2011 faz uma grande vítima. Mais um grande artista dos quadrinhos se foi e com isso a Argentina perde um dos seus maiores escritores.

Carlos Trillo foi um roteirista fantástico e um dos mais conhecidos do seu país, pedra fundamental para o fortalecimento da "historieta" no país vizinho ao nosso. Faleceu dia 08 de maio de 2011, em Londres na Inglaterra onde estava de viagem com sua esposa, a escritora Ema Wolf

Infelizmente o autor teve pouca coisa publicada no Brasil. Na primeira década do novo milênio, isso parecia está mudando, a Editora Mythos publicou O Menino-Vampiro, que Trillo escreveu e Eduardo Risso desenhou, e a Editora Zarabatana lançou os álbuns Cicca Dum Dum e Clara da Noite. Antes desses lançamentos, o autor teve sua obra prima Alvar Mayor publicada na Editora Vecchi. Custer e A Bela e a Fera foram publicados na Grandes Aventuras Animal da Editora Vhd Diffusion em 1990.

Os brasileiros que tiveram poucas chances de conhecer o material do artista por aqui, ainda não terão a chance de conhecer o autor, que tinha viagem programada para o País, onde participaria da edição do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos – que acontecerá de 9 a 13 de novembro deste ano.

Carlos Trillo nasceu em Buenos Aires em 1943 e aos 20 anos publicou seu primeiro trabalho para a revista Patoruzú em edições semanais nos anos de 1963 à 1968. Trabalhou com diversos autores. Em parceria com Horacio Altuna, criou série como El loco Chávez; MerdicheskyTragaperrasLas puertitas del Sr. LópezEl último recreo e Charlie Moon. Com o espanhol Jordi Bernet realizou Clara da NoiteLight & Bold, Ivan Piire e Cicca Dum Dum. Trabalhou com o conterrâneo Eduardo Risso em Video NoireBorderlineChicanos e O Menino-Vampiro. Trabalhou com Domingo Roberto Mandrafina em obras como DraggerEl contorsionista; Historias mudas; The Iguana; La grande Arnaque; e The Big Hoax. Com alguns artistas realizou obras únicas como Irish Coffee, Cybersix  – a única HQ sul-americana até uma versão em anime – e Red Song com Carlos Meglia, esta última não foi finalizada, pois Meglia faleceu em 2008. Publicou ainda Alvar Mayor com Enrique Breccia; Gangrène com Juan GiménezUn tal Daneri com Alberto Breccia e vários outros artistas em uma longa carreira.

A maioria dos seus trabalhos foram publicados na Europa, onde teve reconhecimento e sucesso, ganhando em 1978 o prêmio de melhor autor internacional no Festival de Lucca, na Itália, onde recebeu o Yellow Kid, em 1984 como melhor roteirista foi homenageado no Salón Internacional del Cómic de Barcelona e em 1999 o prêmio de melhor roteirista no Festival de Angouleme, na França, pela obra La grande Arnaque em parceria com Mandrafina.

Para os brasileiros que desejarem saber um pouco mais sobre o artista, o jornalista Paulo Ramos o entrevistou para o livro "Bienvenido – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos".

Carlos Trillo estava trabalhando atualmente com o artista Lucas Varela, com que publicou um álbum ambientado na ditadura militar argentina.

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...