Com a chegada de 2013, tive a ideia de começar um projeto audacioso para o novo ano: Tentar ler o máximo de quadrinhos que puder e assim descobrir, conhecer e se divertir mais com a arte sequencial em todas as suas reencarnações.  Para que isso se realize, a meta inicial é arriscar uma leitura por dia, não importando a data de publicação, o país de origem ou qualquer julgamento prévio sobre a qualidade artística do material selecionado.  E fruto desta jornada, farei uma série de posts aqui no Quadro-a-Quadro para falar um pouco do que li por aí. 

14/04 – Sábado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Injustice: Gods Among Us  #001 – #011 (DC)

Não foi publicado no Brasil

Como parte do processo de marketing do jogo eletrônico de mesmo nome, a série Injustice: Gods Among Us tem a missão de levar para os quadrinhos todo o universo que antecede e permeia a mais nova produção da NetherRealm Studios e DC Comics para os videogames. Sendo assim, não existe novidade nenhuma no titulo, já que as recentes inserções da editora nesta área têm suas respectivas adaptações para o meio funcionando como uma “justiça poética” ao mercado original (e até aos fãs “originais”) onde os personagens foram concebidos. Entretanto, deixando as justificativas técnicas de lado, a revista escrita por Tom Taylor (Star Wars: Invasion, Authority) consegue se destacar muito além de uma história alternativa e traz momentos bem inspirados em suas páginas.

Na obra, tudo tem inicio quando a dupla Coringa e Arlequina orquestram o sequestro de Lois Lane e acabam por provocar a sua morte e a destruição de toda Metropolis pelas mãos do próprio Superman. Essa tragédia acaba por transformar totalmente o homem de aço, que com o apoio da Mulher-Maravilha e de outros heróis iniciam uma cruzada para encerrar todas as guerras do planeta. Assim, temos a apresentação dos diversos personagens que estarão presentes no jogo de luta, com as suas respectivas motivações para serem peças-chave na trama.

É sabido que o roteirista teve em suas mãos uma história já pré-determinada pelo estúdio criador do game, mas isso não diminui o processo narrativo do autor, que mesmo em um inicio fraco e um pouco vacilante consegue aos poucos inserir legitimidade aos personagens da trama e suas justificativas para o combate que será realizado nas telas. E esse processo é bem-sucedido porque Taylor parece entender a originalidade daquele mundo, mas não nega que para torna-lo mais único precise mesclar diversas facetas que já vimos em outras adaptações alternativas da DC e até nas cronologias regulares da editora.

Com isso, temos uma Mulher-Maravilha que parece ser tão complacente a dor do Superman e seu desejo de mudar o mundo como em Reino do Amanhã ou Entre a Foice e o Martelo, mas que também tem os mesmos desafios da Diana concebida por George Perez e até sua recente encarnação em Ponto de Ignição e Novos 52. O Aquaman tem um visual bem mesclado com o atual e de sua fase Ponto de Ignição, mas com um temperamento que remete aos arcos concebidos por Peter David quando esteve no titulo. Outros exemplos são o Arqueiro Verde e Arlequina, que carregam uma obrigatoriedade com suas mais recentes adaptações, mas não desmerecem conceitos antigos dos personagens.  Logicamente, os que apresentam maiores referencias cruzadas e até um pouco de liberdade criativa são a dupla Superman/Batman, que centralizam a trama e proporcionam diálogos marcantes e cenas muito bem concebidas na série. Na verdade, momentos memoráveis tornam-se uma constante ao decorrer dos números e valem por si mesmas como um bom motivo de leitura da história.

Infelizmente, o ponto fraco fica por conta do traço que encontramos na obra. Lançado semanalmente, temos um grande numero de artistas revezando pelos números, fazendo com que em vários momentos não se tenha um melhor apuramento do que está sendo contado. Destaque positivo vai para Bruno Redondo, no capitulo do Arqueiro Verde e Arlequina, e David Yardin na batalha entre o Deus Ares e a Mulher-Maravilha. Já os “titulares” Mike Miller e Jheremy Raapack não são artistas ruins e mostram seu talento quando conseguem um intervalo entre os números, mas isso é bastante raro e o que encontramos em sua maioria são esboços mal finalizados na maioria dos capítulos concebidos pela dupla. Completando o time, Tom Derenick faz um trabalho mediano na edição #11.

Ainda em andamento, Injustice pode ser considerada uma boa referencia no quesito de adaptação de jogos para os quadrinhos, mesmo que utilize de personagens originalmente gráficos que foram adaptados para o mundo digital. Principalmente porque a impressão que se fica é que a mesma liberdade dada aos criadores do jogo em reformular os personagens foi conservada para os pequenos detalhes da criação do prequel, fazendo com que realmente tenhamos algo novo em meio a tantas influencias e referencias velhas, que respeitam o cânone mas ao mesmo tempo o desafiam, o questionam e o repensam.

Seria esse um verdadeiro… Reboot?

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.