Com a chegada de 2013, tive a ideia de iniciar um projeto audacioso para este novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei uma série de posts aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí.

02/01 – Quarta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Secret Avengers #001 – #005 (Marvel)

Publicado no Brasil em: Capitão América e os Vingadores Secretos #001 – #005 (Panini)

Para iniciar o ano, sigo com a minha leitura (um pouco atrasada) da Era Heroica da Marvel Comics e trago uma das novas revistas mensais que surgiram neste período: os Vingadores Secretos. Comandados por Steve Rogers (atual chefe da S.H.I.E.L.D.), a equipe é formada para missões secretas e tem como primeiro desafio a investigação sobre o paradeiro da Coroa da Serpente, que os leva até uma aventura em pleno solo marciano e a descoberta do misterioso Conselho das Sombras.

Ed Brubaker nos mostra mais uma vez porque é um dos melhores roteiristas da época na “Casa das Ideias”. Com o mesmo estilo que o marcou em títulos como Capitão América, Punho de Ferro e Demolidor, Brubaker consegue mesclar ação com um bom clima de mistério, sabendo dar a cada personagem um papel relevante na trama vivida pelo grupo. Paralelo a isso, Mike Deodato Jr também demonstra o seu grande valor artístico com boas sequências narrativas e um traço primoroso a trama. Além dele, o trio David Aja, Michael Lark e Stefano Gaudiano também adicionam ganho à obra no quinto número, onde um mistério é revelado e um antigo coadjuvante é resgatado para uma nova roupagem.

A minha ressalva vai para a dinâmica das edições. Para mim, não podemos mais tirar uma opinião concreta da história apresentada em apenas um fascículo, principalmente quando este faz parte de um arco. O que parece é que a indústria norte-americana de super-heróis se preocupa mais com a venda de encadernados, mas disfarça isso (por uma questão cultural ou de mercado, não sei) transformando as revistas em capítulos para mais tarde compilar o material. Por isso, tenho a preferência de fazer uma leitura por bloco neste caso, o que pode mudar com a curiosidade sobre um título novo.

03/01 – Quinta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saint Seiya: The Lost Canvas – Anecdotes #002 (Akita Shoten)

Publicado no Brasil em: Saint Seiya: The Lost Canvas – Gaiden #002 (JBC)

A segunda edição dessa série de Spin-Offs traz como personagens principais o Cavaleiro de Ouro de Escorpião Kardia e a jovem Sasha, antiga reencarnação de Athena, em uma batalha contra os servos de Tezcatlipoca, o Deus-Jaguar, que pretende destruir toda a humanidade e restaurar a harmonia do planeta.

Mesmo que Masami Kurumada seja o pai dos Cavaleiros do Zodíaco, podemos considerar Shiori Teshirogi como a mãe dos defensores de Athena. Graças a ela, muito do que foi primeiramente criado pelo autor acabou sendo mais bem fundamentado e se apresentou com mais coerência do que na encarnação original. Com isso, não é de se admirar o fato de que a mangaká tenha conseguido mais uma chance de demonstrar o seu talento em aventuras protagonizadas pela antiga geração de cavaleiros dourados.

 

Com maior liberdade de criação, Teshirogi nos mostra um bom trabalho de pesquisa para conceber novos personagens e abordar culturas além do panteão grego. Neste capitulo, por exemplo, ela faz uma adaptação livre das lendas dos deuses-criadores da civilização asteca apresentando um bom conhecimento deste universo, mesmo que seja somente para adapta-los a dualidade simplista de “bem-mal” já conhecida da franquia.  Além disso, o traço segue surpreendendo com boas sequências de ação e primorosas concepções das reluzentes armaduras.

No meio disso tudo, o trabalho realizado com os protagonistas também segue bem conceituado, principalmente no que cabe a elevar o patamar de importância destes “novos” cavaleiros de ouro para o mesmo nível de seus antecessores.

04/01 – Sexta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Volto Nascosto #001 (Sergio Bonelli)

Publicado no Brasil em: Face Oculta #001 (Panini)

Uma das minhas primeiras aquisições neste ano, Volto Nascosto traz o jovem comerciante Ugo Pastore, que juntamente com seu pai efetua transações comerciais com as colônias italianas situadas na África Oriental e fica no meio de uma complicada situação diplomática entre a nação europeia e o Império da Etiópia. Além disso, Pastore presencia a existência de um homem influente na região: um guerreiro mascarado que reúne uma legião de seguidores em prol da liberdade do povo africano contra a crescente dominação colonial.

Idealizada por Gianfranco Manfredi, Volto Nascosto traz um cenário fabuloso como plano de fundo (A Batalha de Adwa, entre Etiópia e Itália), e relaciona muito bem o ficcional do real sem precisar ser didático, apresentando uma profundidade narrativa que não faz diferença os personagens criados daqueles já existentes. Dessa forma, temos um conto de forte pesquisa histórica, mas que sabe fluir qualquer espectador perfeitamente pelas páginas e lhe insere naquele universo como todo projeto cultural competente sabe fazer.

Complementando a obra, a arte de Goran Parlov é maiúscula, trazendo passagens marcantes como a entrada de Face Oculta (Volto Nascosto no original) nas ruas de Massaua e a incrível conflito da caravana italiana pelo deserto sudanês.  Além disso, a caracterização dos protagonistas é digna de outro destaque positivo. Particularmente, o próprio visual do líder nômade é um dos mais marcantes que já vi no mundo dos quadrinhos e casa muito bem com o que acaba sendo apresentado no roteiro proposto.

Sendo a primeira parte de catorze edições, agora é esperar que o público brasileiro descubra esse belo lançamento e que a própria Panini continue a publica-la até o seu final, fazendo a divulgação que lhe cabe, por favor.

Bem, por enquanto é isso mesmo. Acho que para uma primeira semana foi o suficiente e agregou muito ao que pretendo continuar ao longo de todo o ano. Com isso, espero voltar na próxima semana para trazer mais sobre a nona arte de todo lugar e para todos os gostos.

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.