Vamos voltar no tempo… Láááá pra 2011. Quando a DC anuncio Os Novos 52, como foi chamada uma série de ações adotadas pela editora para promover o relançamento de toda a sua linha editorial, incluindo séries que vinham sendo publicadas continuadamente há mais de 70 anos, como Action Comics, Batman e Detective Comics. A editora anunciou que todas as suas revistas passariam a adotar, a partir de Setembro de 2011, uma nova numeração e assim promoveu a atualização de todos os seus personagens, alterando várias de suas características, atraindo grande atenção da mídia especializada. 

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Com o passar dos anos o fator novidade foi se esvaindo e a DC, foi perdendo mais espaço nas vendas para Marvel (ainda mais no ultimo ano em que a Casa das Ideias passou a publicar títulos do universo Star Wars), enquanto a Image vinha ganhando mais notoriedade. O fato é que os Novos 52 nunca agradou a todos e estabeleceu uma relação de amor e ódio com os leitores durante os últimos cinco anos. Hoje 25 de maio de 2016, sai à primeira edição de Rebirth, que vai marcar o início de uma nova fase editorial da DC Comics. Uma nova (nem tanto) reformulação na linha editorial. Os Novos 52 vão para o limbo, mas não será esquecido tão cedo. A iniciativa teve seus bons e maus momentos e nessa matéria vou abordar alguns titulo e decisões que me desagradaram.

Editores Ruins

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Bob Harras foi nomeado editor-chefe da DC em 2010 (se não me engano), antes disso ele ocupou o mesmo cargo na Marvel entre 1995 e 2000. Quando Harras assumiu o cargo a Marvel já não estava bem das pernas, mas durante seu mandato a situação financeira da editora se agravou. Harras supervisionou títulos aclamados pela crítica na epoca como Demolidor e Capitão América, mas também supervisionou bombas como "A Era do Apocalise" (sejamos sinceros a maior parte dessa saga é intragável) e a temida "Saga do Clone", e colecionou inimizades como a do roteirista Mark Waid que já o chamou publicamente de incompetente. Não parece a pessoa mais indicada para o cargo. Apesar de ter assumido o cargo antes dos Novos 52, acho difícil não acreditar que Harras não seja um dos culpados por algumas das cagadas cometidas pela DC. Claro que ele não deve levar a culpa sozinho basta lembrarmos que no inicio a forte linha editorial, que ainda estava definindo o que seria feito e divergindo criativamente com os autores. George Perez reclamava que não conseguia manter a qualidade de seu trabalho, pois o editorial não conseguia traçar um plano para o Superman ao mesmo tempo em que cobrava prazos severamente.

Novos uniformes pelas mãos de Jim Lee

[caption id="attachment_29019" align="alignnone" width="225"]O Liefeld ia ter que desenhar issoO Liefeld ia ter que desenhar isso

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O Liefeld ia ter que desenhar isso

O Liefeld ia ter que desenhar isso

 

Lee foi o responsável pela reimaginação dos uniformes dos Heróis. Alguns ficaram bons (Flash), uns não mudaram ou não tiveram mudanças significativas (Guy Gardner), outros pareciam presos nos exageros dos anos 90. Quase todos tinham uma espécie de Neon em suas roupas ou armaduras cheias de detalhes inúteis tipo o Meia Noite do Stormwatch, e o Exterminador cheio das burundangas.

 

Rob Liefeld

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O nome fala por si não é? Até entendo que tenham dado a oportunidade pro Robinho da massa. Todo titulo que ele assume é que nem um acidente carro: Todo mundo para pra olhar. Obvio que a curiosade não dura muito, pois é afugentada pelos desenhos ou pelo "belo" roteiro. “Rapina e Columba” tinha o roteiro pouco inspirado de Sterling Gates e desenhos do Robinho. Obviamente não vingou e foi cancelada na edição 8. Quanto ao Exterminador, o personagem teve uma fase ruim nas mãos do roteirista Kyle Higgs, e na edição 9 na esperança de salvar o titulo jogaram a peteca nas mãos do Robinho dessa vez nos roteiros e desenhos. Obviamente foi uma aposta errada que durou umas 4 ou 5 edições.

 

Tentando te pescar usando a memória afetiva como isca

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Convergência foi um evento tapa buraco enquanto a editora mudava de sede. Como um tapa buraco não dava pra esperar muita coisa. Mas para aumentar às expectativas dos leitores (e consequentemente as vendas) a saga apelava para a nostalgia apresentando muitas histórias com os personagens pré Flashpoint e Pré Crise nas Infinitas Terras. Aqui vou dar uma cagada de regra. Só li a edição dedicada ao Capitão Marvel e a do Superman, e tirando o Super do Dan Jurges as outras HQs eram fraquíssimas. E pelo o que li há respeito dos outros títulos, a maioria deixou a desejar.

O trio maldito: Scott Lobdell, Howard Mackie e Fabian Niciesa

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Lobdell é responsável por uma das piores fases dos X-Men, Tropa Alfa, X-Factor, Demolidor e sabe-se lá mais o que ele escreveu e eu não li. O pior de tudo é que deram a essa cara a missão de reformular os Jovens Titãs, sem que os personagens adolescentes tivessem conexão com seus mentores. Uma tarefa de merda não é mesmo? Obvio que o resultado não foi bom. E ainda teve os Ravagers, um spin-off dos Titãs que parece ser a X-Force do Rob Liefeld. O titulo era escrito por Howard Mackie, responsável pela pior fase do Homem-Aranha (como se não bastasse só ter escrito alguns arcos de A era do Apocalipse e A saga do Clone). E pra finalizar teve Fabian Niciesa escrevendo "Legião Perdida". Talvez o roteirista argentino seja o melhor desses 3 (o que não quer dizer muita coisa), mas nem me arrisquei com esse titulo da Legião.

O casal Finch 

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David Finch além de desenhar dividiu os roteiros com Paul Jenkins no titulo Batman: The Dark Knight. O resultado? O pior titulo do universo do homem morcego. Mas não parou por aí… Depois da aclamada fase de Brian Azzarello a frente do titulo da Mulher Maravilha, Meredith e seu marido David Finch jogaram tudo por agua abaixo.

A fase do casal Finch, foi tão horrenda quanto a Mulher Maravilha artista marcial com mentor chinês lá dos anos 70 escrita pelo Denny O'Neil.

Ethan Van Sciver brincando de ser roteirista

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Sciver é um cara que não gosto nem como desenhista (odivava o Wolverine dele que mudadava de aparência a cada edição em Novos X-Men), dividiu os roteiros do Nuclear com a velha de guerra Gail Simone. Simone de uns tempos pra cá ganhou certa notoriedade, mas francamente nunca me convenceu como roteirista (basta lembrar-se das suas sofríveis passagens pelas Aves de Rapina e Mulher Maravilha). Juntos entregam um roteiro confuso e cheio de pontas soltas. 

Vale ou não vale

Os editores insistiram no erro da reformulação pós-Crise e manter algumas cronologias como a do Batman e Lanterna verde. Obviamente isso atrapalhou alguns títulos como o já citado Jovens Titãs.

Não saber aproveitar o material incorporado da Wildstorm

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Ok… A Wildstorm tinha coisa muito ruim tipo o Bandoleiro, mas era de se esperar que dessem uma abordagem melhor que aquela galhofada lá dos anos 90. Voodoo começou esquecida e terminou ainda mais esquecida. O Bandoleiro nem devia ter saído do buraco onde estava no fim do século passado. E o Stormwach, pra mim até começou bem com roteiros do Paul Cornell (responsável por um dos meus arcos preferidos de Doctor Who) e uma verdadeira dança das cadeiras com desenhistas. A qualidade foi despencando e passaram a batata quente para o grande Jim Starlim. Detalhe que não demorou muito pra chutarem os uniformes criados pelo Jim Lee. Inacreditavelmente Starlin conseguiu entregar um arco ainda pior que os anteriores. E lá se vai o Stormwach escorregando para o abismo do esquecimento…

Massacrando as criações do Rei Jack Kirby

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Dan Didio transformou OMAC em um Hulk genérico e não satisfeito foi foder o Quarto Mundo no titulo Homem Infinito e o Povo do Amanhã. E ainda teve o Robert Venditti estragando os Novos Deuses no sofrível titulo do Lanterna Verde (que pra mim já estava sofrível muuuuuito antes disso).

Ufa! Até que deu muita coisa e olha que deixei de fora os escândalos sobre abuso sexual, onda de cancelamentos, e umas paradas tipo a saga Caça-níqueis "Fim dos tempos". Com Rebirth vêm à esperança de uma DC melhor. E torcemos pra isso já que a editora contratou o Jonathan Hickman, quem sabe ele puxa o tapete do Geoff Johns que nem puxou o do Brian Bendis. HEHE
*Mas pra não perder o costume a DC já incorporou Watchmen ao universo regular e ainda revelou que existem 3 Coringas. DC está a 0 dias sem fazer merda. 

 

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— Beto Magnun quando criança queria se tornar membro dos Novos Titãs e dos X-men, mas com o passar dos anos, acabou se tornando uma das pessoas invisíveis das histórias do Will Eisner.