"No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante minha presença. Todo aquele que venera o mal há de penar, quando o poder do Lanterna Verde enfrentar."

O lema da tropa já foi muitas vezes traduzido de diversas formas pelas editoras no Brasil. Mas o fato é que as histórias acerca de A noite mais densa e de O dia mais claro finalmente chegaram ao fim por aqui. Para quem perdeu, pode acompanhar minha resenha sobre a primeira série aqui.

O final de A noite mais densa criava uma grande expectativa para a série seguinte, após um longo trajeto turbulento e com muitos erros e acertos. O desfecho criado por Geoff Johns funcionava, e chegou a me convencer que O dia mais claro poderia ser o momento mais brilhante do roteirista a frente do título. 

A história começa quando, após a derrota aparente de Nekron e de seus lanternas negros, a entidade da vida descoberta escondida na Terra cria uma bateria energética e escolhe Boston Brand, o Desafiador, como portador temporário de seu anel. Alguns heróis mortos durante a série anterior são ressucitados para um propósito maior, que agem paralelo a Boston, encarregado de encontrar um portador para o anel branco e guardião da vida no universo.

O primeiro ponto crítico é que comecei a ler O dia mais claro consequentemente por causa das histórias do Lanterna Verde. Se na série anterior misturar os personagens do Universo DC foi um acerto, trazendo bons momentos com Lex Luthor defendendo a tropa dos lanternas laranja, nesta série achei totalmente um erro. Entre os ressucitados, Aquaman, Homem e Mulher Gavião, Nuclear, Caçador de Marte, etc, nenhum chega a empolgar, pois não sabem por quê e para quê reviveram. E mesmo que soubessem, eu gostaria de ler histórias dos lanternas, será que eu comprei o gibi errado? O que aconteceu com o lema? E os Guardiões, será que não tem nada sobre isso em seus livros que contam as profecias do mundo?

Bom, se Hal Jordan mal dá as caras na HQ, Kyle Rayner, John Stewart e Guy Gardner então, nem me lembro de terem aparecido, Geoff Johns só poderia estar reservando algo especial para o guardião da luz branca, para relacionar com o título da série que originou este apêndice. Que nada. Cada um dos ressucitados vai cumprindo sua função, quase como uma redenção e uma nova chance de resolver problemas passados, e assim vão sendo extinguidos pela luz branca novamente numa coisa meio inútil, diga-se de passagem. Eis que na última edição, após 23 publicações norte americanas, ou 11 brasileiras, o Monstro do Pântano ressurge em Star City meio controlado pela influência de Nekron? Ahn? Pois é, também não entendi direito. E aí com a força dos heróis ressucitados, e de mais alguns, o Monstro é purificado, ressucitando seu Alec Holland interior. E ele é escolhido como o guardião da luz branca. Pois é, começamos lendo uma história do Lanterna Verde, passamos para a Liga da Justiça desfalcada e fomos terminar na linha Vertigo (até John Constantine aparece!), tudo dentro do mesmo gibi. Pode-se dizer que O dia mais claro repercutia em outros gibis, em Lanterna Verde, Universo DC, etc, é verdade. Mas o fato é que o roteiro principal possuía um gibi próprio onde o universo base, do Lanterna Verde, era pouquíssimo relevante. E fora que depois de as histórias paralelas de A noite mais densa terem sido tão chatas, muita gente não deve nem ter lido os outros títulos. Gosto de mega-séries, mas defendo que essa repercussão em todos os gibis acaba incomodando e gerando histórias forçadas e consequentemente fracas e chatas.

Pois é, para mim O dia mais claro foi somente mais um dia cinza, como outro qualquer, daqueles chuvosos quando nada dá certo e ao finalmente chegarmos em casa encharcados lemos mais do mesmo, séries megalomaníacas e confusas e sem um propósito grandioso como a premissa incial propunha…

E por falar em megalomania, acredito que Johns foi tomado pela mesma entidade que tomou Grant Morrison depois de um tempo escrevendo Os novos X-Men. Acho que os dois se perderam após um grande começo, o auge do trabalho dos dois fica mesmo com os primeiros trabalhos do escocês à frente da academia de mutantes e com a Guerra dos Anéis, de Johns.

Enfim, confesso que comecei a ler Dimensão DC: Lanterna Verde (o gibi da Panini), quando as histórias de Geoff Johns começaram a ser publicadas por aqui, por causa mesmo da arte de Ivan Reis. Foi o desenhista brasileiro que me fez voltar a acompanhar o personagem, mas agora, no entanto, Johns e Reis migram para tentar alavancar o título do Aquaman. Espero que Reis e Oclair Albert (seu arte finalista atual) se superem caso Johns não consiga manter um roteiro consistente. Quando vejo a arte regular do segundo sempre me lembro do insuperável Marcelo Campos finalizando Rann-Thanagar War de Reis. Dave Gibbons, Reis, Campos… os dias já foram mais claros do que hoje e eu não sabia.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.