Atrócitus se tornou líder dos lanternas vermelhos durante as histórias que precederam A noite mais densa. Durante a saga, tropas multicoloridas se formaram, nas quais cada representante era representante de um sentimento do espectro emocional. A ira, simbolizada pelo vermelho era uma das mais destrutivas e irreversíveis forças do universo, queimando tudo o que tocava, com uma sede de vingança incontrolável.

A noite passou, o dia nasceu e os tempos se acalmaram (pelo menos um pouco). E agora as preocupações de Atrócitus se voltam para sua tropa, sua influência sobre os membros e o mais importante: sua importância e sua motivação para lutar. 

Espera, calma, estão regenerando a tropa vermelha? Se o alien mais irado da DC está buscando um novo propósito, bem, isso não é nada mais do que a força de vontade de buscar algo em que se acredita… esse vermelho tá ficando verde…

O Mix Tropa dos Lanternas Vermelhos compila as 7 primeiras edições do título publicado nos EUA entre os Novos 52. Por mais que a premissa pareça estranha, a equipe de criação é boa (Peter Milligan nos roteiros e Ed Benes nos desenhos) e consegue criar histórias equilibradas, de bom nível e que prendem a atenção. Esse era o tipo de publicação que eu gostaria de ler associadas as grandes sagas, e não aqueles títulos malucos que discutem a repercussão dos acontecidos principais na vida de personagens totalmente secundários. No mais, o fato de a Panini lançar no Brasil a Tropa dos Lanternas Vermelhos em um encadernado único, e não complementando o Mix do Lanterna Verde, acaba por funcionar bem. O argumento é praticamente independente, e não há nada melhor do que ler um arco todo de uma vez.

Contando mais um pouquinho da história para instigar os leitores: Em meio a suas reflexões, temos um pouco do passado de Atrócitus revelado. O massacre de seu povo pelos impiedosos caçadores cósmicos controlados por Krona, o Guardião do Universo renegado, é novamente relembrado. Aliás, o Alien de Ryut agora possui uma relação de amor e ódio com seu algoz que é no mínimo bizarra, meio que Krona é o chamariz da Ira interna de Atrócitus. Se o grandão perder o baixinho, sua força se esvai… E a rebobinada bizarra continua: antes do massacre, o tenebroso líder dos lanternas vermelhos era … psicólogo? Tudo normal, soa tão natural quanto dizer que Hitler, antes de ditador, foi um ferrenho defensor dos direitos humanos.

Brincadeiras a parte, esse contexto psicológico do protagonista é basicamente para elevar a importância de Bleez, a única lanterna vermelha notável. Atrócitus começa a temer sua perda de poder e influência, e acaba decidindo dar a dádiva da consciência a Bleez e outros lanternas. O líder, através de seu medo crescente se tornou cada vez mais fraco e inseguro, temendo agora ser traído! E pra compensar, Krona, sua fonte de poder, sumiu. O que acontecerá com Atrócitus, teremos um novo líder?

Ah, mas é aí que vem a melhor parte. Se eu estou lendo uma história atrelada ao Lanterna Verde, é porque eu quero ver os defensores do setor 2814 nas páginas da minha revista! E quem poderia aparecer num gibi desse tema? Guy Gardner, é claro, o único lanterna a usar o anel vermelho e conseguir se purificar. Mas quem chama o Guy pra história é um novo membro da tropa da ira, e desta vez é um terráqueo! E o combate entre os dois trará Gardner tentando acalmar o novo oponente numa luta travada que está cada vez mais confusa, mas que tá legal pra caramba! O mix valeu a pena, mas quero mais Guy Gardner, Atrócitus e Lanterna Vermelho terráqueo (que eu não vou dar spoiler com o nome) se quebrando, e menos psicologia barata. 

"Com sangue e ira de um vermelho ardente
Arrancado à força de um cadáver ainda quente
Somado ao nosso ódio que arde infernal
Queimando a todos
Eis o destino final!"

Juramento da tropa dos Lanternas Vermelhos


 

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.