Com a chegada de 2013, tive a ideia de iniciar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei um post semanal aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí. 

08/01 – Terça-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rapaces #001 (Dargaud)

Publicado no Brasil em: Predadores #001 (Devir)

Motivados por uma vingança ancestral, uma série de assassinatos são orquestrados pelos sobrenaturais irmãos Camilla e Drago na cidade de Nova York. Entretanto, a semelhança entre os processos de execução de cada vítima e uma estranha característica física entre os mortos acaba por relacionar a tenente Vicky Lenore e o detetive Benito Spiaggi em uma intricada conspiração que remonta ser mais antiga do que se possa imaginar.

Com um clima policial de mistério e suspense, Jean Dufaux nos traz uma história sobrenatural que se comporta como um grande quebra-cabeça. Além disso, o autor nos apresenta intrigantes personagens e suas diversas motivações na trama, como a dupla de investigadores que se descobre em meio a um círculo de segredos e mentiras, envolvendo companheiros da corporação e algumas personalidades suspeitas da cidade, ou os sombrios irmãos da noite que não medem esforços em demonstrar seus poderes para concluir a completa destruição daqueles a que juraram vingança.

Junto a isso, temos o belíssimo traço do suíço Enrico Marini, que dá força à caracterização dos protagonistas e transforma a sua arte no ponto forte da série francesa. Com um estilo próprio, Marini mescla bem a escola oriental com a europeia e consegue dar um dinamismo especial às sequências de quadros. Além disso, reproduz um clima sombrio que alterna entre o “Noir” e o terror clássico, exibindo ao mesmo tempo um visual charmoso e sensual ao álbum. 

09/01 – Quinta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Amazing Spider-Man #559 – #564 (Marvel)

Publicado no Brasil em: Homem-Aranha #088 – #089 (Panini)

Se estou atrasado na minha leitura do universo Marvel, como disse no meu post anterior, a minha relação com o Homem-Aranha se mostra bem mais problemática.  Por isso, vou efetuar uma leitura mais hardcore das sequências do aracnídeo esse ano e com isso trago essa semana a terceira e ultima parte do arco “Um Novo Dia”, que finaliza as mudanças iniciadas ao final do controverso “Um Dia a Mais”. Nele, Peter Parker se encontra com um novo dilema ético ao se transformar em um paparazzo e atormentar a vida de um astro do cinema, que tem entre suas fãs uma misteriosa nova vilã e como namorada uma personagem que todos nós conhecemos. Depois, o herói se encontra em um confuso esquema de apostas envolvendo o seu nome e ainda tem que enfrentar mais uma vez o misterioso Turbo nas ruas de Nova York.

Escrevendo a primeira parte deste encadernado, Dan Slott segue comprovando ser uma das melhores escolhas para roteirizar o Aranha após os fiascos editoriais que viveu durante anos. Com uma abordagem nada maçante, o escritor consegue readaptar os mesmos conflitos de moral que Parker viveu no início de sua vida heroica, mas de uma forma totalmente nova para o nosso tempo. Além disso, também sabe reativar as velhas dinâmicas sociais com a utilização dos coadjuvantes Carlie Cooper e Vin Gonzales, que reinventam as tensões existentes na fase clássica do aracnídeo em relação a sua vida dupla e as consequências desta em seus relacionamentos sociais. Para completar, Slott também acerta na aquisição de duas novas vilãs (Screwball e Boneca de Papel), que se não forem totalmente poderosas ou aptas são pelo menos bem interessantes e divertidas, e justifica cada vez mais o acrescimo de Dexter Bennet como novo editor do Clarin Diário.

No desenho, o espanhol Marcos Martin é uma aquisição positiva para a primeira parte, mesmo apresentando uma irregularidade em alguns momentos. O desenhista se destaca principalmente por um traço limpo que muitas vezes remete para a fase clássica do herói e em outros momentos brinca com a Pop Art, principalmente na concepção da vilã Boneca de Papel (que tem um conflito memorável com o Aranha em um museu de arte moderna). Infelizmente, em algumas ocasiões ele apresenta uns ângulos estranhos e deformantes que não me apeteceram e divergiram bastante com o cuidado que era apresentado em outras páginas da revista.

Mesmo assim, o verdadeiro ponto fraco acaba ficando mesmo por conta da dupla que é responsável pelo complemento da trama. Tanto o roteirista Bob Gale quanto o desenhista Mike McKone perdem a mão na subsequente história com o Agenciador e o sósia-aranha, não levando adiante o espirito empolgante que encontramos ao início do arco. Dessa forma, nos apresentam um conto bastante fraco e sem muita criatividade, com uma arte que ainda considero estranha para o personagem. Sem contar a utilização de alguns antagonistas fracos e sem muita pretensão que podem muito facilmente entrar na galeria dos “piores vilões do Homem-Aranha”.

Já a conclusão desta fase, orquestrada pelo trio Gale, Slott e Marc Guggenheim, consegue recuperar o folego perdido nos “minutos finais” e reanima novamente o reformulado aracnoverso. Destaque mais do que positivo para Paulo Siqueira, que  mesmo nesta curta participação consegue perfeitamente representar a ação exacerbada característica do Homem-Aranha ao combate de seus inimigos. 

 

11/01 – Sexta-Feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atlas #001 – #005 (Marvel)

Não foi publicado no Brasil.

Para quem não sabe, os Agentes de Atlas são um dos meus grupos favoritos e até já escrevi sobre eles em um post especial aqui no QaQ, além de cita-los também nas equivocadas decisões editoriais da Panini com alguns títulos Marvel no Brasil. Entretanto, falarei aqui do primeiro e único arco da ultima revista mensal protagonizada pela equipe, onde são colocados em um mistério relacionado ao Homem-3D, antigo membro da Iniciativa e dos Vingadores, e a provável relação de seu antecessor com os Agentes em uma aventura insólita na Era de Ouro dos quadrinhos.

Jeff Parker continua o seu belo trabalho a frente deste supergrupo, adicionando boas doses de ficção cientifica, terror, suspense e humor, além de resgatar plotes e ideias outrora esquecidas na “Casa das Ideias”.  A aventura em questão, por exemplo, faz uma homenagem à ideia original dos Agentes de Atlas, que mesmo sendo formados por personagens da antiga Atlas Comics só foram unidos pela primeira vez na série “O que aconteceria se…?” #009 (titulo focado em histórias alternativas da editora) onde os mesmos protagonistas – com exceção de Namora e adição do Homem-Tridimensional – acabam por fundar os Vingadores nos anos 50.

 

 

Entretanto, diferente de um simples “retcon”, Parker trabalha por um novo foco rico e bastante intrigante que revela mais segredos relativos a Fundação Atlas e o próprio passado do grupo.  Na arte, Gabriel Hardman retorna a franquia depois de sua participação na segunda encarnação do título e mais uma vez consegue mesclar o tom retrô com o moderno, valorizando a ideia “além da imaginação” sem deixar de ser um bom e velho quadrinho de super-herói. Além dele, Ramon Rosanas também participa da parte gráfica, primeiramente desenhando os contos extras e mais tarde se tornando fixo na reta final da trama principal. 

A parte triste se deve ao cancelamento precoce da obra, que atrapalhou claramente a parte criativa e fez com que o plote se acelerasse nos últimos números para ser finalizado. Dessa forma, o capitulo final acaba utilizando de alternativas nada convencionais, como a utilização de duas páginas que só apresentam diálogos ou a promoção da colorista Bettie Breitweiser como desenhista de algumas páginas da edição.

Mesmo assim, Parker (que admitiu em entrevista que preferiu o cancelamento a ter que atrelar o grupo em mais uma saga da editora para alavancar as vendas), consegue justificar as mudanças gráficas e finalizar tudo com maestria, dando aos Agentes de Atlas um epílogo digno e marcante. 

13/01 – Sábado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Invincible #001 – #004 (Image)

Publicado no Brasil em: Invencível – Volume 1: Negócios de Família (HQM)

O estudante Mark Grayson vive como um adolescente norte-americano comum até o momento em que começa a desenvolver super habilidades. Entretanto, o que poderia ser algo surpreendente ou assustador para qualquer jovem, é na verdade a confirmação de um momento esperado desde sua infância: agora ele poderá proteger o mundo, conhecer novos companheiros poderosos e seguir os passos de seu pai, um dos maiores defensores do planeta.  

Fazendo parte de uma leva de novos títulos da editora Image, Invincible apresenta uma premissa simples que justamente o faz ser um das revistas mais criativas e dinâmicas dos últimos anos. Escrita por Robert Kirkman (que quase na mesma época também presentou os fãs de quadrinhos com The Walking Dead) a série brinca com a popularização do tema super-heróico e o trata como algo bastante corriqueiro e habitual, retratando isso principalmente nos diálogos e ações dos personagens. Entretanto, não se comporta como uma sátira ou muito menos uma “denuncia ao gênero”, sendo um bom e velho quadrinho de aventura com seus vilões megalomaníacos, aliados carismáticos e batalhas mirabolantes.

Nos desenhos, Cory Walker complementa o clima já criado por Kirkman e representa os momentos com um toque simples, revestido com um ar blasé que enriquece totalmente os diálogos acontecidos na mesa do jantar, na cantina da escola ou em pleno combate contra seres de outras dimensões. Além disso, também adiciona outros pontos altos como a caracterização dos protagonistas, principalmente no quesito da concepção dos uniformes, e as boas sequências de ação que acontecem na trama. Um casamento que parece perfeito e que dá a simplicidade um teor muito mais denso de interpretação.

Esses foram os quadrinhos lidos nesta segunda semana, agora é partir para próximas aquisições e trabalhar em um novo post semanal aqui no Quadro a Quadro.

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.