CaptureComprei Holy Terror. E finalmente li essa porcaria. Por quê? Pois precisava ver com meu próprios olhos e tirar minhas próprias conclusões. A HQ é realmente – e extremamente – ruim, mas longe de não ter nenhum valor. 

O grande escritor de Batman – O Cavaleiro das Trevas, Sin City e Demolidor: A Queda de Murdock (entre outros), de repente não é capaz de escrever mais nada de bom. O Cavaleiro das Trevas 2 seria a tampa da privada, por onde desceram All Star Batman, o filme do Spirit e agora Holy Terror. Holy Shit, Frank!

Holy Terror traz um genérico Batman combatendo a Al Qaeda (por isso o trocadilho do título, em homenagem as frases ditas pelo Robin no seriado dos anos 60), cheio de preconceitos, ideias rasas e clichês absurdos. Se você quer uma boa análise sobre esta HQ, visite este post do blog Terrazero. Vale observar o comentário deles também sobre 300.

Mas sou fã que não desiste de Frank. Não aceito que o crítico e complexo Miller tenha se tornado ignorante e raso. E se Frank agora quer chocar pelo contrário? Será mesmo que essa propaganda política descarada que é Holy Terror é mais efetiva do que um documentário de Michael Moore? Digo, valia realmente esta tentativa dele? Bem, eu sei que muitos americanos – e não só eles – pensam de acordo com a ideologia proposta em Holy Terror. Mas será que ao tomar partido dela, tão cruamente e tão cegamente, Frank Miller não está querendo apenas atrair nossa atenção, nossas reflexões e nossos questionamentos sobre o tema? 

Há quem diga que Cavaleiro das Trevas 2 foi realizado apenas com o intuito de mostrar que os fãs e as editoras não deveriam forçar continuações que simplesmente não tinham que acontecer. Será que Frank dirigiu Spirit apenas para mostrar que certos quadrinhos não devem ser adaptados para o cinema?

Não acho que tenha sido nenhum dos casos, mas também não acredito que um leitor de Frank das antigas possa ser influenciado negativamente por seus novos trabalhos. Foi ele quem nos ajudou a interpretar histórias de super heróis criticamente, foi ele quem adicionou complexidade a tudo. Como quer nos levar por ingênuos empurrando Holy Terror goela abaixo? Por isso desconfio das reais intenções do autor. Se você é fã desde o início, tornou-se apto com o tempo a interpretar o que ele nos manda agora. Não há como ele querer nos convencer com o que tem feito, então por que ele tenta? Se Frank concorda com tudo que ele mesmo tem publicado, não sei. Será que caducou? Acho que tem feito trabalhos de mau gosto, mas ainda sim com um grande valor de reflexão.

 

 

 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.