Já que o mundo não acabou, é hora de rever o que de melhor foi publicado no Brasil, assim como fez aqui o Marcello. Relembrando que a lista é de acordo com meu gosto e minha opinião pessoal, que notavelmente difere dos outros quadrados. Além disso, ao abordar séries, priorizei arcos inteiros publicados no ano, não necessáriamente a série toda tem a mesma avaliação. Espero que gostem, e comentem!

12.Valente para todas

O segundo volume sobre o cãozinho mais humano dos quadrinhos está ainda melhor. Posso dizer com convicção que Vitor Caffagi domina a técnica artística para produzir álbuns como pouquíssimos tem feito: sensível, mas não piegas.

11. Astronauta: Magnetar

Primeiro e único volume do selo Graphic MSP a ser lançado em 2012, a HQ tem roteiros e arte de Danilo Beyruth e cores de Cris Peter. O álbum se baseia no personagem Astronauta, de Maurício de Souza, mas ao mesmo tempo apresenta a essência e as características inconfundíveis de Beyruth. É bom saber que o que irá encontrar é um estilo aventuresco despretensioso e um tom sobrenatural e reflexivo que dá o toque diferencial. A história entrega justamente o que eu esperava encontrar: mais do mesmo do trabalho do Danilo, o que pra mim é muito bom.

10. A máquina de Goldberg

A HQ já foi comentada por mim neste outro post. Mas um outro motivo para este quadrinho estar nesta lista é que a divertida história tem uma temática norte-americana, mas foi escrita por brasileiros e foi publicada aqui. Parabéns aos autores e a editora, pois conseguiram algo novo e que foi um grande acerto.

9. Monstros

O melhor trabalho de Gustavo Duarte até agora, contemplando-nos com mais páginas do que o costume, mas ainda deixando o gosto de quero mais. A narrativa muda do autor segue perfeita, e a arte característica segue impecável. Leia a resenha aqui.

8. O Eternauta

A clássica obra argentina, finalmente publicada no Brasil, é presença obrigatória na estante de qualquer colecionador. Ficção científica não está entre meus temas preferidos e histórias tão antigas também não me agradam tanto pela forma de narrativa. Mas O Eternauta consegue abordar conflitos e soluções de forma moderna até para os dias de hoje, e é referência para qualquer obra posterior do gênero. Aprecie com moderação, pois ler muito rápido pode acabar cansando um pouco e ao final trazer o sentimento: já acabou? No fim, só lamento que a edição poderia ter sido um pouco melhor. A capa mole sem contra-capa é bem abaixo do que a obra merecia.

7. Vampiro Americano – Arco Corrida da Morte (4 partes) – Publicado em Vertigo #32 a #36

O arco marca a entrada de Travis, um caçador de vampiro ao melhor estilo Rock n` Roll dos anos 50. O personagem é o melhor que Scott Snyder já criou desde Skinner Sweet, e dá novo gás a série, que vinha oscilando bastante. É o melhor arco de Vampiro Americano, na minha opinião, e arte do brasileiro Rafael Albuquerque também está no auge.

6. 100 Balas – Volume 9 – Noites de Jazz

Este arco, ambientando em New Orleans, aborda o personagem Wylie Times, um dos mais interessantes minute man. Além disso, o Jazz entra no inconsciente como uma trilha sonora constante, e o saxofonista Gabe entra pra história como um dos melhores personagens coadjuvantes até agora.

 

5. Bourbon Street: Os Fantasmas de Cornelius

Assim como o álbum que citei para 100 Balas, Bourbon Street também se baseia no Jazz de New Orleans para nos trazer uma das mais belas histórias sobre música, sonhos e memórias. Apesar de se passar nos EUA, a HQ é de origem européia e vem em uma grande edição, mais um ótimo trabalho feito pela editora. Apesar de ter sido lançada na França em 2011, chegou ao Brasil este ano e tem sua continuação prevista para 2013

4. Escalpo – Mundo Roído (5 partes) – Publicado em Vertigo #29 a #33

A série de Jason Aaron é uma das melhores e uma das mais constantes publicações da Vertigo, e aborda com um realismo e complexidade seus personagens de forma pouco comum. Neste arco, tudo que Aaron vinha construíndo até agora chega em um ponto sem retorno, onde o protagonista Dashiell Cavalo Ruim terá que tomar decisões e arcar com suas consequências. Tensão, suspense e emoção sangrando pela pele dos personagens, e também do leitor.

3. Y, O último Homem – Volume 10 – Não há causa sem porquê

A conclusão da série não poderia ser melhor e mais surpreendente. Y é o melhor trabalho de Brian K. Vaughan e é um marco de narrativa de quadrinhos moderna, que lembra séries de TV mas não deixa de se reinventar, de homenagear a cultura pop e de divertir a todo momento.

2. Preacher – Volume 1 – A caminho do Texas

Junto com Sandman, Preacher é o meu título da Vertigo favorito. Apesar de a editora ter conseguido concluir toda a série pela primeira vez no Brasil, ressalto que outro acerto foi ter começado a republicar os volumes anteriores no mesmo formato, a começar pelo primeiro. E esta é a edição mais caprichada que já chegou ao país, pronta para cativar novos leitores ávidos pela melhor história de humor negro dos quadrinhos. Apesar de tudo isso, posiciono em segundo em minha lista pelo arco já ter sido publicado diversas vezes antes. 

1. Diomedes

É a melhor obra em HQ de Lourenço Mutarelli. O detetive do absurdo, a temática Noir e o clima de mistério em cenário brasileiro compõe uma das melhores histórias nacionais já publicadas. E a edição ficou muito boa, com direito a extras bem legais além das mais de 400 páginas de história. Vale lembrar que também é uma republicação, mas o cuidado em compilar toda a Trilogia do Acidente em um só volume justifica o título de publicação do ano.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.