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► Keli Vasconcelos¹

 

 

 

Quadrinhos-Walter-Celso-Eloar-Guilherme-120414-keli (2)Quem passou pela Praça Dom José Gaspar, em São Paulo, entre 11 e 13/04, conferiu mais uma edição da Primavera dos Livros, evento promovido pela LIBRE (Liga Brasileira de Escritores), que este ano prestigiou a poesia da periferia, com direito a sarau a céu aberto, música e lançamentos. Destaque para um espaço dedicado à Nona Arte, com o bate-papo “Quadrinhos em ação”, na Hemeroteca da Biblioteca Mário de Andrade, na tarde de sábado, 12.04. E o Quadro a Quadro não poderia ficar de fora, é claro, e fomos conferir!

Capitaneado por Guilherme Kroll, editor da Balão Editorial, foram convidados para a conversa Walter Tierno, editor da Giz Editorial, Eloar Guazelli, ilustrador e quadrinista, e Celso Oliveira, roteirista e redator.

Para debater o mercado de Quadrinhos, Tierno tomou emprestado, de uma colega, a seguinte teoria: “É como o voo da galinha. Quando a gente pensa que vai decolar, ela acaba perdendo força e caindo. Deveria aparecer um gavião e levantá-la de vez”, enfatizou o editor, que tem no currículo passagens pela área da publicidade e autor da obra “Cira e o Velho” (Giz Editorial).

Guazelli também se valeu da ‘galinha’ para falar do setor. “Ela tomou um ‘banho de loja’, está se aprimorando. Com a crise na Europa, vemos muitas editoras e profissionais perdidos por conta da falta de subsídios do governo”, analisou e completou: “Aqui muita gente corre atrás, mesmo quando não consegue tal benefício”.

Quadrinhos-publico-120414-keliA carência de bons roteiristas, para adaptações de clássicos como Machado de Assis e inéditos, foi também discutida. Celso Oliveira, que roteirizou a série "Jambocks”, sobre a participação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial, frisou que muitos iniciantes já querem publicar sem fazer uma análise prévia. Muitas vezes descontruir uma obra a ser adaptada, sem fugir de seu contexto, por exemplo, pode tornar o trabalho mais robusto, ressaltou. “Não é porque você lê muito que escreverá excepcionalmente bem e não adianta ter bagagem se não passar para frente. É preciso uma visão crítica do próprio trabalho, muita pesquisa, treino, dedicação”, disse Oliveira.

Outro destaque foi para o preconceito entre Literatura e Quadrinhos, durante as perguntas feitas aos convidados. Uma bibliotecária do bairro da Penha, zona leste da capital paulista, relatou o gosto da filha por mangás, embora seu esposo não ‘achar interessante’ tal leitura. “É preciso entender que são linguagens irmãs e que devemos ler de tudo, não apenas um ou outro. Houve tempos que, numa livraria, a estante de Quadrinhos ficava em um lugar nada a ver, quando tinha! Hoje é bem diferente”, finalizou Guazelli.

Pegando a ‘teoria do voo da galinha’ para a Nona Arte, é não deixá-la cair, muito menos morrer, em suma.

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¹ Keli Vasconcelos é jornalista de São Paulo e freelance para revistas. É colaboradora do Portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br), em que conta histórias sobre São Miguel Paulista, no extremo leste da capital paulista. Saiba mais em http://twitter.com/keliv1

*O conteúdo deste post expressa a opinião da autora, que é plenamente responsável pelo mesmo.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...