Na última sexta-feira, 18, fui acometido por uma série de boas sensações; logo pela manhã, a notícia da chegada do tão esperado filho de uma amiga me fez refletir sobre como o tempo passa, as pessoas crescem, o universo vive e, pensar nisso tudo mergulhando por entre as ondas da praia de Pedra do Sal, causou-me uma sensação de nostalgia aliada a uma serena reflexão de como nossas histórias são vistas, elaboradas, registradas.

Resultado este que me fez passar a noite em casa, assistindo All Star Superman, mais um trabalho da DC Comics em produzir longas animados de sagas que foram bem sucedidas enquanto quadrinho.

Mas vamos lá, sobre o que é All Star Superman?

Em 2006 a DC Comics resolveu produzir a linha “All Star”, onde a equipe criativa teria total liberdade para tratar a personagem escolhida da forma que quisesse, livre de cronologia, delimitação de tema, tudo para dar a visão peculiar para algo tão cheio de amarras impostas por uma linha editorial.

Grant Morrison e Frank Quitely começaram o trabalho com o Superman e Frank Miller e Jim Lee com o Batman (sem comentários aqui e agora).

Sobre o Homem de Aço, o que esperar então?

Uma homenagem ao mito Superman.

Homenagem essa que foi o foco da animação, mesmo com os aproximadamente 75 minutos; muita coisa do quadrinho foi suprimida, mas sinceramente, não fez falta alguma. Se o objetivo do longa animado era mostrar em movimentos dinâmicos aquilo que era visto de forma estática, a obra obteve um êxito mais do que louvável.

E sobre o que é a história?

Sendo simplista, diria que é sobre os últimos dias do Superman.

Lex Luthor, ao constatar que está envelhecendo, finalmente consegue elaborar um plano de ações de irá desencadear na morte do Homem de Aço e o super, ao constatar a proximidade de sua morte, resolve terminar alguns assuntos pendentes.

Mais detalhes, para mim, já se configura como spoiler e isso é uma coisa da qual não gosto muito. Entretanto, digo que All Star Superman é uma animação que merece ser vista inúmeras e inúmeras vezes.

E não, a animação não funciona como uma substituta para a mini-série em quadrinho: ambos os formatos tem suas particularidades, uma não tem o objetivo de suprimir a outra; elas apenas trabalham juntas para emocionar o leitor sobre aquilo de que nós, humanos, temos desde o início dos tempos: a vontade de sermos heróis.

Termino esse texto com uma citação de Machete: “Pra que ser uma pessoa quando já sou um mito?”

 

Até mais,

 

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.