Em tempos de Rock in Rio… o Blues tem um filho, chamado Rock'n Roll.
Essa frase sintetiza tudo!
Aprendi a curtir Rock, influenciado pelo Clóvis, um dos meus irmãos mais velhos. Morávamos no Rio de Janeiro, e ele fazia bailes nas casas dos amigos com uma boa coleção de discos. O mano Cló sempre teve um ótimo gosto para música e descobriu raridades garimpando dezenas de lojas de discos do Rio a Natal (RN). Ele curtia de MPB ao Rock, passando por Música Regional, Forró, Jazz, Rock pauleira, Progressivo e claro, Soul. Assim, cresci ouvindo uma verdadeira salada russa musical: Raul Seixas, Led Zeppelin, Pink Floyd, Lula Côrtes, Gonzagão, Gonzaguinha, Tim Maia, James Brown, Elis, Zé Ramalho, Alceu, Black Sabbath, AC/DC, Elba, Amelinha, Banda de Pau e Corda, Coisas Nossas, Quinteto Violado, Boca Livre, Elton John, Beatles, Rolling Stones.

Eu não sabia que algumas das belas e pesadas canções do Led Zeppelin haviam sido compostas por blueseiros como Willie Dixon e Memphis Minnie. Minha paixão pelo Blues começou quando meu grande amigo Marcatti me apresentou em vinil, o som de Muddy Waters e Johnny Winter.

Em 2009 fui pra Belo Horizonte a convite de Afonso Andrade, representante da Fundação Municipal de Cultura de BH e um dos organizadores do Festival Internacional de Quadrinhos, o FIQ. Confira aqui.

A idéia dessa exposição havia surgido há 2 anos atrás, no quinto FIQ, quando o Afonso e Roberto Ribeiro viram o pôster de caricas de Blueseiros no Birazine. Lá estavam os consagrados Robert Johnson, Blind Boy Fuller, Bessie Smith, Memphis Minnie, Leadbelly, ‘Ma Rainey, Barbecue Bob, Sonny Boy Williamson I e II, Willie Dixon, Blind Blake, Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell, Lerroy Carr, entre outros.
Pois foi o quadrinhista Marcatti (também morador do Tatuapé na década de 80), que me apresentou McKinley Morganfield (vulgo Muddy Waters), que fez a cabeça de uma criança chamada Johnny Winter, que o levou pra gravar discos depois de tirá-lo da gravadora onde (pasmem!) ele pintava paredes depois que a venda de seus discos caíram.
Ele me contava essas histórias, entre goles de Ypioca e páginas de HQs e revistas “Udigrudi”, impressas numa Rex Rotary de mesa.
Marcatti toca gaita, violão e guitarra slide. Teve algumas bandas de Blues. Gatos Pardos (com Fátima Pires, sua mulher e ótima tecladista, Márcio Baraldi no Baixo e Magrão na bateria) e Easy Blues (com Herbert Perez e Marcelo Velehov nos violões).
Daí a minha paixão só aumentou. Mudei pra Campinas, casei com a Claudia Carezzato (minha parceira de cama, mesa, banho, Quadrinhos e karaokê). Eu já tinha umas dezenas de discos de Blues, que ouvia sem parar no Bar. A Clau tinha um violão. Certa vez, chegou em casa e eu estava com um chapéu na cabeça tentando tocar “Come on in my kitchen” de Robert Johnson. Ela riu muito e disse que não bastava o chapéu e um copo pra fazer aquele som. Ela me deu uma guitarra de presente e sugeriu que eu fosse atrás de um curso. Mas eu não tinha talento pra coisa. Um ano e meio depois ela sugeriu que eu abandonasse a elétrica Piri Som vermelha (rs). Nós abrimos a Videoverso, uma vídeo-locadora&bar.

Lá, de tanto ouvir Blues, comecei a fazer caricaturas a partir das fotos das capas dos discos, agora, centenas. Lá fiz uma exposição com essas caricas. Anos depois, comprei uma gaita diatônica “C” Marine Band Hohner, folheada a ouro, comemorativa dos 200 anos da marinha alemã. Passados alguns meses soprando/atrapalhando os colegas de trabalho e até reuniões de diretoria no Sinergia, em Campinas, comecei a tirar “de ouvido” blues, baiões, forrós, clássicas e chorinhos, como tenho tocado em eventos como Troféu Ângelo Agostini, FIQ e HQMIX.
Era o “meu” instrumento!
Muitos anos depois, expus estas caricaturas Blueseiras na Casa de Cultura Tainá na V. Manoel da Nóbrega, em Campinas, onde toquei gaita na Jam Session “Noite de Blues”, com a ótima banda Song Brothers do Márcio Rocha, e com meu amigo, o designer Airton (Território de Criação), que tocou percussão.
Alguns destes trabalhos podem ser vistos aqui e aqui

 

BLUES

Segundo a Wikipedia, "Blues é uma forma musical vocal e/ou instrumental que se fundamenta no uso de notas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, com fins expressivos, evitando notas da escala maior, utilizando sempre uma estrutura repetitiva. Nos Estados Unidos surgiu a partir dos cantos de fé religiosa, chamadas spirituals e de outras formas similares, como os cânticos, gritos e canções de trabalho, cantados pelas comunidades dos escravos libertos, com forte raiz estilística na África Ocidental. Suas letras, muitas vezes, incluíam sutis sugestões ou protestos contra a escravidão ou formas de escapar dela.
O blues tem exercido grande influência na música popular ocidental, definindo e influenciando o surgimento da maioria dos estilos musicais como o jazz, rhythm and blues, rock and roll e música country, além de ska-rocksteady, soul music e influenciando também na música pop convencional e até na música clássica moderna."

SOBRE A EXPO EM BH "MESTRES DO SOUL E DO BLUES" NO FIQ, clique aqui e aqui. "Até 11 de março, o ilustrador Bira Dantas mostra seus trabalhos no Centro Cultural Venda Nova. A exposição Eu soul 

black reúne caricaturas de estrelas internacionais, como James Brown e Aretha Franklin, e de representantes da legítima “música preta brasileira”, como Tim Maia. Os desenhos surgiram quando Bira conheceu os projetos Quarteirão do soul, no Centro da capital mineira, e Soul da Serra, promovido no Centro Cultural Vila Marçola, no Aglomerado da Serra. Ele visitou esses locais, fez caricaturas de seus frequentadores e decidiu transformar sua paixão em exposição."

VOLTANDO AO ROCK

Falando de Rock, Edson Franco conta duas historinhas interessantes:

"Morto aos 74 anos, Ernie Ball foi um guitarrista mediano que tocava em bandas de country music. Cansado de sujeitar o seu estilo
às cordas que havia no mercado, resolveu, em 1960, lançar as Slinkys. Em pouco tempo, o criador foi eclipsado pela criatura. Só para dar uma idéia, a partir de meados dos anos 60, Eric Clapton, Jimi Hendrix e Jeff Beck só colocavam as mãos nos braços de uma guitarra se ali estivessem esticadas cordas Ernie Ball.
Os blueseiros devem lamentar mais ainda a despedida de Don Leslie. Ele tinha 93 anos. Todo mundo que já se encantou com o som envolvente do órgão Hammond B3 deve esse prazer a uma invenção desse cara. Por volta de 1940, ele deu à luz seu primeiro sistema de alto-falante rotatório. E é isso que provoca aquele suave tremular característico dos B3. O engraçado é que, no início, a Hammond não havia aprovado essa invenção que os músicos adoravam. Tanto é que, até ser vendida para a CBS, a empresa jamais fez anúncio associando os seus órgãos ao sistema Leslie."

EXPO ROQUEIRA EM CAMPINAS

Veja aqui.

Neste mês, acontecerá mais uma edição do Rock in Rio. Celebrando o evento, a Pandora Escola de Arte, em parceria com o Campinas Shopping (Campinas/SP), abriu uma exposição sobre o evento musical. O objetivo da exposição Rock in Rio é relembrar os momentos mais marcantes do festival e até mesmo sugerir uma releitura do evento, por meio da expressão artística de alunos, professores e convidados da escola.
Os desenhos expostos – criados em diferentes técnicas e estilos – apresentam HQs, caricatura, ilustrações e outros tipos de artes gráficas.

Alguns dos artistas que participam da mostra são: Mario Cau, Fabiano Carriero, Eduardo Ferigato, Caio Yo, Bira Dantas, Vitor Gorino, J Igor Vencys Lao, David Ramos, Jesus Couto, Rafael Ghiraldeli e Jânio Garcia. A exposição estará no Campinas Shopping até o próximo dia 10 de outubro."

— Como o Bira falhou na tentativa de virar herói, publica seu Tatu-man nos jornais Correio Popular e Graphiq. Faz parte do Coletivo Quarto Mundo e da AQC (Associacao de Quadrinhistas e Caricaturistas) SP. Toca gaita nas horas vagas, em eventos quadrinhisticos ou quando nao esta arrancando cabelo ( e tem muito) com os prazos apertados. Deve se mandar pra Coreia do Sul, pra falar do mercado dos Quadrinhos brasileiros, que acredita, nao esta desmoronando.