Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

 

02/03 – Sábado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Old Boy  #001 (Futabasha)

Publicado no Brasil em: Old Boy #001 (Nova Sampa)

Após 10 anos preso em uma prisão particular secreta, um “homem sem-nome” é finalmente libertado e agora planeja a sua meticulosa vingança contra aqueles que destruiram a sua vida. Porém, o que o protagonista da trama não sabe é que continua sendo vigiado e manipulado pelo seu misterioso algoz. Com um roteiro intrigante e desafiador, Old Boy nos mostra uma história que beira ao surreal, mas que não está tão longe de qualquer realidade possível orquestrada pela mente humana.

Em seu primeiro numero, o roteirista Garon Tsuchiya sabe condicionar um quebra-cabeças que ao mesmo tempo em que vai se destrinchando ao longo das páginas, coloca novas peças para embaralhar o leitor em torno das motivações e desejos de cada personagem da trama. Um quadrinho que parece prezar pelos silêncios e os detalhes, valorizando o que pode parecer banal em nosso cotidiano e deixando transcorrer uma absurda história que aos poucos se torna maleável e crível em diversos aspectos.

Entretanto, apesar de um plote com muito potencial, a arte de Nobuaki Minegishi me pareceu um pouco prematura, dificultando a execução do roteiro. Mesmo conseguindo reproduzir muito bem cenários e objetos, o desenhista peca no quesito de caracterização e traz confusão em alguns momentos da obra, assim como nas sequências de ação onde parece não levar força aos movimentos.

03/03 – Domingo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Superior Spider-Man #003 (Marvel)

Não foi Publicado no Brasil

Após salvar Mary Jane dos pequenos Abutres, o novo Homem-Aranha começa a sua caçada ao seu “velho inimigo” Adrian Toomes, o original vilão alado. O que o novo Peter Parker não esperava era que antigas memorias de sua vida passada aflorassem com o conflito e que algumas pessoas próximas ao original alter-ego do aracnídeo começassem a suspeitar da legitimidade desta nova encarnação do Amigão da Vizinhança.

Trabalhando com histórias fechadas que se mesclam em uma grande trama, Slott vai evoluindo a sua polêmica empreitada, conseguindo implementar uma delicada profundidade disfarçada de travessura na vida do Homem-Aranha . Na verdade, fica claro neste numero especifico que não é só o protagonista da série que vem tendo sua vida chacoalhada, como também todos os leitores que acompanham o personagem durante 50 anos de existência. O que parece ser mais nítido a cada capitulo é que diferente das tramas “revolucionárias” e cíclicas anteriores como A Saga do Clone, O Outro e Um dia a Mais, a fase Superior já trabalha com uma prévia expectativa negativa dos leitores e os pede para “pagar pra ver” o que está sendo planejado a seguir. Lógico que é um lance arriscado, mas que consegue se sustentar previamente com prováveis polêmicas para depois sepultar as vendas com uma história bem curiosa e muito além das previsões datadas dos fãs da nona arte.

Na arte, Ryan Stegman continua sendo um destaque a parte e dá magnitude ao sucinto e violento Homem-Aranha, com ótima mobilidade entre os quadros e uma imaginação sagaz ao novo visual do herói. Destaco mais uma vez que levo esse uniforme do personagem como uma das joias raras das atuais mudanças de design que a Marvel vem atribuindo em seu catalogo de protagonistas. 

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.