oliverPor Oliver Borges*

* Oliver Borges é convidado do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pela mesma.

 

 

Mais uma vez X-Men, mais um a vez Bryan Singer, mais uma vez Wolverine.  Digo isso por que a aparição do personagem (que não é nenhum spoiler, já que foi mostrado suas garras no ultimo trailer) é um dos poucos pontos altos do filme. A saga cinematográfica que começou em 2000 e encabeçou uma série de Blockbusters baseados nos heróis mutantes MARVEL, chega a sua sétima produção, demonstrando que a FOX (detentora dos direitos desses personagens) conseguiu bons resultados no decorrer desses 16 anos.  Dos sete filmes rodados, 4 deles são dirigidos pelo diretor Bryan Singer que fundou a franquia em 2000 e volta agora, não sei com que intensão , mas me pareceu que é para encerrá-la.

Nos outros filmes, a série de cinema X-Men, apresentou ao público, basicamente, a essência do conceito dos personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby, que era a descriminação e perseguição feita pelos humanos aos então imagesconhecidos como mutantes, pessoas com poderes especiais de diversos tipos, que interferem diretamente em seu comportamento e aparência.  E esse conceito, o que era de se esperar, gerou o sucesso da saga, já que esse sempre foi o charme dos X-Men, heróis descriminados pela humanidade, que lutam incessantemente para salvar essa mesma humanidade de outros perigos eminentes. Isso sempre conquistou o grande público, funciona com os mutantes, funciona com o Homem-Aranha, enfim, garantiu a permanência da franquia nas telonas até hoje. Apesar de alguns deslizes, os X-men seguiram na luta nos últimos anos, gerando filmes derivados que ajudam a contabilizar os sete que compõem a franquia, temos então:  X-men Origens – Wolverine (se é que podemos chamar aquilo de filme) e X-men Primeira Classe, ambos contam o passado dos principais personagens do universo mutante, e se formos considerar todo esse universo, podemos colocar na lista o recente sucesso Deadpool e Wolverine Imortal como o oitavo e nono filmes e também derivado dos mutantes da FOX. Os filmes eram individualmente divertidos e funcionaram no que se refere a entretenimento e homenagem aos personagens originais dos quadrinhos. Em quase todos eles o foco tediosamente se mantinha no personagem mais vulgarmente popular dos X-men, o mutante imortal Wolverine. Essa preferência de destaque por esse personagem comprometeu a série que, em alguns momentos poderia se chamar de “Wolverine e Seus Amigos” e em outros apenas “Wolverine”, induzindo os roteiristas a forçarem a barra e distorcer a cronologia, fazendo que os filmes divirtam individualmente, mas não funcionem como série, já que a linha cronológica é a mesma, mas os fatos e consequências deles não casam de uma história para a outra. O penúltimo filme da série, “Dias de Um Futuro Esquecido”, veio pra tentar tapar todos os buracos de roteiro deixados no caminho dos X-men. A trama rasa de uma viagem no tempo tinha como objetivo corrigir as falhas de toda série e abrir caminho para um novo começo, já que uma nova linha do tempo foi criada a partir das alterações no passado causadas por ninguém mais que Wolverine. A jogada foi inteligente, já que as idades dos atores originais comprometiam o conceito de “Escola para Jovens Superdotados” e logo seria necessário reiniciar a saga. Criando uma nova linha do tempo, eles poderiam voltar um pouco na história sem desconsiderar os outros filmes… yes!  Problema resolvido! E essa jogada genial gerou X-men  Apocalipse.

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“X-men – Apocalipse” ou eu diria o “Apocalipse dos X-men”, é uma verdadeira bola fora. Sabe aquele passe perfeito, que deixa o jogador de cara pro gol e ele erra? Pois é, o pior é que o jogador que errou foi o mesmo que fez o passe. Bryan Singer, diretor dos X-men ha 16 anos, fez um trabalho de amador. Ao que parece o diretor está cansado, e demonstra isso fazendo um filme descuidado e pouco interessante, que se promove em cima de sequências inteiras de cenas previsíveis e cheias de clichês. O filme é baseado na saga das Hqs chamada “A Era do Apocalipse”  e apesar do sucesso em vendas desta, os X-men passavam pela pior fase de toda a sua existência no que se refere a qualidade de suas histórias. Como nos quadrinhos da época, o filme foca em personagens canastrões e de pouca profundidade, onde sua aparição na história contada tem como único objetivo o aplauso do fã pela sua presença. No filme, Apocalipse é um mutante muito antigo que sobreviveu a eras da nossa história, e devido ao seu poder gigantesco, no passado, ele era considerado um deus… (Cala a boca que isso não é Spoiler, aparece no trailer!! O Spoiler vem agora!)

maxresdefaultQual era esse poder? O poder de controlar simplesmente tudo. Tudo é muita coisa, por isso vou fazer uma listinha de três poderes que resume esse tudo: 1- O poder sobre toda a matéria orgânica e inorgânica; 2 – O poder de se teleportar até pra lugares que ele nunca foi; 3- onisciência, o cara sabe tudo.  Aí você me pergunta: “ Como os X-men conseguem derrotar esse cara?” E eu respondo: Não sei, perguntem ao Bryan Singer! Alias, não é só ele que possui o dom da onisciência, vários outros personagens agem aparecendo em lugares certos, nas horas certas, como se soubessem de tudo. Um deles é o Mercúrio, que no filme anterior tirou os fãs das poltronas com a famosa cena da cozinha, e dessa vez a dose se repete, só que de forma exagerada e impensada… Quando lá , ele tentava derrubar pessoas usando  pequenos detalhes de movimentação, como um dedo na bochecha em alta velocidade por exemplo; nesse, ele pega pela cintura pessoas que ele quer salvar e as arremessa pra longe enquanto para pra beber uma coca-cola, me fazendo pensar que o poder do Mercúrio não é de aceleração mas na verdade de controle do tempo. Enfim, o filme é colorido como um episódio dos Power Rangers, oscila na qualidade dos efeitos especiais, peca na costura do roteiro e está em um momento perigoso, que é o fato de ser lançado depois de Deadpool e Guerra Civil, a comparação é inevitável.

Em resumo, X-men apocalipse é um filme do anos 90, onde a história se situa na década de 80 e tem efeitos especiais dos dias de hoje. Então, sobra espaço apenas para Hugh Jackman roubar a cena mais uma vez e aparecer como o personagem que apareceu em todos os filmes dos mutantes da FOX, e esta que vai ter um problemaço quando precisarem substituir o ator para o Wolverine. Sem saber ao certo qual será o destino da franquia, eu faço um apelo a FOX: Por favor, devolvam o Quarteto para MARVEL!

 

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►Por Oliver Borges

* Oliver Borges é convidado do Quadro a Quadro. O conteúdo desse post expressa a opinião do autor, que é plenamente responsável pela mesma.

— Guido queria ser um personagem de histórias em quadrinho. Depois de ler Will Eisner se contenta em ser um personagem de uma história sem quadros.