Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

03/02 – Domingo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Invincible Iron Man v5  #025 – #033 (Marvel)

Publicado no Brasil em: Homem de Ferro & Thor #014 – #022 (Panini)

Após ser perseguido por Normam Osborn e lutar ao lado dos heróis no Cerco a Asgard, Tony Stark inicia a reconstrução de sua vida pessoal e profissional com a criação da Stark Resiliente, empresa que tem como meta o uso das baterias repulsoras como fonte de energia para a humanidade. Entretanto, uma nova encarnação das Empresas Hammer entra em cena no mercado bélico mundial e leva a sua rivalidade com o vingador dourado para além do mundo dos negócios.

Mesmo dividindo opiniões entre os apreciadores da arte sequencial, Matt Fraction não pode ser desqualificado quando tratamos do seu senso criativo. O roteirista sempre soube conceituar muito bem as histórias do Homem de Ferro e foi um dos poucos que realmente o levou ao panorama tecnológico da atualidade. Entretanto, quando falamos na execução destas ideias propostas, é perceptível que em algumas ocasiões existe uma dificuldade por parte do autor em criar histórias que cativem ou prendam o leitor no que vem sendo trabalhado.  

No arco proposto, por exemplo, temos como pano de fundo a reconstrução não somente do Homem de Ferro no Universo Marvel como o uso de sua evolução tecnológica para uma mudança de paradigmas na sociedade humana. Stark é mostrado como um verdadeiro guru tecnológico que admite a sua função de visionário e pretende pautar o mundo ao futuro. Porém, todo esse processo de renascimento é contado de uma forma amarrada, estendendo-se por 8 números e oscilando bons diálogos com momentos não tão criativos. Somado a isso, temos um grupo de antagonistas fracos, que não repercutem um clímax digno e acabam se tornando decepcionantes tanto em suas motivações como nas execuções. O ponto alto fica mais uma vez por conta das atuais representações de Pepper Potts e Maria Hill, que vem sendo magistralmente utilizadas por Fraction e tem conseguido uma importância essencial nas histórias do Homem de Ferro.

Na arte, Salvador Larroca segue fazendo um trabalho bem questionável. Na verdade, acredito  que as histórias apresentam mais dificuldade narrativa graças ao artista, que não consegue apresentar regularidade em seu trabalho e acaba fazendo sequências um tanto quanto constrangedoras, valendo-se apenas da boa colorização de Frank D’Armata para valorizar o seu traço vacilante. Em contrapartida, James McKelvie faz um belo trabalho nas histórias extras das edições #032 e #033, com uma arte bem dinâmica e integrada as ideias concebidas para estes pequenos interlúdios.

04/02 – Segunda-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Iron Man: Legacy #006 – #011 (Marvel)

Publicado no Brasil em: em Homem de Ferro & Thor #016 – #021 (Panini)

Série concebida com o intuito de narrar aventuras “secretas” ligadas à história do personagem, Iron Man: Legacy teve o seu segundo e ultimo arco focado no período em que Tony Stark sofreu a sua derrocada diante de Obadiah Stane e passou a viver nas ruas. Em Los Angeles, o outrora milionário acaba por ajudar os habitantes de um bairro decadente a se reerguerem da crise econômica e social que abala a região. Entretanto, as suas atitudes despertam a ira do Orgulho, grupo de vilões que domina a Costa Oeste e fará de tudo para destruir as investidas do vingador dourado.

Aproveitando-se da crescente fama do personagem nas mais variadas mídias, a Marvel apostou na criação de um titulo-irmão a série mensal que vislumbrasse o seu passado secreto e a modernizasse para os novos leitores. Todavia, a revista acabou sendo cancelada em menos de um ano por acabar se mostrando como uma decisão equivocada, já que parecia forçar as novas aventuras do Homem de Ferro em momentos bastante complicados de inserção. Fred Van Lente tem um bom texto, mas não consegue transmitir veracidade em uma trama que reúne importantes personagens e ao mesmo tempo se esforça em parecer menor para que pudesse ser “esquecida” por quem a protagonizou.

No traço, Steve Kurth faz um trabalho regular, destacando-se mais pela narrativa do que pela caracterização (que deixa a desejar). Nos dois últimos números, o desenhista é substituído por Philippe Briones, que dá mais consistência as cenas de ação no clímax final. No mais, reitero que não tenho nada contra o uso de retcons, com tanto que sejam muito bem construídas e respeitem o status quo da franquia, sabendo utilizar o momento certo para poder contar um interlúdio interessante e honesto.

05/02 – Terça-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thor  #610 – #614 (Marvel)

Publicado no Brasil em: em Homem de Ferro & Thor #015 – #019 (Panini)

Em processo de reconstrução, o Reino de Asgard acaba enfrentando as duras consequências do Cerco a Asgard. Em um primeiro momento, o clone robótico de Thor desperta entre os destroços do reino dourado e efetua uma luta de vida e morte contra o verdadeiro Deus do Trovão. Logo depois, é a vez de Hela pedir ajuda aos nobres guerreiros contra a investida das Disir (Valquirias Malignas que se alimentam de almas asgardianas) ao seu novo reino dos mortos, que se encontra em território cedido no inferno de Mefisto.

Kieron Gillen segue efetuando um bom trabalho na revista. Neste arco, o autor fecha totalmente os acontecimentos do Cerco no titulo, além de incluir outras pontas soltas que assolavam o atual universo nórdico como o Thor-Clone e as Disir (esse ultimo, uma adição interessante do próprio Gillen a mitologia nórdica da Marvel). Assim, temos um pequeno épico com boas doses de aventura e que leva como característica principal o valor da crença para o fortalecimento das divindidades, algo recorrente na atual reencarnação da franquia escrita por J. Michael Straczynski.

No arte, Doug Braithwaite e Richard Elson revezam-se nos números e mesmo apresentando diferenças em relação ao traço, trazem um trabalho integrado com o clima heroico proposto pelo escritor. Enquanto o primeiro remete mais ao realismo, o seu companheiro traz um visual mais limpo e que tem grande influencia da escola clássica dos quadrinhos norte-americanos.

06/02 – Quarta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Demon Knights #001 – #007 (DC)

Publicado no Brasil em: DC Terror – Cavaleiros do Demônio #001 (Panini)

Um dos títulos inaugurais do reboot da DC Comics, Os Cavaleiros do Demônio tem como cenário a Idade das Trevas, onde seres remanescentes da corte do Rei Arthur como o Demônio Etrigan, Madame Xanadu e o Cavaleiro Andante juntam-se a outros personagens como Vandal Savage, a amazona renegada Exoristos, o sarraceno Al Jabr e a enigmática Cavaleira para impedir as investidas da horda barbara liderada pela Rainha Errante e o feiticeiro Mordru em sua busca pelo Santo Graal.

Uma grata surpresa dos novos 52, Demon Knights se comporta como uma verdadeira aventura de RPG. Paul Cornell traz um grupo inconstante e bem atípico, onde cada personagem tem as suas particularidades únicas e se apresentam de forma bastante caótica e independente, com atitudes que alternam entre o trabalho conjunto em equipe até as decisões tempestuosas concebidas no calor do momento que prejudicam totalmente o destino de todos que estão na trama.

Em um primeiro momento, a narrativa peca pela forma acelerada em que acaba introduzindo os protagonistas da série, mas logo percebemos que isso se torna necessário para intensificar o clima de conflito somado as reviravoltas que se tornam bem constantes nos outros números do arco. Paralelo a isso temos o belo traço de Diógenes Neves, que se mostra um pouco engessado e desproporcional ao inicio do conto, mas logo depois dá força a narrativa de Cornell com boas sequencias de ação e excelente caracterização dos personagens, tornando-os mais legítimos com suas próprias características a cada capitulo mostrado. 

Para quem quiser saber o que já rolou nesta coluna, aqui vai uma retrospectiva das semanas anteriores:

Semana 01

Semana 02

Semana 03

Semana 04

Semana 05

Como todos já sabem: comentários, opiniões, dúvidas e criticas sempre serão bem vindas e respondidas na medida do possível. E semana que vem, tem muito mais.

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.