Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

15/02 – Sexta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Flash Comics  #086 – #104 (Marvel)

Publicado no Brasil em: Coleção DC 70 anos #004 (Panini)

Republicadas na antologia “DC 70 Anos”, essas duas histórias da década de 40 abordam as aventuras do primeiro herói da DC a usar o titulo de Flash. Na primeira trama, o velocista precisa limpar o nome de seu alte-ego (Jay Garrick) acusado injustamente de ter roubado um artigo raro do museu de Keystone City. Já na segunda aventura, conhecemos o Flash Rival, vilão que descobriu a origem dos poderes de supervelocidade e desafia o protagonista de igual para igual.

Escritas por Robert Kanigher, um dos maiores escritores da DC Comics por mais de 50 anos, as duas histórias são um bom reflexo da chamada Era de Ouro dos super-heróis com muita aventura e um clima lúdico onde tudo pode realmente acontecer. Mesmo hoje sendo vistas como aventuras simplistas, elas carregam os primórdios de todo o poder criativo em que esse particular estilo de quadrinhos traz até os tempos atuais e solidificaram totalmente algumas premissas tradicionais dos comics norte-americanos.

 

O primeiro Flash foi um dos heróis mais carismáticos do seu período, chegando a estar em três títulos distintos na mesma década. Vale destacar em suas histórias a cumplicidade do personagem com a sua amiga/paquera Joan Williams, que sabia da sua identidade secreta (magicamente disfarçada somente pelo uso de um chapéu) e sempre o ajudava nos bastidores das missões.

No traço, temos a participação de Lee Elias no numero #086 e Carmine Infantino no #104, dois artistas que conseguem imprimir muito bem o clima dinâmico a que as histórias do velocista eram propostas. Destes, Infantino ganha mais destaque por ser um verdadeiro revolucionário na forma veloz como representa o Flash, principalmente nos combates e na movimentação do cenário em sequencias velozes.

PS: As duas edições apresentam originalmente histórias de outros personagens do Universo DC como Gavião Negro, Canário Negro e Johnny Trovoada. Quando conseguir este material restante, posto em uma futura coluna.

16/02 – Sábado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Superior Spider-Man #002 (Marvel)

Não foi publicado no Brasil

Continuando a empreitada de acompanhar cada edição individual do primeiro arco do Homem-Aranha Superior, chego a segunda edição onde o novo Peter Parker segue em busca de um novo desafio: a conquista de Mary Jane. Entretanto, em meio as mudanças de status do Amigão da Vizinhança perante a sociedade, a probabilidade de um velho amor renascer torna-se mais e mais longínqua do que se imagina.

Assim como aconteceu na primeira edição do novo titulo, o numero #002 da série continua a nos trazer um interessante novo mundo a vida do Homem-Aranha e dessa vez adiciona novas variáveis que fazem a história seguir uma linha ascendente de boa qualidade. Dan Slott traz o antigo Parker (em forma espiritual e invisível a todos os outros personagens) como um anti-narrador que se contrapõe a tudo em que ele próprio reserva a esta nova fase, enriquecendo muito bem o conflito de moral e trazendo o bom e velho humor a revista do aracnídeo.

Entretanto, mesmo utilizando desse artificio saudosista e esperançoso, o autor não desmerece o seu novo protagonista e o faz se tornar cada vez mais imprevisível em sua nova posição no Universo MarvelRyan Stegman segue muito bem no titulo, valendo-se da ótima caracterização e de boas sequencias para dar um ar novo e totalmente eletrizante a esta série. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Shadows of Spawn  #001 (MediaWorks)

Não foi publicado no Brasil

Projeto licenciado pela editora japonesa MediaWorks, Shadows of Spawn é uma adaptação oriental a franquia criada por Todd McFarlane e aborda a história de Ken Kurosawa (ou Double K), um jovem mercenário nipo-americano que sofre um assassinato orquestrado pelos seus antigos clientes. Desesperado para retornar ao mundo dos vivos e proteger a sua irmã mais nova, Ken acaba fazendo um pacto com o demônio Malebolgia e renasce sete anos depois como o desmemoriado Hellspawn, o soldado do inferno.

Diferente da maioria de projetos de “manganização” de heróis americanos que ocorreram nos anos 90, a série escrita e desenhada por Juzo Tokoro apresenta uma história autoral que flerta com a cronologia original e tenta adicionar novos personagens a franquia. Assim, temos um conto que apenas usa de alguns padrões similares a história norte-americana e parte de uma nova dinâmica, muito mais voltada a uma serialização típica dos quadrinhos orientais de aventura. Dessa maneira, temos uma série que já nasce independente e que pode chegar a um resultado totalmente diferente da sua gênese, tanto não só no roteiro como na evolução de cada personagem e suas respectivas motivações e desejos.

Em relação ao traço, o autor segue muito bem ao estilo a que se propõe e traz agilidade a trama com boas sequências de ação e batalhas empolgantes. No quesito de caracterização, os visuais importados do original – como do próprio Hellspawn e do Violador – são bem fidedignos a sua fonte, enquanto que os novos personagens trazem a independencia criativa necessária para legitimar a série.

Para quem quiser saber o que já rolou nesta coluna, aqui vai uma retrospectiva das semanas anteriores:

Semana 01

Semana 02

Semana 03

Semana 04

Semana 05

Semana 06

Como todos já sabem: comentários, opiniões, dúvidas e criticas sempre serão bem vindas e respondidas na medida do possível. E semana que vem, tem muito mais.

 

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.