Pensar nos super heróis norte-americanos nunca foi somente falar sobre os quadrinhos onde se originaram. Passeando por outros produtos culturais como o cinema, a TV e os games, esse segmento sempre consegue ser reimaginado para outros públicos e seguir forte na solidificação de seus símbolos na cultura pop mundial. Mesmo que  hoje se viva um momento delicado em sua “mídia original”, é interessante ver como algumas reencarnações desses personagens trazem um valor diferente e enriquecem a própria indústria da arte sequencial.

Sendo assim, é gratificante vermos quando uma dessas obras é imaginada de maneira tão específica, mas ao mesmo tempo cheia de cuidado com o terreno de onde bebe suas referências. Esse é o caso da série Tiny Titans, concebida para crianças, mas apreciada por todos aqueles que conhecem o universo do grupo.

Iniciada em 2008, a revista é uma brincadeira com toda a história dos Novos Titãs e o seu conceito de “união dos ajudantes de super-heróis” ou Sidekicks. Com isso, somos apresentados a um grupo de crianças super-poderosas e suas desventuras na “Escola primária dos Ajudantes”, onde devem lidar com o método de ensino do Diretor Slade ou com a turminha de encrenqueiros do Quinteto Mortal e sua eterna concorrência pelo parquinho.

 

Escrita por Franco Aureliani e Art Baltazar (que também desenha), as histórias são verdadeiramente voltadas para as crianças. Não se fala de luta pelo crime ou de pelejas do bem contra o mal. É um panorama infantil e leve, onde se enxerga um mundo em que suas maiores “preocupações” se voltam para o clube da casa da árvore, limpar os quartos, tirar notas boas e fazer novos amigos. Diferente, por exemplo, das tiras Mini-Marvels que mesmo apresentando clássicos heróis da Casa das Ideias como guris, não é focado para este público.

Além disso, para quem é fã de carteirinha da DC (ou que algum dia já ouviu falar de alguns desses personagens), a mágica da série também acontece de outra forma. Existe um grande número de referencias a toda a cronologia do supergrupo e os milhares de personagens que já andaram pelo título, desde os Titãs da Costa Leste até os vilões que atormentaram a equipe por anos, tudo encarnado com um humor primoroso e muito inteligente.

 

Algumas piadas até chegam a “tirar sarro” das inserções da editora em outras mídias, como o cinema ou as séries de TV. Tudo feito de uma forma simples e divertida, com 4 a 5 mini-histórias por edição e um traço bem cartunesco, que ajuda na concepção de um desenho animado em quadrinhos.

Vencedor por dois anos na categoria de Melhor Publicação para Crianças no Eisner Awards (2009, 2011), Tiny Titans não é somente uma obra infantil, é um exemplo bem-sucedido de que mesmo as adaptações mais descompromissadas podem proporcionar as melhores encarnações de um determinado ícone pop.

PS: Ainda inédito no Brasil, Tiny Titans faz parte do selo “Johnny DC”, que tem os seus direitos de publicação no país pela Editora Abril. Com o lançamento recente de “As Aventuras do Superman”, “Liga da Justiça Sem Limites”, “Batman – Os Bravos e Destemidos” e “Os Jovens Titãs”, parece ser questão de tempo para que a empresa traga esse premiado título para as bancas.

 

— é soteropolitano do condado de Brotas, o lendário bairro-cidade da capital Baiana. Lê e comenta sobre quadrinhos dos mais variados, além de ser aficionado por futebol em todos os níveis, desde uma final de Champions League a um confronto entre Butão e Montserrat. Sua eterna crença em times inexpressivos foi nomeada pelos amigos twitteiros de #momentoedimario… Além disso, acompanha qualquer seriado sci-fi de qualquer parte do globo, e sempre é fascinado por qualquer cronologia possível, até em novelas. Alguns dizem que pode viajar entre os multiversos apenas atravessando as ladeiras brotenses, outros que faz parte do conselho interdimensional e tem passe livre para navegar entre a matéria e a antimatéria. Relatos de sua presença em lugares como Paris, Tóquio, Nova York, Attilan, M-78, Rann e Trill são conhecidos, mas nunca foram confirmados.