Nos meus tempos de escola – e mais ainda nas aulas de teoria literária – aprendi que o termo metalinguagem é muito mais do que usar uma linguagem para falar dela própria. Do Poema-orelha de Carlos Drummond de Andrade passando por filmes como Adaptação dirigido por Spikie Jonze, a metalinguagem está presente nas mais inumeras formas de produção cultural. E, como não podia deixar de ser, também está presente – e muito – nos quadrinhos.

Um exemplo recente e muito bem trabalhado pode ser encontrado na última história do 9º encadernado de Y: O Último Homem – A Patria Mãe. Nesta história, há uma discussão entre uma atriz e uma diretora de filmes sobre qual seria a melhor forma de produzir conteúdo para esse "novo mundo" e traçam todo o caminho para a produção de Histórias em Quadrinhos.

No Brasil, os gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá adoram utilizar este recurso em suas histórias, presente em muitas histórias do álbum Crítica e na pequena publicação Ateliê.

E como não lembrar também do Grant Morrisson quando autor e personagem batem um papo "super amistoso" em Deus Ex-Machina, último trabalho do escocês no comando de Homem-Animal?

Nos últimos meses as diversas buscas pelo Facebook me levaram a encontrar um quadrinista que resolveu abraçar a metalinguagem como tema para as suas tíras.

Ainda sem título é uma criação de André Almeida e traz o percurso de um quadrinista no caminho da criação.

Tira #01

Tira #01

Dentre davaneios, bebedeiras e conversas com elementos do inconsciente, as tiras trazem diversas questões muito comuns entre os produtores de quadrinhos que vão desde detalhes pertinentes do próprio gênero até às dinamicas de criação.

Tira #08

Tira #07

O autor, que nasceu em São Vicente mas vive atualmente em Bragança Paulista, tem como influências quadrinistas como Angeli e Laerte, escritores como Charles Bukowski e Marçal Aquino. Já teve obras publicadas em jornais, revistas e web a fora, mas vive dos trabalhos como designer e ilustrador. Ao final da noite, ou está produzindo a tira de Ainda sem título que será publicada no dia seguinte  – isso quando não faz no mesmo dia – ou está trabalhando em outros quadrinhos da sua autoria.

 

Acompanhar as mais de 50 tiras de Ainda sem título é percorrer por todo um universo onírico e irônico sobre as mais diversas formas de se produzir um quadrinho.

Definitivamente uma das coisas mais legais que encontrei pela internet nos últimos meses.

Para acompanhar "Ainda sem título" é só acessar a página do autor: andrehq.wordpress.com http://andrehq.wordpress.com/

Ou a fanpage no Facebook: facebook.com/aindasemtitulo

— Adalton nasceu no último dia de uma lua cheia, mas acha que isso não tem nenhuma relação com a sua vida; começou comprando quadrinhos por puro modismo - uma edição da Turma da Mônica parodiando Jurassic Park; sua primeira compra consciente foi a edição nº 01 de Batman: A queda do Morcego, ainda formatinho. Acredita que irá terminar a graduação em Letras antes da catástrofe de 2012 e daqui até lá está estudando parte das traduções intersemióticas das peças de Shakespeare já produzidas. E nos interlúdios, tenta produzir roteiros a partir idéias rabiscadas em antigos pedaços de papel.