Por sugestão do amigo Lucas Pimenta, comprei o gibi Revelações, de Paul Jenkins e Humberto Ramos (2008 – Devir Livraria – R$ 42,00).

Antes que eu seja ameaçado de morte gostaria de dizer que o gibi é muito bom. Bem acima da média e – mesmo com um preço tão salgado – vale a pena o investimento.

Dito isto, vamos a história.

O Cardeal Richleau, primeiro na linha de sucessão papal, aparentemente se joga de sua janela e acaba empalado nas grades do pátio andares abaixo. Um escândalo sem precedentes no Vaticano. Um de seus amigos – o também cardeal Marcel Leclair – resolve descobrir a verdade e viaja até Londres para cooptar um velho amigo, o detetive Charlie Northern.

Charlie outrora teve muita fé. Infelizmente seu relacionamento com Deus acabou no exato momento em que seus pais foram trucidados por um esquizofrênico.

Chegando ao Vaticano nosso cético herói descobrirá que o aparente suicídio pode ser bem mais do que querem fazê-lo crer. Depoimentos desencontrados, evidências desaparecidas, a cena do crime alterada e uma grande pedra em seu sapato: o misterioso e dissimulado Cardeal Toscianni.

Como pano de fundo, um papa moribundo à frente de um Vaticano envolvido em acusações de corrupção.

Sem dúvida alguma ingredientes suficientes para uma boa história, ainda mais nas mãos do competente Paul Jenkins e do genial desenhista mexicano Humberto Ramos.

O problema é que Revelações não revela absolutamente nada de novo. Tinha tudo para ser um gibi memorável, mas não decola.

A culpa definitivamente não é dos autores. Jenkis amarrou bem sua história, com elementos de suspense que vão pouco a pouco sendo revelados. Suas personagens são interessantes e a tensão psicológica criada entre o detetive Northern e o Cardeal Toscianni é o ponto alto do gibi.

Mas a intencionalidade em se criar uma trama complexa cobrou seu preço. E ele não foi barato, mesmo sendo Jenkins um roteirista acima da média.

A relação entre o falecido Cardeal Richleau e o detetive Northern não é totalmente esclarecida e esse ponto, alardeado no começo da história com uma precisão narrativa incrível, incomoda pela falta de explicações.

A seita milenar a qual o Cardeal Toscianni pertence – e que tem papel prepoderante na trama – não diz a que veio e a impressão que fica é que foi colocada na história apenas como uma pista falsa. Pela importância narrativa que tem, uma pista falsa é muito pouco.

Outro exagero é a gratuidade do escândalo financeiro envolvendo o Vaticano. Nada traz de útil à história e seria facilmente dispensável.

O final quase conserta os erros. Digo quase porque perdeu-se tempo demais em um sem número de pontas soltas e amarrá-las todas em um único capitúlo – num gibi que possui outros cinco – pareceu-me apressado demais.

Ainda assim, Reveleções é um gibi muito melhor do que a maioria das coisas que vem sendo publicadas no mercado norte americano. Vale os quarenta contos que cobra? Vale, sem dúvida. Ainda mais porque a história – repito – é bem amarrada e equilibra bons momentos de ação com tensão psicológica.

E tem a majestosa arte de Humberto Ramos, o que, por si só, já vale cada real. Se for numa promoção então, não pense duas vezes.

— morreu num acidente inexplicável na Serra da Cantareira. Antes que seus familiares percebessem, já havia virado um Zumbi. Para aplacar sua fome por cérebros humanos, passa as noites escrevendo no Gibi Rasgado. Seus amigos, com medo de seu apetite insaciável, o convidaram também para escrever no Quadro a Quadro. No momento ele está sob controle.