Ok, sei que alguns vão achar um enorme exagero de minha parte afirmar o reembolso por insatisfação. Mas acontece que comparado com os dois títulos dos Novos 52 que eu já li, Batman e A Sombra do Batman, Dark #1 empolga. E muito!

O mix, definido pela DC/Panini como "Um lugar em que os adorados personagens cult/clássicos da editora, como John Constantine, Homem-Animal e Monstro do Pântano podem ser livres para viver histórias bem mais densas e perturbadoras do que as de seus colegas de capa e colantes coloridos, e mesmo assim encontrá-los ocasionalmente.". Para mim esta definição pareceu uma espécie de universo Vertigo light, mas ao ler a primeira história entendi o conceito e até acho que pode funcionar.

Justice League Dark 1Justice League Dark #1 – Peter Miligan | Mikel Janin | Ulisses Areola

Reunir personagens mágicos (como Madame XanaduZatana e Constantine) com um desajustados (Shade) e chamar o resultado de Liga da Justiça Dark é forçar a barra. Mas os caras trouxeram de volta o Shade (criado por Steve Ditko e brilhantemente reformulado pelo selo Vertigo)! Nesta história a Liga da Justiça, especificamente Superman, Mulher-Maravilha e Cyborg, quase morrem tentando deter uma bruxa e a turma da magia começa a se reunir pra lidar com o problema. Achei uma boa história de abertura de arco e ainda temos a aparição discreta da misteriosa figura que também surgiu em Batman & Robin #1.

Animal Man 1

 

Animal Man #1 – Jeff Lemire | Travel Foreman | Dan Green

O povo que escreve as histórias da Batfamília deveria pegar esta história como referência pra abertuira de um arco. Começa com o texto de uma entrevista com o Homem-Animal e prende você o tempo inteiro, mostrando a vida civil de Buddy Baker e como sua família lida com seu trabalho de herói. O final assustador deixa você ansioso pela próxima história. Um detalhe da arte que foi comentado pelo Marcello Fontana: ela começa simples, bem leve, e vai ficando mais pesada à medida que a história fica mais densa.

 

RessuRessurrection Man 1rrection Man #1 – Dan Abnett & Andy Lanning | Fernando Dagnino | Santi Arcas

Sempre que o protagonista desta série morre, retorna do pós-vida com um poder diferente e uma "missão" que normalmente descobre seguindo suas compulsões. Nesta primeira história ele precisa escapar das forças ocultas que estão a sua procura: o pessoal lá de cima e o escritório do porão. A história não é das piores (nem das melhores) e a arte escorrega um pouco – Madame Xanadu dá as caras na última página.

 

I, Vampire 1

I, Vampire #1 – Joshua Hale Fialkov | Andrea Sorrentino | Marcelo Maiolo

Sou altamente suspeito pra falar de histórias de Vampiro, pois sou fã do mito desde que (ainda garoto) assistia aos filmes de Drácula estrelados por  Christopher Lee (na TV, não sou tão velho pra ter assistido no cinema). E Eu, Vampiro não é uma história ruim, ela é até interessante e tem umas sacadas bem legais, como uma referência aos supers do mundo não permitirem uma invasão vampírica em larga escala. Gostei da arte e a cor dá o tom sombrio que uma história de vampiros precisa.

 

Swamp Thing 1Swamp Thing #1 – Scott Snyder | Yanick Paquette | Nathan Fairbairn

O Monstro do Pântano foi o segundo motivo pelo qual comprei a Dark, o primeiro foi o Homem-Animal. E ele foi o segundo por que depois do fiasco que foi O Dia Mais Claro, e em seguida aquela história bisonha onde Constantine precisa convencer Alec Holland a voltar a ser o Monstro do Pântano, eu dava o personagem como morto e enterrado. Mas sabe como é a curiosidade…

Tudo começa com um distúrbio sobrenatural de grandes proporções envolvendo a morte em massa de pombos (Metrópolis), morcegos (Gothan) e peixes (no mar), além de um fenômeno bizarro em uma escavação arqueológica. Enquanto isso, Alec Holland tenta levar uma vida normal trabalhando na construção civil, pois mesmo apartado de sua parte elemental ele ainda tem um elo sobrenatural com o verde. O roteiro te carrega pelas situações que aparentemente vão levar a uma catástrofe paranormal e a arte faz sua parte com galhardia. O final deixa a vontade de que o mês passe logo e espero que o Snyder conserte o inominável crime que a DC perpetrou com o personagem antes do reboot.

COMENTÁRIOS

Vou continuar acompanhando as revistas do Batman (pelo menos por enquanto) por que sou fã do personagem e acredito que o começo decepcionante pode ser corrigido. Mas Dark eu vou continuar comprando por que tem duas séries excelentes (Homem-Animal e Monstro do Pântano), uma que promete (Liga da Justiça Dark) e duas que não comprometem o saldo final (Eu, Vampiro e Ressurreição).

Neste mix a Panini adotou a estranha política de não colocar as capas originais no começo (ou final) das histórias, optando por disponibilizar uma galeria de capas. Como a tal galeria é uma folha de papel com duas capas espremidas na frente e mais duas no verso, perdemos a beleza das capas originais. Uma bola fora difícil de perdoar.

Saldo final e resumido (de 1 a 5): Justice League Dark #1 (4), Anima Man #1 (5), Ressurrection Man #1 (3), I, Vampire #1 (3), Swamp Thing #1 (5). Mix (4).

 

— Sergio Barretto teve um passado nebuloso sobre o qual nunca fala. Ninguém sabe ao certo o que ele fazia, mas alguns indícios de ações secretas e aterradoras já desestimularam muita agente a continuar investigando. Hoje é um homem sério, cumpridor de seus deveres e apaixonado por histórias em quadrinhos desde que se entende por gente, e a cada ano faz mais tempo que ele se entende por gente. Faz parte do Quadro a Quadro desde sua criação e costuma ser gente boa, mas as vezes passa a impressão de que seu passado sombrio pode retornar a qualquer momento, pondo a todos em perigo.