Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

Essa semana foi realmente atribulada e entre o trabalho e as desventuras na vida de bancos e lojas, fiquei sem tempo hábil para mais leituras da semana. Felizmente, consegui um tempo para ler um quadrinho e depois de relutar a sua publicação aqui no Quadro a Quadro, lembrei da meta de "ler o máximo que puder " e não pensei duas vezes em formular a minha opinião sobre este insolito produto. 

31/01 – Quinta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Superior Spider-Man #001 (Marvel)

Não foi publicado no Brasil

Por motivos de força maior, efetuei um pulo cronológico nas histórias do Homem-Aranha e li a primeira edição da mais nova série do personagem. Assim, conhecemos a nova fase do herói, onde um “novo” Peter Parker combate o crime com métodos um tanto quanto frios e calculistas e tem como seu primeiro desafio a nova encarnação do Sexteto Sinistro.

Particularmente, como já explicitei em meu primeiro post, não gosto de ler apenas um numero de uma série de quadrinhos norte-americanos pelo simples fato de que esse produto hoje foi remodelado para destrinchar uma mesma história por diversos fascículos. Assim, acredito que uma analise concreta só pode ser efetuada com o fechamento de um arco, por exemplo. Entretanto, devido ao grande burburinho que esse título ocasionou (principalmente sendo alvo de críticas formuladas por muitas pessoas que nem se preocuparam em efetuar a leitura da obra) me dispus a conhecer o início desta nova empreitada na franquia e posso dizer que não me arrependi.

Como uma história introdutória, o autor Dan Slott foca o enredo totalmente na dubiedade que permeia o  protagonista, e como todo o seu ainda presente universo social começa a sentir estas mudanças. Dessa maneira, temos uma edição que facilita a entrada de novos leitores (ou antigos que estiveram por fora da mensal), pois parte de um “ponto zero” e já coloca uma previsão da dinâmica em que o titulo deve ser levado daqui em diante. 

Em relação a qualidade da história, pelo menos nesse primeiro número temos a mesma forma dinâmica e bem amarrada que é característica do autor na Marvel Comics. Acabamos fustigados e totalmente presos com o desenrolar da narrativa, onde existe uma outra visão da velha premissa de Poder e Responsabilidade que sempre foi  o combustível primordial da franquia nestes 51 anos de existência.   

No traço, Ryan Stegman parece bastante inspirado e não decepciona. A própria mudança do design para o uniforme do Homem-Aranha já é um carro-chefe bastante empolgante e as sequências de ação são muito bem orquestradas. Outro ponto forte fica por conta da valorização das reações faciais dos personagens, especialmente do próprio Parker e seu alter-ego (que não direi aqui. Sei que muitos sites pipocaram isso mas não acho pertinente explicitar, pelo menos ainda não).

Enfim, acredito que para muitos que realmente tiveram curiosidade, Superior Spider-Man fustigou mais o desejo do “vamos ver como ele vai escrever isso” do que a ojeriza de “ah, mais uma mudança de paradigma de um herói norte-americano que vai acabar voltando ao normal em algumas edições”. O que não deixa de ser uma verdade, mas que já faz tanto parte desse estilo de revista que nem deveria ser  ainda relegado como um defeito e sim como uma característica “genética” do produto, assim como é com a existência de um robô gigante em seriados de Super Sentai (séries japonesas ao estilo Power Rangers) ou as paternidades secretas de telenovelas sul-americanas. Tenho toda uma teoria sobre o fim desse mito preguiçoso de julgar antes de pensar, mas fica para um futuro texto especifico sobre o assunto.

No mais, recomendo a leitura e oficializo o meu acompanhamento unitário neste título, pelo menos até o fechamento das primeiras histórias ou de um provavel arco introdutório. 

Para quem quiser saber o que já rolou nesta coluna, aqui vai uma retrospectiva das semanas anteriores:

Semana 01

Semana 02

Semana 03

Semana 04

Como todos já sabem: comentários, opiniões, dúvidas e criticas sempre serão bem vindas e respondidas na medida do possível. Na semana de Carnaval, as coisas devem fluir melhor e espero ter um batalhão de coisas para reportar por aqui.

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.