meu_pai_e_um_homem_da_montanha1Falar do pai é sempre um assunto delicado. Conflitante em umas situações, noutras tantas é afetuosa, mas na maioria das vezes é uma onda de sentimentos e sensações que convergem e divergem. Afinal, muitos, amigo leitor, conhecem ou já tiveram contato com a figura paterna, já outros nem tem noção dessa pessoa na vida.

No Quadrinho “Meu pai é um homem da montanha” (Bianca Pinheiro, desenhos, Gregório Bert, roteiro), não é diferente. O noir dá o tom da trama de uma moça, que retrata a relação tão forte com o passado paterno, cuja essência está na morada nas montanhas.

Outrora, a então menina dividia com o seu pai-herói as caçadas e brincadeiras com galhos e folhas. Bonequinhos que tinham tanto significado e significância para ambos.

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Agora, a atarefada mulher – e desprendida fisicamente dessa figura paterna (não pelo coração, diga-se) – descobre a necessidade desse resgate, mesmo que a rotina e o passar dos anos a consuma. Afinal, para ter fragmentos de futuro, é preciso abrigar esses resgates, sem o resquício de vítima, verificar o que falta alinhavar e seguir em frente. É assim, resumidamente, a nossa evolução neste mundo.

Que desfecho essa mulher terá? E o de seu pai?

Esses mistérios, como os das montanhas, estão em nossas mãos, como a mesma sutileza que a vida nos reserva. E Bianca e Gregório só deram forma e traço para este relacionamento tão diverso que povoa a nossa existência.   

Quando terminei de ler esta HQ, logo lembrei da bela canção “Father and Son”, de Cat Stevens. Ela reflete bem a toada de “Meu pai é…”, vale a pena ouvi-la, depois de ler a HQ.

— Jornalista freelancer, moradora de S. Miguel Paulista - SP e também colabora para o portal Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br). Nas horas vagas, lê Quadrinhos. Nas outras também. Mais em http://twitter.com/keliv1