Ir aonde a nona arte estiver, este é o lema do Quadro a Quadro. Trazer informações, notícias, resenhas e entrevistas com quadrinistas consagrados, mas também abrir espaço para os novos, esta é a nossa missão. E hoje eu tenho o prazer de apresentar para vocês a arte de Bruno Marafigo, ilustrador curitibano que teve uma idéia e tanto: publicar quadrinhos na rede social Facebook. A idéia parece simples, mas o trabalho do Bruno não só se aproveita de toda a possibilidade de repercussão e divulgação do site. Sua narrativa se beneficia diretamente do mecanismo do site de armazenamento de fotos, e isto é uma coisa totalmente nova que abre diversas possibilidades.

Como a obra foi idealizada para o Facebook, não serei eu quem tirará este trunfo, hospedando em outro local. Quem quiser conhecer terá que fazer seu login, ou se cadastrar, e clicar nos links das histórias:

Diálogos da morte                                     Mudanças                                                   Desespero

 

Tendo apresentado o entrevistado, vamos as perguntas:

 

[QaQ] Você se apresenta em seu perfil no Facebook como Ilustrador. Poderia falar um pouco da sua trajetória ou de sua formação até agora?
 
[Bruno Marafigo] Eu desenho desde onde consigo me lembrar apesar de nunca ter feito nenhum tipo de curso eu estou sempre pesquisando e tentando melhorar.
 
[QaQ] Seu traço é pesado e sujo, mas muito bonito. Em seu portfólio, há de se perceber que você gosta de fazer releituras de figuras tão variadas quanto Mona Lisa e Breaking Bad. Seu traço teve referências nos quadrinhos ou em outras formas de cultura? Pode nos contar um pouco de como foi o processo de definir seu estilo artístico?
 
[Bruno Marafigo] Acho que ate hoje eu não defini um estilo, não gosto de fazer a mesma coisa por muito tempo. Agora eu meio que casei com o nankin, mas não sei por quanto tempo.
 
[QaQ] Conheci seu trabalho lendo a história Diálogos da Morte pelo Facebook. A narrativa flui muito bem aproveitando a dinâmica do site na troca de imagens. Foi seu objetivo desde o começo escrever uma história neste formato? Encontrou alguma dificuldade? 
 

[Bruno Marafigo] Sim, eu já tinha visto algumas coisas meio parecidas mas nunca tinha visto alguém fazer um quadrinho daquele jeito, na verdade começou porque eu postei uma tirinha da morte que tinha só 3 quadros, eu não tava ficando feliz com o formato, as vezes não dava leitura, então eu resolvi fazer daquele jeito e ela acabou ficando com 48 quadros, no fim das contas as pessoas gostaram de como ficou.
 
[QaQ] Você pretende se dedicar a produção de novos quadrinhos? Neste mesmo formato? Pretende publicar algo no papel?
 
[Bruno Marafigo] Eu gosto muito de publicar os quadrinhos lá, o mais legal é entrar no dia seguinte pra ler os comentários.
 
Mais pra frente vou lançar um livro com todos os quadrinhos que eu já coloquei no ar mais alguns extras.
No momento estou trabalhando em uma história em quadrinho de 200 paginas. O Desespero foi feito em cima de um dos trechos dessa história.
 

É um roteiro que eu já tenho a muito tempo na verdade, e é de longe o meu favorito, logo vou lançar a primeira edição com 50 paginas, ainda não tenho uma data especifica mas não vai demorar mais que alguns meses.
 
Ele tem algumas influencias do Blade Runner eu gosto dessa coisa meio cyberpunk, a história lida um pouco com transhumanismo. Tudo gira em torno de uma fabrica onde são montadas pessoas para trabalhar como escravos.
 
[QaQ] Muitos tiveram acesso ao seu trabalho devido aos compartilhamentos e divulgações de pessoas que leram sua história e gostaram. E quanto mais se divulga, mais pessoas distantes a conhecem. É algo comum na divulgação de músicas e de filmes, mas para os quadrinhos é algo totalmente novo. Atingir um público diferente com suas idéias e influências foi algo que você levou em conta durante seu trabalho ou você o fez por motivos pessoais e o povo acabou gostando?
 
[Bruno Marafigo] Foi completamente por acidente, não achei que alguém fosse se interessar em ler, principalmente no facebook, é um quadrinho longo pelos padrões da internet.
 
Uma coisa que ajudou é que as pessoas pararam de ver quadrinhos como uma coisa só pra crianças, tem aparecido trabalhos cada vez melhores de todo canto do mundo.

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.