No ultimo dia 07, há exatos 189 anos, D. Pedro I cortava as relações de colonialismo do Brasil com Portugal. O Império brasileiro nascia como nação e precisava de elementos para constituir-se enquanto tal. Para isso, o romantismo literário ajudou com os mitos de fundação do povo brasileiro – as chamadas produções indianistas, como O Guarani, Iracema, I-Juca Pirama; Pedro Américo ajudou a construir uma versão mais “épica” da independência ao pintar o quadro Independência ou Morte; D. Pedro II fez o Brasil mais culto, construindo Universidades, Museus e estreitando os laços com o cenário cultural europeu. 

De lá pra cá o Brasil tem se construído, de uma forma particular, através das inúmeras produções e atitudes que o povo brasileiro tem para com o seu país.

Há quem diga que em nosso país a produção de histórias em quadrinhos não condiz com a realidade brasileira, o que sob certo ponto de vista pode ser verossimil. Não há como negar que a produção e consumo de HQ’s aqui no Brasil é feita muito sob a ótica do mercado norte-americano. 

Entretanto, existem aqueles que trabalharam e muitos que ainda trabalham para que os quadrinhos brasileiros tenha a cara que lhe é devida: a de Brasil. E dos meus poucos anos de pesquisador da área, fiz uma seleção daqueles que seriam os “heróis da independência dos quadrinhos brasileiros”, pessoas, produções e ações que trabalharam e trabalham para fortalecer o cenário de produção no Brasil.

 

O Tico-Tico (1905) – A revista O Tico-Tico foi a primeira a publicar histórias em quadrinhos no Brasil. Até então, os quadrinhos estavam restritos às páginas dos jornais.

Gibi (1939) – A publicação voltada para o público infanto-juvenil marcou muitas gerações a ponto de emprestar o título ao gênero (HQ), sendo que até hoje muitos conhecem as HQ’s apenas por essa denominação.

Colonnese, Shimamoto, Rosso e cia. – Com a queda da importação de títulos de terror, muitos artistas se destacaram na produção nacional, fazendo dos anos 60 a “era de ouro” dos quadrinhos de terror no Brasil.

Álvaro de Moya – Ele é apenas um dos organizadores da primeira exposição mundial sobre Histórias em Quadrinhos e do Shazam!, o primeiro livro teórico sobre o tema.

Maurício de Sousa – O homem é um herói: conseguiu estabelecer um mercado próprio,  sobrevivendo a muitas crises no mercado. Um verdadeiro facilitador para a iniciação de pessoas ao ato de ler.

Pasquim – Um dos porta-vozes da indignação social brasileira na época da ditadura militar, teve em suas publicações trabalhos do Heinfil, Ziraldo, Millor, Jaguar e que com muitos outros artistas, consolidaram o potêncial brasileiro para a produção de quadrinhos de cunho politico através do humor.

Los três amigos – Angeli, Glauco e Laerte firmaram a consolidação de humor iniciado pelo pessoal do Pasquim e tornaram-se referencia em produção de tiras.

Holy Avenger – Em uma época em que os comics americanos dominavam as bancas, uma discreta publicação no estilo mangá, oriunda de uma revista de rpg tomava forma e ganhava um publico leitor cada vez maior; criada por Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J.M. Trevisan, e ilustrada por Érica Awano, Holy Avenger trouxe um gás para a produção nacional e no fortalecimento do estilo oriental em terras tupiniquins.

Livraria HQMix – Sem querer desconsiderar as muitas outras lojas de quadrinhos Brasil afora, mas é extremamente louvável o incentivo e a dedicação que a livraria tem com a produção nacional, desde títulos em capa dura a produções independentes feitas na base da fotocopiadora. É possível respirar quadrinho nacional a cada centímetro quadrado da loja.

Observatório dos Quadrinhos – Atualmente, o maior centro de estudos acadêmicos sobre quadrinhos. Sediado na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), abriga muitos mestrandos e doutorandos que ajudam a solidificar o campo de estudos que há anos sofre um terrível preconceito em diversas universidades brasileiras.

 

Esta é apenas uma pequena seleção daqueles que estão frescos na memória, excluindo assim qualquer possibilidade de hierarquização diante de inúmeras outras iniciativas e pessoas que trabalham veementemente para tornar os quadrinhos brasileiros mais autonomos a exemplo de:

Projeto Continuum

Zine Brasil

Guia dos Quadrinhos

Quadrinho.com

 

e muitos outros que você, caro leitor, pode indicar também através dos comentários.

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.