Com a chegada de 2013, tive a ideia de iniciar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí. 

Infelizmente, essa semana foi bastante conturbada e tive apenas a oportunidade de ler dois arcos de quadrinhos. Uma média fraca que prometo ressarcir em algum periodo do ano que segue. Sem mais delongas, vamos as leituras da semana.

17/01 – Quinta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Blue Beetle v8 #001 – #006 (DC)

Publicado no Brasil em: Besouro Azul #001 (Panini)

Em uma semana meio conturbada para leituras, iniciei os trabalhos com uma das novas revistas do atual reboot da DC Comics: o Besouro Azul. Apesar de reutilizarem o jovem Jaime Reyes (terceira e ultima encarnação do herói na cronologia anterior), tivemos uma nova origem não só para o seu personagem como também para a fonte de seus poderes. Agora, o escaravelho é uma arma de destruição em massa que utiliza de hospedeiros nativos para derrotar mundos perante a chegada de um império espacial insectóide. Entretanto, o item designado “Khaji-Da” sofre uma avaria ao chegar ao nosso sistema solar e acaba hibernando por anos em nosso planeta. Séculos depois, o artefato acaba sendo disputado por gangues de super-criminosos e acidentalmente se mescla a Reyes, que agora precisa conviver com os perigos não só daqueles que desejam o seu poder como também da própria simbiose com o estranho ser alienígena.

Umas das consequências positivas de uma reformulação é justamente a possibilidade de termos ideias interessantes para antigos títulos, e nesse ponto o Besouro Azul consegue cumprir muito bem o seu papel. Mesmo utilizando personagens criados recentemente no final da antiga cronologia da editora, Tony Bedard consegue dar uma nova visão ao universo do herói, trazendo uma legitimidade a franquia ao mesmo tempo em que não desmerece o que foi feito anteriormente.

Ainda estamos em El Paso (Texas), ainda temos Paco e Brenda como melhores amigos de Reyes, e o escaravelho segue como um item alienígena. Mas, existe todo um clima de terror sci-fi/místico que se alinha a uma leve tensão adolescente dos protagonistas e transforma tudo em uma aventura digna de um titulo focado para o publico jovem. A duvida do que pode acontecer na próxima página e as angustias de um jovem herói perante sua vida dupla podem não ser uma novidade, mas sempre são respeitadas quando trabalhadas com tamanha competência narrativa.

Particularmente gosto da arte do Ig Guara, principalmente as suas sequencias de ação e algumas caracterizações que apresenta. Dá para perceber que o desenhista brasileiro tem participação fundamental no projeto inicial da revista e traz muita emoção as páginas. Infelizmente, nos últimos números do arco, a mudança de arte-finalista parece prejudicar o que vinha sendo produzido, mas isso não interfere totalmente no produto que vislumbramos. No final das contas, Besouro Azul é uma grata surpresa a conturbada reformulação DCnauta nos quadrinhos.

20/01 – Domingo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Static Shock #001 – #008 (DC)

Publicado no Brasil em: Super Shock #001(Panini)

Outro personagem que ganhou uma nova chance na reformulada DC Comics, Super-Choque é o jovem Virgil Hawkins, recém-chegado da cidade de Dakota e que tenta uma nova vida junto a sua família na complicada Nova York. Entretanto, novos problemas surgem na vida do super-herói, que vão desde o segredo que ronda a clonagem de sua irmã até os perigosos vilões que aterrorizam não somente a sua nova morada como ao seu trabalho, os laboratórios STAR.

Originalmente criado para a Milestone Media, o Super-Choque foi um dos super-heróis mais emblemáticos daquele selo e juntamente com outros tantos do chamado “Dakotaverso” (já que as histórias eram localizadas na fictícia cidade de Dakota) acabou sendo integrado ao universo DC antes do atual reboot. Após a reinicialização do universo DCnauta, o anuncio de uma série solo do personagem remontou não somente a sobrevivência do mesmo nas mudanças editoriais como de todo aquele mundo alternativo, o que realmente parece ter acontecido. Infelizmente, o titulo não consegue trazer uma legitimidade sadia a esta nova encarnação e teve sua vida prévia apenas nestes oito números lidos por mim esta semana.

Trabalhando tanto no roteiro (em parceria com John Rozum até o número #004) quanto na arte da série, Scott McDaniell não consegue trazer consistência aos seis primeiros números e prejudica bastante algum entendimento tanto na parte gráfica quanto na escrita. Primeiramente, o artista peca em apresentar o Super-Choque em um “ponto zero” e ao mesmo tempo deixar subentendido qualquer conhecimento prévio que temos do protagonista para não precisar contar a sua origem. Isso faz com que as coisas fiquem bastante confusas para quem não o acompanhava ou até mesmo para quem usufruiu das revistas da Milestone, dos Novos Titãs (pré-reboot) ou até da animação de TV. No final das contas, fica a impressão que todas essas versões estão mescladas, mas ao mesmo tempo não se enxerga nenhuma delas.  Junte-se a isso o fato de que o personagem é parcialmente desenvolvido e fica bastante raso em sua personalidade. Entretanto, o que parece confundir mais são as particularidades técnicas como diálogos confusos e traços que parecem incompletos e rabiscados. Não se fica um momento sem pensar que alguma edição foi perdida e que estamos “pegando o filme pela metade”.

Outro problema se deve ao fato da fraqueza dos novos coadjuvantes do título. Diferente do Besouro Azul, que reutiliza personagens da antiga franquia com uma roupagem um pouco diferenciada, McDaniell somente conserva a família de Virgil, sua amiga Frieda Goren e os herós Hardware e Technique como parte das antigas revistas do herói. Até ai sem problemas, já que é sempre válido – principalmente num reboot – termos caras novas surgindo. A questão é que os vilões apresentados pelo roteirista/desenhista são muito fracos e nem um pouco carismáticos, fazendo com que não consigam emplacar em nenhum momento qualquer substância digna de respeito.

Já destinada ao cancelamento, a revista teve em seus dois últimos números os textos de Marc Bernardin, que conseguiu trazer um pouco de consistência a vida do super-adolescente e abriu uma polemica em meio a decisão “extremada” da DC Comics: Não seria melhor pensar em mudar a roupagem do titulo, deixando-o mais próximo dos problemas sociais que a sua encarnação da Milestone apresentava ou até mesmo dando uma chance de focar realmente na vida de Virgil? Infelizmente, a única afirmação que se pode realmente dizer é que pelo menos na edição #007 e #008 o traço de McDaniell melhora muito e demonstra que o desenhista deveria ter ficado realmente apenas na arte da série desde o seu inicio. 

 Com isso, terminamos nosso post. Para quem quiser saber o que já rolou, aqui vai uma retrospectiva:

Semana 01

Semana 02

E na próxima semana, mais títulos para serem lidos e comentados em nossa trajetória. Além disso, comentários, opiniões, dúvidas e criticas sempre serão bem vindas e respondidas na medida do possível. Então não se acanhem e esquevam abaixo.

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.