Depois de ter recebido uma resposta muito positiva do público na minha coluna de estreia na Quadro a Quadro, comentando o lançamento de Super Onze da JBC, cá estou eu, para falar de outro lançamento da editora paulistana, dessa vez, o tão aguardado mangá de Naoko Takeuchi: Sailor Moon.

589508

Bom, pra começo de conversa, a ideia de tratar sobre o mangá nesta coluna veio à tona depois da editora JBC ter liberado o primeiro episódio do Diário de Sailor Moon cuja proposta é uma série de vídeos mensais mostrando os bastidores da publicação do mangá no Brasil. Quem puder e quiser, recomendo dar uma conferida no vídeo, ele é bastante esclarecedor e revela parte da dificuldade que existe em se publicar mangás no país, seja pela exigência das editoras e também dos autores. Um assunto que pretendo abordar em uma coluna futura, mas hoje vou me ater a falar das minhas expectativas em relação à chegada do mangá de Sailor Moon ao Brasil.

Vejamos, a primeira vez em que tive contato consciente com as guerreiras de uniforme escolar faz bastante tempo, o suficiente pra eu ter me esquecido o nome de quase todas as personagens da série, bem como os golpes mágicos que elas usavam para chutar a bunda dos vilões em cada episódio. Tá bom. É tudo mentira minha… Eu me lembro de um montão de coisas e detalhes inúteis, inclusive, de uma história muito boba da época em que assistia ao anime no Cartoon Network.

Quando eu era moleque (na verdade, adolescente) eu curtia assistir Sakura Card Captors e Sailor Moon, que por sinal eram exibidos juntos no canal sempre das 16:00 às 17:00 – sim, eu me lembro do horário –, mas naquela época eu sofria pra conseguir assistir ambas as séries em paz, pois o meu irmão mais velho viva me atazanando o juízo por eu gostar delas e serem em sua essência obras direcionadas ao público feminino. Me recordo de ter visto muitos episódios às escondidas, bem como perdi muitos deles por ter tido vergonha de assisti-los.

601196

Brincadeiras à parte. Fiz esse resgate do passado para ilustrar uma situação muito comum e que ocorre bastante na transição da infância ou adolescência pra fase adulta: a perda de interesse por determinadas coisas. Neste caso em especifico os quadrinhos japoneses como, Sailor Moon, que na minha humilde opinião é um material datado e que foi sucesso real no seu tempo de publicação, onde o meio editorial não tinha tantas obras semelhantes ou até melhores do que ela publicadas. Antes de escrever esta coluna me prestei a conferir mais uma vez, depois de tantos anos, o primeiro episódio do anime de Sailor Moon. E tenho de confessar, não consegui assistir nem dez minutos…

Ficou claro para mim na tentativa frustrada de revisitar o universo de Serena e companhia que ele já não é mais tão atrativo se colocado lado a lado com outros que visitei ao longo da minha vida de leitor e telespectador de mangá e anime. Algo semelhante me aconteceu, quando experimentei ler o mangá de Cavaleiros do Zodíaco outra obra que acredito ter perdido muito do seu encanto com o passar dos anos.

Reconheço que a minha tentativa frustrada se deu ao rever a versão animada de Sailor Moon e que o que está para chegar aqui no Brasil e sua versão em quadrinhos, ou seja, o material original que deu vida as diversas adaptações midiáticas que carregam o nome da obra, de Naoko Takeuchi. Porém, ainda sigo no mesmo raciocínio de que determinados produtos culturais são mais, ou menos impactantes a depender do tempo em que surgem para o público. Com isso não quero dizer que não pretendo ler uma vez se quer Sailor Moon e que ele está fadado ao fracasso, só acho que ele está chegando um pouco tarde. 

— Pedro é formado em jornalismo, mas nunca chegou perto de trabalhar na área, pois não gosta de sofrer com pressão e prazos apertados. Também não é muito fã de escrever, na verdade, acredita que não tem o mínimo talento para tal. Mas com o apoio dos amigos e de seus raros momentos de confiança, ele expõe no site um pouco do que pensa sobre: quadrinhos japoneses, games e cinema.