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Hoje, Henfil completaria 70 anos e o Quadro a Quadro não poderia deixar de falar desse  grande artista que o Brasil perdeu mas, deixou um grande legado nos quadrinhos de humor e na história do Brasil.

Henrique de Souza Filho mais conhecido como Henfil foi um dos maiores cartunistas de humor do Brasil. Iníciou sua carreira aos 20 anos de  idade como revisor da revista Alterosa, em Belo Horizonte, onde certo dia  foi pego de surpresa desenhando no trabalho, pelo editor  da revista em que trabalhava, Roberto Drummond. Graças a Deus, por esse fatídico dia, o nosso querido Henfil passou a ser o cartunista da revista.

Sua primeira obra foi os Fradins, que era uma charge representada por dois frades dominicais , o Baixim e o Cumprido que eram usados para fazer críticas a sociedade e ao sistema religioso do Brasil. Henfil utilizava como ninguém a  situação política brasileira como inspiração para seus cartuns e charges. Criticava mas, não perdia a piada.

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No ano de 1966, Henfil lançou  o livro Hiroshima, Meu Humor, que consistia em uma coletânea de cartuns.Logo depois se mudou para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar para o jornal dos Sports , que foi o lugar que surgiu personagens célebres, como o Urubu ( que mais tarde foi utilizado como símbolo do Flamengo), Cri-Cri-Pó de Arroz e o Gato Pingado.

Um grande ano para a carreira de Henfil foi em 1969, quando foi chamado para trabalhar no Pasquim e paralelamente no Jornal do Brasil, apesar da ditatura militar Henfil não se rendeu a situação política da época e  continuou falando da realidade que assolava o país. Em sua obra , A Caatinga, protagonizada pela Graúna, Bode Orelana e Zeferino abordadava a situação vivida pelo povo brasileiro na época da promulgação do AI-5, além de fazer críticas severas a desigaldade social, a seca do nordeste, a pobreza e o racismo.

Henfil  faleceu aos 43 anos de idade, em 1988. Contraiu Hiv em uma transfusão de sangue e  ainda sofria de uma doença genética que  o corpo  tem dificuldade para coagular o sangue, a hemofilia. Fazia parte de uma família de grandes nomes, como o sociológo Betinho e o músico Francisco Mário e infelizmente os três irmãos eram hemofílicos. Henfil  fez história e sempre será lembrado pelos seus personagens cheios de personalidade e de humor,  como a galerinha da turma da Caatinga, Fradim e tantos outros. A saudade fica no seu jeito irreverente de fazer grandes críticas e mesmo assim não perder o humor.