Vert_50A revista Vertigo chega a histórica edição 50, com a publicação dos números 54 a 57 de Escalpo. O final da série, de 60 números, deve estar presente na edição 51 da Vertigo (em março), e assim a Panini deve encerrar a publicação de sua revista mensal mais elogiada, como alguns blogs já vem especulando. 

O fato é que entre erros e acertos, durante estes mais de quatro anos, Escalpo foi o carro chefe da revista. A série mais regular, sempre nivelada por cima, era a que melhor representava o ideal da revista de trazer publicações novas e relevantes. Por um bom tempo os editores conseguiram se virar para apresentar títulos adequados, substituindo coerentemente as séries que se encerravam, mas o que viria após Escalpo? Foi a publicação de Sweet Tooth e O Inescrito na forma de encadernados que mostrou que o futuro da revista realmente poderia estar com os dias contados, já que as duas séries poderiam ser incluídas facilmente no mix quanto a sua qualidade e longevidade.

Entre debates e mais debates sobre encadernados e revistas mensais, acredito que a Panini foi quem mais acertou entre as editoras da Vertigo no Brasil. Publicou séries clássicas completas em encadernados luxuosos, atendeu a anseios antigos do público e republicou títulos esgotados. Cada um tem suas preferências, quais séries gostaria de ter em encadernados luxuosos, econômicos ou revistas.

O fato é que a prática comum de pular algumas histórias de um mix, devido a baixa qualidade das mesmas comparadamente com as outras, nunca acontecia comigo na Vertigo. Mesmo que Escalpo fosse tecnicamente melhor, as outras histórias também eram relativamente divertidas. Me fazia ter um tempo para digerir minhas séries preferidas, pensar sobre elas e esperar o próximo mês. Me fazia pular outras leituras quando a revista chegava, mesmo que estas fossem encadernados de Fábulas e 100 Balas, por exemplo. É difícil de explicar, mas a revista conseguia me guiar por uma viagem por vários mundos da Vertigo, um pouco de cada vez, ao invés da imersão total em apenas um deles. Não que eu não goste dos encadernados, o fato é que gosto de todos os tipos de publicação e me tornarei órfão da revista, caso seu cancelamento venha a ser confirmado.

De qualquer forma, para comemorar as 50 edições, vamos recordar as obras publicadas:

Escalpo – de Jason Aaron e R.M. Guéra

A série conta a saga de Dashiell Cavalo Ruim, um índio Lakota que volta a sua reserva natal como agente infiltrado, vert_scalppara conseguir a condenação do chefão Corvo Vermelho. Roteiro primoroso, capaz de apresentar uma trama toda intrincada e complexa como pano de fundo, involvendo assassinatos, conspirações e traições. A arte do sérvio R.M. Guéra deixa a obra ainda mais visceral. Bom pra quem gosta das velhas tramas de gangsters americanos, atualizada para os dias atuais nas situações reais das reservas indígenas americanas, com suas vantagens fiscais para cassinos, polícia própria e leis próprias. 

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Publicada desde o número 1 da revista Vertigo. Em Andamento.

Hellblazer – Vários autores

vert_hellbA série mais longíqua do selo Vertigo nos Estados Unidos já foi publicada no Brasil de várias maneiras diferentes. A Panini apostou em publicar mensalmente no mix, publicar encadernados com arcos inéditos no Brasil e encadernados contando cronológicamente as histórias clássicas do ocultista inglês. O material da revista não é o melhor, com muitos altos e baixos, mas alguns arcos são bem divertidos. Destaque para a fase de Mike Carey.

Publicada desde o número 1 da revista Vertigo. Em Andamento.

Tessalíada – Bill Willingham e Shawn McManus

A mini-série, baseada no universo do Sonhar, possui apenas quatro edições e aborda vert_thessaum pouco mais da personagem Thessaly, a interessante bruxa que aparece no arco Um jogo de você da série original de Sandman. Divertida, mas longe de trazer um algo mais como a série que a inspirou.

Publicada entre os números 1 e 4 da revista.

Lugar Nenhum – Neil Gaiman, Mike Carey e Glenn Fabry

vert_neverA mini-série de 9 partes, baseada no romance de Neil Gaiman e adaptada por Mike Carey e Glenn Fabry esteve longe ser um sucesso de crítica. Os fãs de Gaiman julgam-na como mais uma de suas obras medianas pós-Sandman, mas eu pessoalmente acho a das mais divertidas. Tanto o livro quanto a HQ são recheados de conceitos interessantes e diálogos memoráveis, como por exemplo os que permeiam a relação dos sádicos Sr. Croup e Sr. Vandemar. 

O roteiro trata da história de Richard Mayhew, um medíocre londrino que descobre a existência do mundo mágico conhecido como a Londres de baixo.

Publicada entre os números 1 e 9 da revista.

Vikings – Brian Wood e desenhistas diferentes

A proposta de Vikings era contar histórias com esta temática em diferentes vert_viképocas, mas as que foram publicadas por aqui não passaram de apresentar alguns poucos personagens interessantes. As tramas não se aprofundavam muito, não traziam nada mais que diversão superficial e acabaram não caindo no gosto do público.

Publicada entre os números 1 e 20 da revista.

Casa dos Mistérios – Matthew Sturges e Bill Willingham

vert_houseSérie de terror repaginada, conta sobre uma casa situada entre mundos, e que acolhe viajantes que pagam sua estadia contando histórias. Além disso, alguns personagens que ali chegam nunca são capazes de sair, sendo Fig a personagem principal. Entre as histórias curtas apresentadas em cada edição (das quais as maioria foram entediantes) e a complexa trama de Fig, a série apresentou muitos altos e baixos. Houveram momentos em que era minha segunda série preferida do mix, como houveram momentos em que era uma das últimas. Falta ritmo e falta constância, além de uma ideia melhor de como tudo será no final. 

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São 42 edições, publicadas desde o número 5 da revista e ainda em andamento. A série substituiu Tessalíada no Mix.

Vampiro Americano – Scott Snyder, Stephen King e Rafael Albuquerque

A série que apresenta um novo conceito de vampiros, desde os tempos do velho oeste americano, passando pelo período vert_vampde guerras até os dias de hoje, revelou e elevou o escritor Scott Snyder e o desenhista Rafael Albuquerque a um patamar diferenciado no mercado americano. Tanto é que Snyder acabou assumindo diversos outros títulos da DC, o que acabou prejudicando a continuidade da série. Com uma trama principal e diversas histórias paralelas, a série foi publicada em revista, em encadernados que compilavam as revistas e encadernados que traziam as histórias extras. Como ainda não foi concluída nos EUA, fica a dúvida de como a Panini abordará a série a partir de agora. Continuará trazendo tudo o que foi publicado? Outra aposta lá fora com o tema é a publicação de antologias, que incluíram mutios outros autores, como o clássico Ivo Milazzo, desenhista de Ken Parker, por exemplo.

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Publicado desde o número 10 da revista e ainda em andamento. A série substituiu Lugar Nenhum.

Joe, O Bárbaro – Grant Morrison e Sean Murphy

vert_joeA saga de um menino com diabetes em busca de seu remédio é contada permeadamente pelos delírios provocados por sua doença, que o fazem imaginar um mundo de fantasias onde tem que lutar por sua própria vida. No entanto, o roteiro algumas vezes se torna repetitivo, e por isso esta é a típica série que gostei de ler mensalmente (e não de uma vez só em encadernado). Apesar da boa premissa, da narrativa interessante  e das boas doses de aventura, quando se trata de Grant Morrison sempre esperamos uma dose a mais de complexidade. Para mim, o ponto de maior destaque é a arte de Sean Gordon Murphy, que com certeza faz a leitura valer a pena.

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Mini-série em 8 edições publicada entre os números 21 e 28 da revista. Substituiu Vikings.

O Homem do Espaço – Brian Azzarello e Eduardo Risso

A ficção científica conta a relação entre Orson, um humano geneticamente modificado para viver em outro planeta, e Tara, vert_spacea órfã protagonista de um reality show. A série é difícil de ler, pois a linguagem utilizada por Orson e seus outros colegas modificados é crua, cavernosa e intrincada. Por esse motivo, é um dos poucos títulos da revista que gostaria de ter lido de uma vez só, publicado em encadernado. No fim das contas, fica o sentimento de que não é um dos melhores trabalhos dos autores, muito longe de 100 Balas, por exemplo. Mas é uma boa mini-série e vale a leitura.

Mini-série em 9 edições publicada entre os números 29 e 37 da revista. Substituiu Joe, O Bárbaro.

Punk Rock Jesus – Sean Murphy

vert_punk rocUma produtora de TV decide fazer um reality show onde será concebido um clone de ninguém mais ninguém menos que Jesus Cristo. Será que o clone é real, será que o menino será o novo escolhido capaz de reproduzir milagres? São perguntas que surgem desde a primeira edição, ao passo que nos sentimos incomodados também com a forma que a população reage a tudo isto na história. No entanto, o menino parece não ter os mesmos planos que aqueles que traçaram seu futuro, e apresenta um comportamento muito mais próximo de um Justin Bieber do que de um Messias. A saga é interessantíssima, a arte de Sean Murphy continua espetacular, apesar de estar abaixo de Joe, O Bárbaro pela falta de colorização (que aqui realmente teria tornado tudo mais impressionante). Como ressalva, o final fraco. Sinceramente, já reli mais de uma vez e nunca me lembro do que aconteceu para comentar com outros leitores. Sim, o final é realmente fraco. Mas não é ruim e nem decepcionante, senão eu teria me lembrado. 

Mini-série em 6 edições publicada entre os números 40 e 45 da revista. Substituiu O Homem do Espaço.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.