Há exatos 26 anos, Bob Geldof organizava o Live Aid, um show beneficente que foi realizado simultaneamente em Londres e na Filadelfia visando o fim da fome na Etiópia. Bandas como Black Sabbath, Queen, The Who, Led Zeppelin e muitos outros ícones do rock abriram os olhos do mundo para o problema mundial chamado fome. A partir daí, foi instaurado que o dia 13 de julho seria o dia mundial do rock, um dia para enaltecer essa vertente musical que continua marcando toda uma geração de jovens.

E como não poderia deixar passar em branco, o Quadro a Quadro faz uma pequena homenagem ao rock’n’roll, relembrando alguns quadrinhos cuja parceria com o rock foi muito mais do que agradável.

1- Acredito que quando relacionamos Quadrinhos e Rock, a primeira coisa que vem a mente é o tão polêmico quadrinho do KISS, publicada pela Marvel Comics em 1977. Escritas por Steve Gerber, as histórias foram desenhadas por Sal Buscema, Al Milgrom, Alan Weiss, John Buscema e Rich Buckler, a edição vendeu 400 mil exemplares e ganhou notoriedade por apresentar uma história bem exentrica: os integrantes da banda misturaram o próprio sangue na tinta vermelha de impressão da revista. Com isso, ganharam fama de satanistas a ponto de serem conhecidos como “Kids In Service of Satan” (Garotos a Serviço de Satan). Em 1996, quando a banda voltou a formação original e gravaram o álbum Psycho Circus, A Image Comics lançou uma série – cujo título era o mesmo do disco – que trazia a banda como seres sobrenaturais ligadas a vida circense.

2- Nas terras tupiniquins, os jovens Rafael Albuquerque, Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros publicaram de forma independente Powertrio, Overdose, Cabaret e Encore em 2008.A Onipress gostou do material e publicou lá nos Estados Unidos uma edição com os quatro volumes reunidos. Alguns meses depois a Devir lançou o encadernado aqui no Brasil.A história é uma leitura da trindade tão famosa: Sexo, Drogas e Rock’nRoll.

3- Um dos especiais da série Preacher é "A Historia de Você-sabe-quem", que conta a história de como o jovem Roots tornou-se a figura pitoresca que é na série. O título de cada parte deste especial remetem a clássicos do universo grunge e vai mostrando a relação do protagonista com o alcoolismo do pai, a veneração pelo ícone grunge Kurt Cobain e a tentativa frustrada de suicídio. Agora o momento curioso: uma história muito parecida aconteceu. James Vance, fã do Judas Priest, junto de seu amigo Ray Belknap, resolveram se matar com uma espingarda. Ray Belknap, se matou, e James Vance ficou deformado e morreu três anos depois por overdose. As famílias das vítimas resolveram abrir um processo contra a banda, dizendo que uma de suas músicas continham mensagens subliminares que influenciaram os jovens a se matar. Não consegui apurar quando isso ocorreu, mas acredito que Garth Ennis se inspirou nesse caso para criar o personagem.

4- Em 1997, Mike Alllred lança Red Rocket 7, uma história que é um verdadeiro tratado de amor à história do rock. Nela conferimos a saga de um alienígena que cai na Terra e passa a interagir em grandes momentos do rock. Recheadas de referência também a cultura pop, RR7 traz uma série de sequências surreais, muitas vezes confusa, tornando-se o charme da leitura, pois, o que mais há na história do rock é confusão.

5- No inicio da década de 90, Neil Gaiman vivia o auge do sucesso com Sandman. Enquanto produzia a saga de Morpheus como o habitual, trabalhava em outros álbuns, como Sinal e Ruido com o Dave McKean e na produção dos seus contos. Em um belo dia de 94, é convidado por um fã para a elaboração de um álbum conceitual. O fã em questão era ninguém menos que Alice Cooper e o resultado desta parceria é o belíssimo The Last Temptation, publicado em três edições pela Marvel Comics. A primeira edição vinha junto com o disco homonimo. A história conta o drama do jovem Steven em aceitar as tentadoras propostas do Showman (um diretor de circo) de ingressar no misterioso “The Theatre Of The Real – The Grand-est Guignol”, no qual ele nunca cresceria.

E claro que há muitas outras obras que trazem o rock como tema central, seja na concepção, na tradução de músicas para a arte-sequencial, seja nas referências ou parcerias, enfim, o texto seria enorme. 

Então é isso, o Live Aid foi há 26 anos, poucos lembram do problema da fome no dia rock e humanidade caminha. O que resta então? Tentar fazer a diferença ouvindo um pouco de rock. 😀

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.