Vontade é um negócio muito louco! Eu por exemplo estava com vontade de começar esse texto de uma maneira bem diferente, assim, sem pé nem cabeça. Pois é, e essa palavrinha nos leva muitas vezes por caminhos inesperados, os quais a gente nem sabe onde vai chegar. O mais legal é depois de um tempo olhar pra trás: nossa, eu passei por tudo isso?

E o nosso caminho pela estrada fora começou com um tal de Lucas Pimenta, que gostava de parar as pessoas na floresta para perguntar se elas gostavam de quadrinhos. Bom, é claro que ele acabou encontrando um monte de gente. Foram muitos anos tentando! E se tem um rapaz que é orgulhoso de suas amizades, esse é o Lucas. Eu mesmo já tinha ouvido falar do amigo dele que escrevia resenhas como ninguém, do amigo que era um dos maiores quadrinistas baianos, do amigo que cruzava o oeste americano com um rifle e… não, acho que esse é personagem, não é amigo não. Mas o négocio é que conversar sobre histórias em quadrinhos ou histórias de quadrinhos com o Pimenta sempre foi algo pra se fazer sem pressa. E numa dessas, ele recebeu um convite de uma dessas amigas que só tem no portifólio dele, que ofereceu um site. Assim, de graça, pra ele e seus amigos debaterem a nona arte. 

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É, nascia o Quadro a Quadro. E a viagem começou, no dia treze de janeiro de dois mil e onze, em um bonde que contava com os dois (Lucas e Evelling), com Sérgio, Marcello, Lillo, Dadal e Portilho. Sem muita pressa, sem saber muito onde queriam chegar, numa daquelas caminhadas onde as pessoas vão conversando e curtindo o momento.

Nesse início, eu me lembro, tiveram muitas coisas legais. As primeiras resenhas, incluindo a primeira resenha do Lillo para o site. Notícias, que embora datadas, são legais de revisitar. É do primeiro dia de vida do site a notinha de que a MARVEL anunciava o projeto de levar o Homem-Formiga para o cinema. Mas mais legal ainda, é ver que o site desde aquela época já tinha o compromisso de abordar as HQs nacionais: Yeshuah, o Cabra, a semana do quadrinho nacional… 

Aí vieram novos amigos, novos colaboradores. Daqueles que estavam escondidos no portifólio de Lucas. Dan, Edimário… eu mesmo entrei para o site no fim de 2011, embora minha primeira colaboração seja de abril. E conforme novas pessoas foram entrando, os assuntos foram variando. Novas colunas, a possibilidade de hospedar trabalhos acadêmicos e hqs online no site. O bonde foi se formando e ia abrindo as portas para quem quisesse subir. Sempre em frente, é pra lá que vamos!

E o bonde foi chegar no FIQ, em novembro do mesmo ano! Muitos contatos, muitos aprendizados, o FIQ virou uma grande roda de capoeira! E a vontade novamente surgindo, dessa vez de publicar! Eita vontade que nos guia! Juntando ideias antigas de alguns dos quadrados, começava a nascer a ideia para Máquina Zero, nossa antologia! E até os quadrados lerem tudo o que tinham trazido do festival, o ano já tinha acabado.

Quadrados e Nilton, a voz do FIQ! Amizade desde 2011.

Quadrados e Nilton, a voz do FIQ! Amizade desde 2011.

Mas dois mil e doze estava aí, com o primeiro aniversário do Quadro a Quadro! E o Sergião, não sei porque, já achava que tinha caminhado muito. Na verdade, eu sei, é aquele negócio que eu falei de olhar pra trás depois de um tempo. E era a primeira vez que a gente fazia isso!

Mas nem sempre se pode acelerar. E o bonde desacelerou, alguns membros saíram, outros entraram. Tentávamos orquestrar tudo, organizar site, mídias socias, publicar quadrinhos e ainda produzir os nossos! O Lillo e o Marcello começaram a escrever belos roteiros, para trabalhos independentes ou de editora, mais ou menos nessa época. E o Lucas começou a editar material para o grande Antonio Cedraz, um dos membros eternos do Quadro a Quadro.

Pois é, e Cedraz sempre foi e continua sendo uma grande inspiração para gente. Não cansamos de homenageá-lo sempre que podemos, e não há data melhor para fazer isso do que o tal dia do quadrinho nacional (link1, link2)! Em 2014, inclusive, foi organizado um jantar oficial para Cedraz, na primeira edição do evento que chamamos de mestres dos quadrinhos. Mais tarde, o FIQ 2015 homenageou o autor, com uma exposição de trabalhos que teve curadoria do Lucas. 

Expo no FIQ 2015

Expo no FIQ 2015

Bom, voltando para linha temporal que eu vinha seguido, estavamos em 2012, certo? Desculpem, sempre que falo de Cedraz eu me perco no tempo e posso acabar falando por anos e anos. Era 2012 sim, ano em que o QaQ organizou diversos eventos de debate em Salvador, o Clube dos Quadrinhos. E também foi quando começamos com a página no Facebook, que hoje já conta com mais de dez mil curtidas! Mas pra você não achar que estamos andando em círculo, vamos logo para 2013.

É, foi em 2013, no FIQ, que a emoção bateu forte no Quadro a Quadro. Lançamos nosso selo editorial independente, publicando o primeiro volume da nossa antologia Máquina 1385772_646433742044843_1340491055_nZero, com histórias de grandes nomes internacionais como R.M. Guèra, Salvador Sanz, Pasquale Frisenda e nomes nacionais consagrados como Will, Flávio Luiz, Aloísio de Castro. Além disso, convidamos novos autores nacionais e abrimos um concurso cultural  para apostar em novos talentos, de onde saiu o talentoso Clayton InLoco! Legal né?Mas também fantástico foi a publicação de Tiki, o menino guerreiro, pela primeira vez no Brasil. A obra dos italianos Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo foi lançada pela gente lá em BH! E graças a organização do FIQ, pudemos contar com Milazzo autografando. O momento em que Milazzo veio conhecer Lucas e parabenizá-lo pela publicação levou nosso editor as lágrimas, e devolveu a infância ao menino que encontrava seu ídolo. Foi também nesse ano também que o Sávio Roz nos presenteou com sua tropa dos Lanternas Verdes e um dos posts mais legais do site.

Maq. Zero volume 1

Maq. Zero volume 1

Fôlego renovado para novos anos de site e agora selo editorial! 2014 teve a primeira CCXP, e teve muitos preparos para o FIQ e a CCXP de 2015. Lançamos o segundo volume da Máquina Zero, novamente com concurso cultural, novamente com nomes internacionais e nacionais consagrados e novamente com apostas. Mas dessa vez com financiamento colaborativo, em uma campanha bem sucedida no Catarse, e muito, muito mais páginas! Publicamos também uma prévia de Never Die Club e de A Canção de Mayrube pelo selo, além da muito elogiada La Dansarina! Quanto a La Dansarina, você pode conferir por aí textos do Lucas Ed, do Érico Assis e do Sidney Gusman, mas nós quadrados temos um carinho especial pela obra. Sabe como é, quem criou foram Lillo e Jefferson Costa, mas nos sentimos todos tios da criança. Vale a pena conferir você mesmo, se ela merece ou não os elogios. Como dizem por aí, fica a dica. Nesse período também publicamos fantásticos de grandes amigos, como Boca do Lixo (de Wendell e Jamal) e Guerra 1914-1918, do Julius Ckvalheiyro.

Quadrados e Sidney Gusman, com o segundo Maq. Zero

Quadrados e Sidney Gusman, com o segundo Maq. Zero

Mas nem só de publicações vive o QaQ. Nas amizades, são tantos que nem arrisco começar para não deixar ninguém de fora. Mas falando de redatores do site, em 2015 abrimos pela primeira vez uma chamada pública para novos colaboradores. A pouco tempo já haviam se juntado a Keli, e a Dani Marino, mas nesse novo bonde vieram o Marcelo Buzzoni, o João e seus colecionáveis, o Daniel Maioral, o Beto Magnun e seus textos cheios de pesquisa. Publicamos muitos textos de gente legal, do Bernardo, do Zeca, da Taís… É aquela coisa, time que tá ganhando se mexe sim, pois queremos manter todas nossas frentes funcionando e mais, queremos sempre melhorar. Redividindo tarefas, o Lucas passou a se encarregar mais do selo editorial e do Quadro a Quadro em geral e eu passei a editar mais o site. Baita desafio, pois são cinco anos que não podemos esquecer.

E aqui estou em pleno dia do quadrinho nacional para relembrar nossa história, e nossa relação com todas as hqs brasileiras. Viva o quadrinho brasileiro, viva Cedraz, viva o Quadro a Quadro! O que esperar do QaQ daqui pra frente? Vontade. Muita vontade. Pra nos levar aonde nem nós sabemos, mas por um caminho prazeroso que no mínimo nos renda boas histórias…

Lucas, Hugo e Cedraz

Lucas, Hugo e Cedraz

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.