t1Por Taís Veloso*

* Taís Veloso é convidada do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião da autora, que é plenamente responsável pela mesma.

 

 

Marcello Quintanilha, que foi conhecido pelo seu pseudônimo Marcello Gáu no inicio de sua carreira, é um autor brasileiro radicado 11696667_1645371809009980_967894943_nem Barcelona, na Espanha, nascido em 1971, Niterói.

Seu primeiro trabalho foi publicado quando ainda era um garoto, aos dezesseis anos. Na época ele assinava como Marcello Gáu, pois achava que ser quadrinhista não poderia ser uma profissão. Mas sua primeira graphic novel só foi publicada onze anos depois. Graphic novels são narrativas mais extensas em quadrinhos, geralmente em capa dura, o que valoriza as HQs. Segundo Charles Hatfield, surgiram na década de 80, e são um formato mais sofisticado das histórias em quadrinhos.

O autor tem mais de treze obras publicadas, tanto em português quanto em francês. Sua penúltima obra, Tungstênio (2014), é um grande sucesso já publicado no Brasil e na Espanha, a ser traduzida para francês e português de Portugal.

low-de-talco-de-vidro2-3b7fab18f46ebfd2bf8c19dd14cfa2aa-640-0Em sua mais recente Talco de Vidro (2015), Quintanilha narra a história de Rosângela, uma dentista bem sucedida, casada com Mario.E que vive uma vida aparentemente perfeita: Rosângela tem um marido fiel, filhos saudáveis, que estudam em boas escolas e passam as férias no exterior. O único problema da vida de Rosângela é a sua inveja pela prima que ela considera mais bonita do que ela, mas infelizmente não teve a mesma sorte que Rosângela teve na vida. Rosângela teve muito mais privilégios, seus pais tinham condições financeiras superior, ela teve oportunidade de se dedicar aos estudos, teve o seu já citado marido perfeito, enquanto a prima teve homens que a maltratavam.

A personagem principal tem características psicológicas que podem ser encontradas em muitas pessoas na vida real, o próprio traço das imagens em Talco de vidro é extremamente realista e a história é muito verossímil externamente. Não tem vilões que voam, nem super-heróis. Talco de vidro é um livro que pode ser lido de uma vez só, não por ter 160 páginas, mas por prender a atenção do leitor do inicio ao fim, o que é extremamente importante em qualquer narrativa, seja ela quadrinho ou romance.

A história é narrada em terceira pessoa, mas o narrador é tão onisciente que dá impressão de ser a própria Rosângela. Ao ler Talco de Vidro, ficamos íntimos e até um pouco cúmplices da protagonista. Sabemos de cada pensamento e sentimento dela, entendemos sua inveja pela prima, o cansaço da vida perfeita, seu sofrimento e as loucuras que ela faz para sair do seu conforto, se aventurando. Por mais que você não concorde com as atitudes da antagonista, você vai compreendê-la, vai se sentir na pele dela e vai querer ler mais da obra de Marcello Quintanilha. Talco de Vidro apresenta diálogos impecáveis, comuns ao dia a dia. O difícil é entender o porque uma história tão comum prende tanto a nossa atenção. Quintanilha foi muito feliz em escrever  Talco de Vidro.

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Referências

QUINTANILHA, Marcello. Talco de Vidro. Editora veneta,São Paulo, 2015.

HATFIELD, Charles. Alternative comics: an emerging literature. UP of Mississipi, 2005.

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Taís, como a maioria das crianças dos anos 90 começou a ler quadrinhos na infância, a clássica revistinha “Turma da Mônica”, de Maurício de Souza, mas só foi se apaixonar de vez por “Fala menino“, de Luís Augusto. Na medida  em que foi crescendo  foi  se afastando dos quadrinhos, até ler a graphic novel “Azul é a cor mais quente”, de Julie Maroh, o que a fez voltar de vez a esse gênero e de agora em diante, não pretende parar mais. Atualmente é pesquisadora no grupo Leituras contemporâneas, onde investiga os quadrinhos de Lourenço Mutarelli, com a orientadora Luciene Azevedo. Está nos últimos semestres de Letras na Ufba, (Universidade Federal Da Bahia).

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.