Botamos quase todos os quadrados na parede para responder as mais difícieis perguntas de opinião pessoal e controversa, numa discussão casual e despreocupada sobre os mais diversos temas de quadrinhos. Esta primeira postagem começa com a seguinte pergunta:

 
Para você, qual a fase mais interessante dos X-MEN?
 
Guido: Novos X-Men, de Grant Morrison e Frank Quitely.

A polêmica fase do roteirista escocês a frente dos filhos do átomo trouxe de volta a sensação e a expectativa de histórias complexas a cada mês. Morrison resgatou personagens antigos, criou novos e deu uma profundidade e personalidade a cada um, notável pelos novos uniformes, pelo traço de Frank Quitely e pelos diálogos. Por exemplo, Scott Summers (Ciclope) passou por uma crise existencial, se questionando sobre nunca ter podido ser alguem diferente de um super herói, um líder e um exemplo. Seu escape acontece com Emma Frost, a Rainha Branca, de quem nunca sabemos o que esperar. 
 
Traição, genocídio, aborto, rebeldia e drogas são alguns dos temas nunca antes abordados nas páginas dos mutantes, mas que o escocês acertou e muito em abordar. Por quê? Se você prefere ler os arcos de histórias separadamente, pode se encantar com algumas delas, e com seus personagens, mas a questão é que Morrison é campeão em fazer uma trama paralela por trás de tudo, que disperta diversas interpretações.
 
Com Novos X-Men, o roteirista quis nos ensinar que é hora de continuarmos em frente, deixarmos de andar em círculos. Seus personagens são de certa forma alegorias dos indivíduos envolvidos com um gibi. Em um dos múltiplos entendimentos possíveis, podemos ver John Sublime como os editores que "bloqueiam a evolução" dos gibis, forçando reboots e histórias que reinventam tudo que um dia foi criado, ao invés de aceitar e seguir em frente. Emma Frost, de certa forma representaria o próprio escritor, chacoalhando o grupo de mutantes. Cassandra Nova, por sua vez mostra um pouco dos novos leitores, que chegam neste momento a mitoliga dos X-men e estão programados para aprender, controlados pelos editores. Há quem diga que Magneto e Professor Xavier são alegorias a outros roteiristas famosos pelos X-Men, como Chris Claremont.
 
A questão é que, apesar de a idéia ser genial, a megalomania de Morrison acabou estragando um pouco este show. Algumas histórias chegam a ser exageradas, e alguns momentos são críticos de mais. A história final, que encerra sua passagem é uma visão alternativa do futuro, que tem como exato objetivo fechar o ciclo e deixar o barco para o próximo roteirista recomeçar tudo, ressucitando os colantes, os personagens e histórias antigas. Para mim ficou a mensagem de que já tivemos muitas histórias clássicas, mas é hora de deixá-las para trás e trabalharmos novas idéias, como os temas exemplificados a cima. Ame ou odeie, Morrison de fato consegue trazer múltiplos questionamentos, é isso o que admiro nele.
 
"O" Dan: Novos X-Men, de Grant Morrison e Frank Quitely.

Concordo com o Guido, a fase de Morrison a frente dos mutantes trouxe histórias insanas e variadas, fugindo da formula de vilões recorrentes e sagas desnecessárias pela qual vinha passando ( Os 12 e Eve of Destruction são um bons exemplos de sagas que não gostei). Morrison salvou os mutantes da fraca fase que vinham passando e chegou mudando uniformes, atitudes e vilões. Acabando com Genosha e finalmente transformando a mansão Xavier num instituto educacional. 
Cassandra Nova se tornou um dos vilões que mais curti nos X-Men, e o final de E de extinção (1º arco) foi apoteótico! 
Mas a cena que sempre vai estar em minha cabeça da fase Morrison, é Wolverine e Jean Grey num asteroide em direção ao sol. A ação que Logan toma para não deixar Jean sofrer foi bem fiel ao personagem e ao que ele sente por ela.
Outras fases que gosto muito, são; a "X-Force" com Logan no comando e "Wolverine e os X-Men" que ainda será publicado no Brasil.
 
Edimário: Surpreendentes X-Men, de Joss Whedon e John Cassaday.

Sou suspeito em falar das obras de Morrison, creio que o mérito dele se inicia em extrapolar um conceito e depois faze-lo crescer por diferentes lados e ideias. Ele foi o melhor autor para poder aproximar a série mensal com o que vinha sendo produzido nos filmes, reestruturando a escola e trazendo um ar mais contra-cultural ao universo mutante.
 
Entretanto, para mim a dupla Whedon e Cassaday trouxe a fase mais marcante em toda a minha história com os X-Men. Não criaram nada novo, não deixaram de usar vícios recorrentes aos quadrinhos norte-americanos, mas souberam contar uma história de forma convincente e totalmente apaixonante. Whedon é um cara que tem um ótimo timing narrativo, tanto na TV, no cinema e nos quadrinhos. Consegue criar bons dialogos e sabe trabalhar a essência dos personagens. Junto a isso, temos Cassaday que é um artista muito bem-sucedido em transmitir mensagens em atos, com passagens que são pura poesia gráfica. No retorno de Colossus, por exemplo, faz com que o russo transpasse pela atônita Kitty Pride (com uma singela mão no coração) como se ele fosse um verdadeiro fantasma perdido nos erros editoriais da história. Vale salientar que foi nesse momento que finalmente enxerguei o anacrônismo de uma discussão sobre os quadrinhos de super-heróis: ressuscitar já está inserido nesta mídia especifica da mesma maneira que em uma novela existem irmãos separados no nascimento e rôbos gigantes em seriados super-sentai. A questão é como ocorre esse retorno e para quê. Com Colosssus, por exemplo, não existe o que reclamar.
 
Além disso, temos ideias e conceitos muito bem pensados para o universo mutante, sem nenhum pudor em requalificar ou reconstruir velhos estigmas dos escritores passados. Emma Frost pode ter se regenerado, mas sempre será uma vilã na sua alma. Kitty Pride é a eterna sonhadora dos melhores tempos que nunca existiram, Ciclope carrega a alma de um jovem soldado em uma eterna guerra e Wolverine…, bem, a cena da cerveja diz tudo e mais um pouco sobre ele.
 
Vale destacar também os novos personagens como Abigail Brand e a complexa agência E.S.P.A.D.A., a anti-vilã Perigo (que remete a velha questão não muito bem explorada pela dupla Lee/Kirby sobre a integridade moral do Professor Xavier) e a novata Armadura, que ocasiona divertidos diálogos no conflito de gerações do grupo. No mais, bons roteiros com antigos vilões, plots interessantes que ficaram nas entrelinhas e um final apoteótico me fizeram declinar para que essa dupla seja a mais marcante para mim nos X-Men.
 
Marcello: X-Men, de Chris Claremont e John Byrne.

Sou fã assumido e hoje pouco assíduo dos X-Men. Se hoje estou escrevendo esse texto a culpa é de um cara chamado Chris Claremont. Apesar de ter contato com gibis desde sempre, considero o marco inicial da minha jornada nos quadrinhos quando comprei uma edição de SuperAventuras Marvel que trazia uma aventura dos X-Men escrita por Claremont e desenhada por Brent Anderson. Dali eu fui atrás de outras histórias dos "Xis"-Men e me deparei com a fase Claremont e John Byrne. Aquilo foi demais para minha cabeça juvenil. Aqueles heróis que o mundo tratava como vilões (e que no mundo real eram então personagens absolutamente obscuros, pelo menos no Brasil), com todos os personagens extremamente bem construídos, com seus dilemas morais crises existenciais,  e ação até mandar parar. 
 
Concordo que os X-Men tiveram outras grandes fases antes de depois da dupla Claremont e Byrne e só pra citar algumas: Roy Thomas e Neal Adams, Grant Morisson e um monte de outros desenhistas, Joe Casey e Sean Phillips (que foi publicada na mesma época da fase do Morisson, era muitíssimo melhor mas nem um pouco badalada), Joss Whedon e John Cassaday, além do próprio Claremont ter mantido alto nível das histórias também com outros desenhistas, como Dave Cockrum, Paul Smith, John Romita Jr., Marc Silvestre e Jim Lee, Mas foi sem dúvida a fase com John Byrne que ficou marcada para sempre como definidora do que seriam os personagens e muito dos quadrinhos de super-heróis nas próximas décadas. Bom lembrar que estamos falando de histórias criadas no final da década de 70 e início da de 80, que permanecem atuais e empolgantes até hoje, tendo envelhecido muito bem (talvez, exceto pelo número excessivo de recordatórios) como poucos quadrinhos.
 
Sérgio: Do surgimento da Fênix a morte de Jean Grey, vários artistas.

Eu não acompanho os X-Men há tanto tempo que pra mim a melhor fase é a das histórias entre o surgimento da Fênix e o desfecho com a morte de Jean Grey pra conter a Fênix Negra. 
Depois disso, o pouco que folheei dos X-Men me apresentou algumas coisas interessantes, mas nada me chamou a atenção em especial. Quer dizer, tirando o encheção de saco das sucessivas mortes e retornos da Fênix e de Magneto, além das constantes trocas de lado dos personagens – especialmente dos vilões virando mocinhos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.