Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

17/02 – Segunda-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tiny Titans  #013 – #018 (DC)

Não foi publicado no Brasil

Adaptação infantil dos personagens da DC, Tiny Titans é um titulo muito divertido que consegue englobar tanto as crianças quanto os fãs mais ardorosos da editora. Com cada edição concebida em várias histórias curtas, temos o uso de todos os personagens que já passaram pela franquia em engraçadas histórias leves, que conseguem remontar os velhos fãs aos grandes momentos da cronologia oficial dos heróis ao mesmo tempo em que traz um bom entretenimento ao público infanto-juvenil.

Concebidos pela premiada dupla criativa Franco Aureliani e Art Baltazar (que também faz a arte) as histórias presentes nas edições 13 a 18 trazem pequenas desventuras como as reuniões do “Clube dos bichinhos”, os Mini Terror Titãs, as aulas de educação física do professor Lobo ou a detenção infinita vigiada pelo Monitor, dentre tantas outras. Como já falei anteriormente, Tiny Titans não é somente uma obra infantil como também um exemplo bem-sucedido de que mesmo as adaptações mais descompromissadas podem proporcionar as melhores interpretações.

20/02 – Quarta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thunderbolts #144 – #147 (Marvel)

Publicado no Brasil em: Universo Marvel v2 #015 – #017

Agora sobre os cuidados de Luke Cage, os Thunderbolts são transformados em um grupo de reabilitação de super-criminosos localizado em uma nova versão da Balsa, a superprisão liderada por John Walker (o Agente Americano). Com ex-vilões como Soprano e Mach V em sua monitoria, a equipe formada por Ossos Cruzados, Fanático, Homem-Coisa, Fantasma e Rocha Lunar tem em suas primeiras aventuras o combate a um grupo de Trolls fugitivos, o reconhecimento a uma misteriosa caverna na Nova Guiné e uma rebelião em sua própria base de operações.

Jeff Parker proporciona mais uma mudança de paradigmas nos Thunderbolts, reimaginando a equipe uma vez mais no Universo Marvel. Criados originalmente como um grupo de vilões que se disfarçava como uma nova legião de heróis, os antigos Mestres do Terror viveram um bom tempo repetindo a formula inicial e se tornando apenas a sombra do grande mérito editorial que foi a sua concepção. Entretanto, desde a fase escrita por Warren Ellis na Iniciativa dos 50 estados e a sua sequência no Reinado Sombrio (escrita pelo próprio Parker), o titulo renovou a vertente obscura e passou a figurar como um dos carros-chefes da Casa das Ideias.

Nessa nova empreitada, temos o retorno de um caminho mais redentor aos seus protagonistas, mas com o devido respeito a todas as evoluções narrativas em que a equipe já passou nos últimos anos. Dessa maneira, Thunderbolts não volta ao esquema inicial de “quero ser um super-herói” (que fez muito sucesso em seu início e acabou se tornando repetitivo e bastante maçante com o tempo) e conserva o clima de intrigas da ultima fase somado a um conflito de valores digno, que sabe valorizar todas as peças utilizadas na atual franquia. Destaque para a utilização do Homem-Coisa, personagem bastante desprezado pela editora e que consegue uma inserção bastante curiosa e bem pertinente as ultimas aparições do personagem.

No traço, Kevin Walker traz um estilo interessante a revista, mas não consegue se enquadrar muito bem a caracterização dos super-heróis. Apesar de conseguir representações bem interessantes de personagens como Fanático e o Homem-Coisa, por exemplo, as suas versões dos outros protagonistas do arco deixam a desejar e acabam proporcionando um certo desconforto, somado a algumas sequências desconexas e um uso de sombras que acaba atrapalhando a interpretação do leitor em alguns quadros. Ao final das contas, fica a impressão que a arte do desenhista poderia ser melhor em outro titulo mais autoral. 

Já são dois meses de leitura e teremos muito mais em 2013. Para quem quiser saber o que já rolou nesta coluna, aqui vai uma retrospectiva das semanas anteriores:

Semana 01

Semana 02

Semana 03

Semana 04

Semana 05

Semana 06

Semana 07

Como todos já sabem e não canso de repetir: comentários, opiniões, dúvidas e criticas sempre serão bem vindas e respondidas na medida do possível. 

 

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.