão assistindo.

Depois de muitos truques e efeitos, ficou para mim a sensação de estar vendo uma filmagem ao vivo. No entanto, quando o show acabou e os atores entraram no palco para os aplausos, achei que ainda havia alguma coisa. A última a entrar é Mary Jane, aplaudidíssima por sua beleza e por sua voz, e pronto! O Homem-Aranha desce de ponta cabeça, com a máscara pela metade, para beijá-la, na cena imortalizada pelo primeiro filme do personagem. Pronto, agora o show estava completo.

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*O conteúdo deste post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...