10649771_350859488413143_8207054750997804205_nÉ com um sentimento de muito orgulho que venho aqui compartilhar minhas impressões sobre o 2º Santos Comic Expo. Sabe aquela sensação de receber amigos queridos em casa? É isso: Uma alegria muito grande ver tantos artistas incríveis juntos em um clima de festa, dividindo experiências, conversando com fãs…

Bom, é normal que cada evento seja comparado com outros do mesmo tipo e com os anteriores, então, vamos aos pontos mais importantes:

– Como ressaltado por alguns amigos, o fato dos organizadores conseguirem boas parcerias, principalmente com a Prefeitura de Santos que cedeu um espaço bem maior do que o do ano passado, permite que o evento tenha entrada franca, o que possibilitou que muitos pais trouxessem seus filhos para conhecer os personagens que curtiam na infância, tanto os que foram retratados na exposição (impecável, por sinal) como através das HQs antigas à venda nos stands.

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– Através de eventos como estes o público tem acesso às obras de artistas nacionais que não conheceriam de outra forma, como foi o caso de Lucas Degásperi, ator santista e colecionador de HQs que se encantou com a qualidade da produção nacional e que de acordo com ele, não deve nada aos quadrinhos gringos, tanto que adquiriu algumas revistas como Pátria Amada e Carcará.

Liga Nerd– Ao contrário de mega eventos internacionais que são pagos, eventos do porte do Santos Comic Expo têm uma proposta diferente: enquanto o público tem acesso aos nomes de grandes séries e blockbusters nas grandes Comic Cons, na Santos Comic Expo o público tem a chance de conhecer autores nacionais que não possuem muita distribuição no país o que possibilita a formação de um novo público leitor e reafirma a vocação da exposição como data fixa no calendário da cidade.

Durante o período da tarde tive a oportunidade de conversar bastante com alguns colegas e recebi feedbacks muito positivos. O Hector Lima (Fictícia) comentou o quanto é importante que tenhamos eventos como o Santos Comic Expo justamente para que o público conheça o trabalho de autores independentes, como é o caso da Camila Torrano, única autora do evento e cujo trabalho foi elogiado por ninguém menos que o George Perez! Eu sou sempre muito suspeita para comentar, já que admiro o trabalho de todos os participantes do evento, mas quem acompanha o pessoal do Fictícia sabe como o grupo tem crescido e se destacado no mercado independente.

10407213_10205309952571012_9159692502549589006_nO Fábio Martins, do Liga Nerd, também acredita que o saldo é positivo, já que muitas pessoas que foram conferir a exposição também levaram esposas e filhos para conhecerem seus ídolos de infância. A loja do Fábio é especializada em produtos como action figures e souvenirs que não são encontrados facilmente na cidade ou mesmo em outras lojas físicas, por isso, o movimento em torno do stand foi grande o dia todo.

Não pude conversar com todo mundo, mas a programação seguiu dentro do horário e quem assistiu às palestras certamente saiu do auditório bastante motivado, principalmente quem pode falar com RB Silva que hoje trabalha exclusivamente para a DC Comics e que é uma isnpiração para muitos inciciantes.Os detalhes de cada painel devem ser divulgados posteriormente pelo próprio evento, mas para conferir quais foram e quem estava em cada um, clique aqui. Alguns amigos me deram um retorno depois do evento, como o Victor Freudt que conseguiu voltar pra casa sem quase nada do material que levou pra vender, o que prova que as HQs santistas também se destacam no mercado nacional. Seu trabalho pode ser conferido no site: https://www.flickr.com/photos/106039646@N06/sets/

1496649_10205309951010973_5603008951584246350_nSeguindo em direção ao palco onde ocorreram as apresentações de cosplayers e o desfile, notei que um stand estava bem agitado: era a turma da Pestisco marcando presença com Will (Homem Grilo e Sideralman), Daniel Esteves (São Paulo dos Mortos) e Mario Cau (Terapia e Dom Casmurro), todos feras que dispensam apresentações, mas caso ainda não conheça os trabalhos desses autores, passa lá no site da Petisco pra conhecer.

Mais à frente estavam Digo  Freitas(O Pedreiro), Vencys Lao (Dia do Porko) e Fábio Coala (O Monstro) que já haviam sido convidados da Gibiteca de Santos para divulgarem seus trabalhos. Infelizmente não tenho como citar o nome de todos porque não pude conversar com todo mundo, mas até onde sei, dos nomes anunciados, não faltou ninguém: Flávio Calazans é um referência na região também estava com sua mesa bem movimentada, O André Alonso (Tirânica) me falou sobre as expectativas para o CCXP (estamos na torcida para o seu lançamento!), o Luiz Gustavo M. Pereira autografou a sua HQ Trindade para quem foi até lá conferir de perto seu trabalho, o Bar – Alexandre Barbosa, já virou um ícone na cidade quando o assunto é HQ, ou seja, o clima de festa entre amigos ficou evidente até o fim do evento.

10805780_10205309950570962_3625196148123724141_nA única constatação não tão positiva foi perceber que muito embora as obras nacionais não devam nada às internacionais, a imprensa especializada e os programas de incentivo à cultura parecem não dar tanto valor assim à prata da casa, um bom exemplo foi a reação de surpresa de vários jovens com quem conversei ao abrirem as páginas de HQs como Pátria Amada do Klebs Júnior ou a Aú do Flávio Luiz e notarem a qualidade do material. Ora, não deveria ser uma surpresa, mas como o próprio Flávio apontou, a falta de incentivo tanto por parte do governo como da imprensa, acaba dificultando a distribuição e divulgação de trabalhos de qualidade impecável. Me admira muito que a história do Aú Capoeirista não seja usada nas escolas da rede pública a exemplo do que tem sido feito com algumas obras de adaptação literária. Embora não se trate de uma adaptação de clássico do cânone brasileiro, temos hoje não só os Parâmetros Curriculares Nacionais que possibilitam o uso didático das HQs, mas a Lei Federal    10639/03 que prevê o ensino de culturas africanas nas escolas, ou seja, temos um personagem afro-brasileiro, nascido na Bahia e que enaltece a cultura popular brasileira e que não é acessível ao grande público porque as leis de incentivo à cultura nem sempre funcionam como deveriam.

Enfim, o saldo geral é extremamente positivo e o pessoal da organização está de parabéns! Tenho certeza que a torcida para que o Santos Comic Expo do ano que vem supere os anteriores não é só minha! Que venha o 3º! Vejo vocês lá!

Na página do evento há mais fotos e vídeos dos Cosplayers que valem muito a pena serem conferidos.

https://www.facebook.com/santoscomiccon

http://santoscomiccon.blogspot.com.br/

https://www.facebook.com/events/1509423285980539/

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— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.