A parte mais legal de ler os quadrinhos independentes é constatar que é possível encontrar histórias para todos os tipos de público. Como os artistas e roteiristas têm mais liberdade para criar, só cai na monotonia e previsibilidade quem realmente não tiver imaginação.

Eu não sabia o que esperar de Mulheromem. Realizada por meio do edital do Proac, com roteiro do Hector Lima, arte de Anderson Nascimento e Pri Wi e letras por Pablo Casado, Mulheromem é realmente surpreendente. Eu nãMulheromem-preview-Bo tinha gostado do nome logo de cara, mas depois de começar a ler, até achei que fazia sentido: a personagem surge da fusão de um casal de cientistas durante uma pesquisa em uma tumba egípcia. A partir daí, os maiores talentos de cada um são potencializados para que Mulheromem consiga combater o mal na forma de vilões assustadores.

Apesar da pegada nonsense que lembra um pouco os mistérios dos desenhos animados da década de 80, como Scooby-Doo, a narrativa também traz uma crítica a certos aspectos da nossa cultura contemporânea e se torna especialmente sensível ao misturar ficção e realidade por meio da metalinguagem: ao intercalar a história em quadrinhos com a vida pessoal do roteirista, o leitor consegue ter a noção das dificuldades que Hector enfrentou para desenvolver a trama, o que eu achei genial. Para mim, que conheço pessoalmente o Hector e sua esposa, foi uma sensação inédita ver meus amigos transformados em personagens de história em quadrinhos. Diante das dificuldades que os dois passam ao longo da história, a vontade que eu tinha era de ligar pra eles e dizer: “Vem cá e me dá um abraço”, sabe?

Mulheromem é despretensiosa e extremamente divertida. Me peguei rindo alto no metrô algumas vezes com umas sacadas e piadas infames que só fazem sentido pra quem, como eu, foi criança nos anos 80.  Os vilões, assim como os super poderes da Mulheromem, são criativos e bizarros, do tipo que não fazem o menor sentido pra quem leva a vida muito à sério, por isso, não é de se estranhar que na contracapa da revista conste uma crítica negativa de quem não entendeu nada do enredo e classificou a HQ como uma das piores do mês! hehehehe

Porém, assim como outra crítica que consta na contracapa, Mulheromem é entretenimento garantido pra quem consegue pensar fora da caixinha e gosta de expandir seus conceitos sobre gênero, por exemplo.  É uma história estranha, mas estranhamente boa.

MULHEROMEM – A História Inserta
Roteiro de Hector Lima
Arte de Anderson Nascimento
Cores de Pri Wi
Zarabatana Books / Fictícia – 21 x 28 x 0,5 cm – 64 páginas – preto e branco – 1ª edição – 2016
Brochura – cadernos costurados – Capa com verniz UV – Miolo em papel couchê 150g/m2
Shrink individual
ISBN 978-85-60090-77-8
Preço de venda: R$ 30,00

— Dani Marino é formada em Letras e ainda não decidiu se prefere viver no Sonhar, em Nárnia ou em Hogwarts.