A ilustração do mineiro Vitor Cafaggi representa muito bem o relato abaixo.                                              ◄

 

Aconteceu que ao abrir os olhos me dei conta de que hoje era mais um dia dos pais e que este ser homenageado é o responsável direta ou indiretamente pela existência do Quadro a Quadro.

Meu pai me ensinou a ler quando eu ainda tinha três anos e seus olhos brilhavam quando li minha primeira frase em um supermercado local "compre aqui o presente do seu filho", era dia das crianças e meu pai estava orgulhoso e não pensou duas vezes em comprar gibis para que eu praticasse mais e mais a leitura.

Com sua voz amiga, afável, meu pai me ensinou a ler com Asterix, Turma da Mônica e um certo Batman.

Enquanto eu crescia, Chico Bento era o meu parceiro, depois Seninha entrou em minhas leituras e um pouco mais tarde eu já me imaginava em aventuras com Groo, o Errante.

Desse período até os dias de hoje nunca parei de ler quadrinhos e a lista só fez aumentar…

Com essa educação, meu pai me deu mais do que heróis de papel, ele me ensinou a sonhar e lutar pelos meus sonhos, me ensinou o que é imaginação e me fez acreditar que o homem podia voar… Logo eu dividia a atenção com os livros escolares e as revistas em quadrinhos. Todas as tardes Superman, Batman, Conan, Martin Mystère, Mister No, Fantasma, Corto Maltese, Tarzan, etc., me faziam companhia em um mundo só meu…

Certo dia, meu pai me disse "leia isso aqui, deixe um pouco de lado os quadrinhos de super-heróis" e me presenteou com um Ken Parker de sua coleção, o mundo virou de cabeça para baixo, "como alguém poderia escrever dessa forma?" – eu me indagava.

A vibração aumentou, eu tinha novos heróis e com eles me aventurei em páginas amareladas, cavalgando pradarias do velho oeste com Ken Parker, me aventurando por boa parte do século XIX com as famílias Adams e Mac Donald (em História do OesteEpópeia Tri.) e lutei em defesa da paz e da ordem na imaginária floresta de Darkwood ao lado de Zagor e muitos outros personagens e muitas outras aventuras.

Meu pai é o responsável por esse ar mágico que há em mim, é o responsável pelas novas leituras e eu só tenho a agradecer por ele ter feito tudo aquilo que um pai faz com seu filho: Dá amor, e a mim transferiu sua paixão pelos quadrinhos, seus sonhos, suas aventuras…

Ao meu pai só posso dizer, obrigado. Eu te amo!

Essa matéria é um presente para ele e a minha vontade de compartilhar com vocês, leitores do QaQ como surgiu minha paixão pelos quadrinhos.

Essa matéria é um presente aos papais Quadrados (Marcello e Sérgio) que façam o mesmo com nossas quadradinhas (Luísa e Marina).

Essa matéria é um presente a todos os pais que nos acompanham e a todos os pais fãs da Nona Arte.

Parabéns a todos pela maior de todas as dádivas!

— Lucas Pimenta queria ser Martin Mystère. Não queria uma pistola de raios e sim a capacidade de enrolar uma noiva da mesma maneira...