No começo eram as artes, como a dança, escultura, literatura, música, pintura e teatro. E as artes eram boas e todas eram iguais aos olhos dos criadores. As artes existiam e faziam com que os apreciadores se sentissem um pouco mais humanos e com que os criadores se sentissem plenos. E isso era bom. E isso bastava.

Mas o homem, em sua infinita insatisfação e busca por expressão, inventou o cinema. E o cinema maravilhou apreciadores e encantou criadores. E Ricciotto Canudo o considerou a mais completa das artes, pois englobava todas as outras artes. E em 1923 publicou o "Manifesto das Sete artes" organizando-as da seguinte forma:

1ª Arte – Música (som);

2ª Arte – Dança/Coreografia (movimento);

3ª Arte – Pintura (cor);

4ª Arte – Escultura (volume);

5ª Arte – Teatro (representação);

6ª Arte – Literatura (palavra);

7ª Arte – Cinema (integra os elementos das artes anteriores).

A partir daí as artes passaram a ter classificação e a serem vistas tanto por apreciadores quanto por criadores com olhos cartesianos. E quando Canudo chegou à clareira no final da estrada, outros homens continuaram seu trabalho de sistematização das artes:

8ª Arte – Fotografia (imagem);

9ª Arte – Quadrinhos (cor, palavra, imagem);

10ª Arte – Jogos de Computador e de Vídeo (no mínimo integra as 1ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª arte);

11ª Arte – Arte digital (integra artes gráficas computorizadas 2D, 3D e programação).

Mas com a classificação também veio a divergência: alguns acharam que o teatro deveria ser colocado antes da literatura. Outros acham que a televisão poderia ser a oitava arte, ou até mesmo a nona arte!

Mas os quadrinhos, que começaram como entretenimento simples, barato e de massa, evoluíram e se estabeleceram definitivamente como arte. E como arte se apresentam ao mundo, como a nona arte!.

— Sergio Barretto teve um passado nebuloso sobre o qual nunca fala. Ninguém sabe ao certo o que ele fazia, mas alguns indícios de ações secretas e aterradoras já desestimularam muita agente a continuar investigando. Hoje é um homem sério, cumpridor de seus deveres e apaixonado por histórias em quadrinhos desde que se entende por gente, e a cada ano faz mais tempo que ele se entende por gente. Faz parte do Quadro a Quadro desde sua criação e costuma ser gente boa, mas as vezes passa a impressão de que seu passado sombrio pode retornar a qualquer momento, pondo a todos em perigo.