Entre os dias 28 e 30 de maio de 2015 a ASPAS – Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial reuniu estudiosos de diversas partes do país no II Entre Aspas, cujo objetivo era discutir as metodologias de pesquisa em Quadrinhos e outras artes sequenciais.

Para quem não sabe, existem no Brasil e no mundo vários grupos acadêmicos cujo foco é a pesquisa de aproximações teóricas e possibilidades que os quadrinhos oferecem, tanto como objeto de pesquisa, fonte de referências ou ferramenta pedagógica.

Estes grupos, embora costumem aceitar membros de diversos lugares, acabam centralizando suas ações nas instituições em que se localizam e, nesse sentido, a ASPAS acaba sendo muito mais abrangente, pois procura reunir pesquisadores de todos os cantos do país e até do mundo.

E por que isso faz diferença? Bom, primeiro porque com a abrangência da ASPAS em território nacional é possível que os associados tenham acesso a um número muito maior de pesquisas que teriam em grupos regionais e segundo porque tendo acesso ao que está sendo feito em outras regiões, cada um de nós não corre o risco de realizar pesquisas que já estejam sendo feitas.

Minha percepção sobre o II Entre Aspas: Eu comecei a pesquisar quadrinhos há pouco mais de dois anos, o que é muito pouco comparado com a bagagem dos outros associados, mas tive a oportunidade de ir a alguns congressos e eventos, inclusive de âmbito internacional. Dos poucos eventos que tive contato, o Entre Aspas foi de longe o mais significativo, não só pela organização, mas principalmente porque a qualidade do que foi apresentado pelos associados é algo que não havia tido acesso até então. Por isso, para quem está começando esta caminhada, assim como eu, participar de eventos onde você pode conversar com suas referências bibliográficas e tirar suas dúvidas pessoalmente é uma experiência fantástica.

Talvez, o fato de sermos uma associação relativamente nova proporcione esse contato mais próximo, claro, pois em eventos de maior porte é tudo mais corrido e mal temos tempo de aproveitar que está sendo apresentado, o que explicaria a sensação das pesquisas apresentadas serem mais concisas.

Também tive a sensação de que demorará muito, muito tempo para que eu alcance o patamar onde se encontram meus colegas, mas ao contrário do que costuma acontecer em outros ambientes acadêmicos, estes pesquisadores são, acima de tudo, pessoas interessadas em compartilhar o conhecimento com aqueles que chegam o que me fez com que me sentisse bem acolhida.

Além dos eventos bienais – Fórum da Aspas (aberto ao público e sediado em cidade diferente a cada edição) e o Entre Aspas (acontece na sede em Leopoldina, MG) , que se intercalam a cada ano, a Associação também começou a publicar livros que reúnem artigos de seus pesquisadores sobre quadrinhos em diferentes perspectivas. Entre os lançamentos realizados este ano estão Religiosidades nas Histórias em Quadrinhos e Arte Sequencial em Perspectiva Multidisciplinar.

 

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Seus associados, no entanto, não se limitam a participar apenas dos eventos promovidos pela ASPAS. Muitos participam de congressos acadêmicos em suas áreas ou de eventos exclusivos de pesquisas de HQs, como é o caso das Jornadas Internacionais de Histórias em quadrinhos que acontecerá na ECA-USP entre os dias 18 e 21 de agosto e, neste ano, contará com participação recorde de “Aspianos”. Entre os “Quadrados” que fazem parte da associação, além de mim, também estão Lucas Pimenta e Savio Roz.

Mais informações sobre a associação podem ser obtidas no site.

https://aspasnacional.wordpress.com/

— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.