Um dos maiores eventos de quadrinhos do mundo, o Festival de Angoulême é considerado por muitos o melhor e mais democrático. Este ano foi realizada a 38ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que teve no dia 31/01/2011 a divulgação da lista com os ganhadores dos prêmios.

Então vamos ao que interessa:

 

O Prêmio de Melhor Álbum foi para Cinq mille kilomètres par seconde, de Manuele Fior (Atrabile).
 
 
O álbum do autor italiano, trata de uma história de amor entre Pietro e Lúcia que se encontram em diferentes momentos de suas vidas a cinco mil quilômetros por segundo (como diz o título). É o amor idealizado pela distância e iludido pelo tempo. 
 
O Prêmio do "Público" foi para Le Bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh (Glénat).
 
 
Este livro conta a história de Clementine e como sua vida muda quando ela conhece Emma, uma jovem de cabelos azuis, que lhe apresenta uma outra forma de enxergar o desejo.
 
O Prêmio Especial do Júri foi para Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (Casterman).
 
 
 
Era o grande favorito, mas não levou e volta para casa com o prêmio de "consolação". Uma ambiciosa novela gráfica com uma estética visual modernista, para quem consegue pensar além do bidimensional, com imagens construídas de forma enlouquecedora e sufocante.
 
O Prêmio de Melhor Série foi para Il était une fois en France #4, de Sylvain Vallée e Fabien Nury (Glénat)
 

 

Esse prêmio já era esperado. Os números anteriores da série ganharam inúmeros prêmios na terra de Flaubert.
Joseph Joanovici é o personagem principal deste quadrinho, e a história narra como ele, um judeu romeno, desembarcou em Paris dos anos 20 e fez sua fortuna com a recuperação de metais e que ajuda as forças de ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial.

 

 
O Prêmio ActuaBD, do Conselho geral dos jovens de Charente foi para o terceiro volume de Freaks' Squeele de Florent Maudoux's (Ankama).
 
 
Uma HQ que conta com situações improváveis envolvendo acusações de policiais, monstros à solta, magia e uma equipe de super-heróis na universidade.





O Prêmio Intergerações foi para Pluto, de Naoki Urasawa e Osamu Tezuka (Kana)
 
 
Baseada na série Astro Boy de Tezuka, tem como personagem principal Gesicht, um detetive robô que tenta desvendar uma série de assassinatos de robôs e humanos. Urasawa reinterpreta a história como um suspense policial. 
 
O Prêmio Olhares Sobre o Mundo foi para Gaza 1956 – En marge de l'histoire, de Joe Sacco (Futuropolis).
 
 
Essa edição já foi lançada no Brasil pela editora Cia. das letras no seu selo Quadrinhos na Cia.  É impossível negar a qualidade do trabalho de Sacco e portanto é um prêmio justo, porém pego emprestada as palavras do amigo Pedro Bouça: "eu gostaria de ver o autor falar de alguma outra guerra – QUALQUER OUTRA GUERRA – como fez nos seus álbuns sobre a Bósnia", pois o conflito árabe-israelense com o perdão do trocadilho, já encheu o "sacco".
 
O Prêmio da Audácia vai para Les Noceurs, de Brecht Evens (Actes Sud)
 
 
Esse é um quadrinho obscuro e portanto não posso falar muito. É uma obra holandesa e tem como pano de fundo três noites evolvendo homens, mulheres, maquiagens, bebidas…
 
Dois álbuns, ambos escritos por mulheres ganharam o Prêmio Revelação: La Parenthèse, de Élodie Durand (Delcourt) e Trop n'est pas assez, de Ulli Lust (Çà et là)
 
 
La Parenthèse conta a história de uma menina de 20 e poucos anos, que passa por um drama em sua vida que parece não haver retorno. Uma história sobre adversidade e superação.
La Parenthèse já tinha sido premiado pelo jornal Libération! 

 

 

 
Em Trop n'est pas assez, duas jovens punks austríacas, no verão de 27 anos atrás, decidem passar algumas semanas na Itália sem documentos de identidade, apenas com seus sacos de dormir e suas roupas que carregam em suas costas. A viagem vai durar dois meses e os personagens vão passar de Verona a Viena – Roma a Nápoles… É um relato autobiográfico, de uma viagem que acabou se tornando um pesadelo, com as duas mulheres enfrentando violência sexual constante, cafetões italianos, mafiosos sicilianos, até o fim da viagem. Foi publicada originalmente em Outubro de 2009 na Alemanha.
A obra já tinha sido agraciada com o prêmio Artemísia

O Prêmio do Patrimônio foi para Bab El Mandeb, de Micheluzzi (Mosquito).

 

 

 
Obra do italiano Attilio Micheluzzi (1930-1990), trata num contexto de tensões geopolíticas em torno do Canal de Suez no ano de 1935, como o destino vai juntar quatro personagens numa história que vai envolver amor, dinheiro, ideal político e uma grande aventura para tentar garantir o fornecimento de armas na Abissínia.
 
O Prêmio Juvenil foi para Les Chronokids #3, de Stan & Vince e Zep (Glénat).
 
 
Este prêmio já foi notificado neste blog, e pode ser visto no link abaixo:
 
O Grande Prêmio (Grand Prix) para o conjunto da obra foi para Art Spiegelman, mundialmente famoso por ser o autor de Maus, revista que ganhou o prêmio Pulitzer em 1992.
Com isso, Spiegelman vai substituir Baru (Hervé Baruela), como presidente do Festival em 2012.
 
 
A relação completa dos indicados ao prêmio, pode ser vista no site do evento, o BDangouleme.
 
 
Cartaz do Festival de Angoulême 2011.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...